Aliança das empresas para energia sustentável para todos

As empresas com dimensão, como as da energia, das telecomunicações e financeiras, podem criar "um ecossistema com parceiros de diversas áreas, dimensões e capacidades, para poder alavancar e fazer acontecer projectos, para levar a energia a todos", assinalou António Martins da Costa, administrador da EDP.
Aliança das empresas para energia sustentável para todos
António Martins da Cruz disse que as eléctricas podem fazer a ligação entre parceiros "para levar a energia a todos".
Adelino Oliveira
Filipe S. Fernandes 07 de maio de 2018 às 11:09
"As utilities podem contribuir com produtos e serviços, competências de gestão e técnicas e capacidade de mobilizar financiamentos e de fazer a ligação entre parceiros como investidores e dados e as comunidades locais", referiu António Martins da Costa, administrador da EDP na sessão "From Words to Actions: How Are Business Delivering Sustainable Energy Solutions?", que teve lugar no fórum SEforALL, que ontem terminou em Lisboa. Sublinhou que as empresas com dimensão, como as da energia, das telecomunicações e financeiras, podem criar "um ecossistema com parceiros de diversas áreas, dimensões e capacidades, para poder alavancar e fazer acontecer projectos, para levar a energia a todos".

As empresas de energia com operações globais estão a liderar o aumento do investimento do sector privado em soluções de energia sustentável e limpa nos países em desenvolvimento. Mas não estão sós. Existem empresas de telecomunicações e financeiras, por exemplo, que estão a investir para alcançar o Objectivo de Desenvolvimento Sustentável-7 e garantir o acesso a energia acessível, confiável, sustentável e moderna para todos.

A PowerGen foi criada em 2011 em Nairobi, no Quénia, e actua em sete países de África Oriental e tem milhares de clientes em sete países, tendo construído micro-grids para abastecer as comunidades com energia solar e eólica, renovável e limpa. Começou por construir sistemas de energia off-grid mas dado o seu custo optou em 2013 na Zâmbia pela instalação de micro-grids. O sistema de pagamento pay-as-they-go foi facilitado pela existência da rede de telecomunicações e da banca mobile como salientou Aaron Cheng, presidente da Powergen Renewable Energy.

México e África

"Com o programa electricidade para todos, o objectivo é a levar a electricidade a mais de 4 milhões de pessoas até 2020" referiu Agustin Delgado, chief innovation and sustainability officer da Iberdrola. Este programa foi lançado em 2014 e já beneficiou cerca de 4 milhões de pessoas na América Latina e em África. A empresa espanhola investiu, por exemplo, 500 mil euros numa empresa mexicana que realiza projectos solares em áreas desfavorecidas no México. Em parceria com a Philips Ibérica e a Fundación Acciona e instituições públicas e universitárias lançaram uma iniciativa para encontrar soluções sustentáveis de acesso a energia em contextos de crises humanitárias.

Com o programa eletricidade para todos, o objectivo é a levar a electricidade a mais de 4 milhões de pessoas até 2020. Agustin Delgado
Chief innovation and sustainability officer da Iberdrola

"Há 12 anos deu-se o boom das telecomunicações em África e um dia numa aldeia do Senegal vi o poder de um ficha para se poder ligar um telemóvel quando um aldeão me disse que tinha deixada de andar quilómetros para contactar com outras aldeias e familiares", começou por referir Jean-Michel Garrouteigt, sponsor of the Energy Program in the OMEA Division da Orange. Referiu ainda a importância da banca mobile pois cerca de 1 milhão de pessoas na República Democrática do Congo usam o telemóvel para as suas operações bancárias. Aliás a empresa lançou recentemente um banco digital e mobile em oito países africanos para reforçar os seus negócios financeiros no continente. Tem 21 milhões de clientes em 18 países. Sublinhou que "a energia é o ponto de ligação entre as telecomunicações e a actividade bancária".

Finança sustentável

O HSBC definiu um novo plano de sustentabilidade, que passará a fazer parte da sua estratégia financeira, referiu Daniel Killer, group head of strategy and global head of sustainable Finance do HSBC. Este banco tem 100 mil milhões de dólares até 2025 para investimentos financeiros sustentáveis, no sentido de criar uma "finança sustentável" como referiu Daniel Killer. Um dos aspectos sublinhados é o facto de um dos seus objectivos seja liderar e dar forma ao debate sobre as finanças e os investimentos sustentáveis, no sentido também de abrir a comunidade dos mercados financeiros a novas ideias e a criarem um pipeline de produtos sustentáveis.

O HSBC tem um projecto, com duas utilities em Hong-Kong, para que 90% das necessidades energéticas desta cidade, em 2025, sejam satisfeitas por energias renováveis, e se possa chegar a 100% em 2030. Como referiu Daniel Killer, do HSBC, o banco tem um compromisso como as energias renováveis tanto através de investimentos directos como de financiamento de projectos. O HSBC está, juntamente com cerca de 200 outras empresas no RE100, iniciativa global para as energias renováveis.

O ex-secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lançou o SEforALL em Setembro de 2011, como uma iniciativa global que mobilizaria a acção de diversos actores em apoio aos três objectivos centrais do SDG7 como o acesso universal a serviços modernos de energia, se dupliquem os níveis globais de eficiência energética e a quota de energias renováveis a nível mundial. É uma entidade internacional não-governamental, que trabalha com líderes do governo, sector privado e sociedade civil. Como refere António Mexia, chairman da SEforALL, "a organização que tem feito a identificação e publicação do progresso nestes objectivos, trabalhando por geografias e por temas específicos, promove sobretudo a criação das pontes entre os diferentes sectores da sociedade e o estabelecimento de parcerias".

SEforALL reforça parcerias

A Fundação Ikea, Wallace Global Fund, World Evangelical Alliance e Brahama comprometeram-se a reforçar os seus esforços para atingir os objectivos de desenvolvimento sustentável em 2030. Juntam-se a empresas como a EDP, ABB, Engie, MasterCard e Schneider Electric que já tinham apresentado novos objectivos de investimento no acesso universal a energia limpa e sustentável. O Islamic Development Bank associou-se ao SEforALL para criação de um hub em Jeddah. Foi ainda anunciada a Shine Campaign é um maior envolvimento da Total.