Ana Mendes Godinho: Portugal é bom para visitar, investir, viver e estudar

Perguntas a Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo
Ana Mendes Godinho: Portugal é bom para visitar, investir, viver e estudar
Pedro Catarino
Filipe S. Fernandes 05 de junho de 2018 às 11:27

Ana Mendes Godinho é licenciada em Direito pela Faculdade da Universidade de Lisboa e secretária de Estado do Turismo. Na sua carreira já foi vice-presidente do Turismo de Portugal, administradora da Turismo Capital e da Turismo Fundos e adjunta e chefe do gabinete do secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade.

 

Em 2017 foi um ano de recordes para o turismo e em os primeiros meses de 2018 confirmaram esse crescimento. Mas há sinais no Algarve que está a ser afectado pelo regresso dos turistas aos destinos do Norte de África. Que efeitos pode ter este facto e como se pode contornar?

Tivemos crescimentos em termos de número de turistas – ultrapassando pela primeira vez os 20 milhões de hóspedes na hotelaria -, mas, acima de tudo, uma aceleração do ritmo de crescimento das receitas turísticos (+19,5%) e da criação de emprego.

Pela primeira vez, as receitas de turismo superaram os 15 mil milhões de euros e o saldo da balança turística ultrapassou os 10 mil milhões de euros. Em 2018, no primeiro trimestre do ano as receitas subiram 17,4%.

O Algarve tem contribuído para estes resultados nacionais, com crescimentos significativos, principalmente na época baixa. Em 2017, o número de passageiros no aeroporto de Faro aumentou 15% e cerca de 70% das novas dormidas no Algarve aconteceram nos meses menos turísticos, o que gera mais emprego ao longo do ano.

 

No primeiro trimestre de 2018, os dados do INE relativamente ao Algarve reflectem um crescimento de 8% dos hóspedes e 11% dos proveitos turísticos, apesar das quebras das operações aéreas da Monarch, Air Berlin e Nikki, e da grande recuperação de países como a Turquia, Egipto, Tunísia.

Tem sido crucial a aposta na diversificação de mercados como Alemanha, França, Irlanda, Espanha, países nórdicos, Brasil e a diminuição da dependência do mercado britânico.

 

Quais são os aspectos mais significativos desta revolução do turismo e quais são os principais desafios para se manter a actividade turísticas nestes níveis?

Nos últimos 2 anos, Portugal conseguiu 185 novas rotas e 225 novas operações aéreas, o que tem permitido que cada vez mais mercados cheguem a Portugal ao longo de todo ano.

O turismo é um instrumento poderoso de promoção de Portugal como país não só bom para visitar, como para investir, viver e estudar.


As regiões que mais crescem, neste momento, são o Alentejo, Norte e Centro e, em 2017, reduziu-se o índice de sazonalidade para o valor mais baixo de sempre (37,5%).Nos últimos dois anos, o Turismo criou mais de 80 mil postos de trabalho no país.

Temos grandes desafios para continuar a crescer de forma sustentável, como as acessibilidades aéreas competitivas e mobilidade, a capacidade para atrair e reter talento e recursos humanos qualificados, envolver residentes e garantir retorno do turismo para as populações e territórios e a oferta alicerçada na autenticidade com inovação.