Como investir no mercado de acções sem comprar acções?

Não precisa de ter acções de uma empresa para ganhar na bolsa. Há vários instrumentos financeiros que lhe permitem colocar as suas poupanças a render sem ter um único título em carteira. Saiba quais são e conheça os riscos.
Paulo Moutinho 31 de outubro de 2010 às 09:00
E se lhe dissessem que pode investir na bolsa sem comprar uma única acção? Não acredita? Mas é verdade. Nos últimos anos, surgiram no mercado uma série de instrumentos financeiros que lhe permitem estar exposto ao mercado accionista sem ter qualquer título na sua carteira de investimentos.

Os mais comuns são os fundos de investimento. São, também, os mais recomendados para quem não tem tempo para acompanhar de perto a evolução do mercado ou, pura e simplesmente, não tem conhecimentos que lhe permitam tomar as decisões mais acertadas. Porquê? A gestão é feita por profissionais.

Este é, dos vários produtos disponíveis actualmente no mercado, o único em que existe alguém que trabalha em prol do seu dinheiro. E não é por isso que é menos rentável. Pelo contrário. Os gestores destes fundos têm todo o interesse em proporcionar ao investidor o melhor retorno possível, para assim atraírem ainda mais investidores.

Ao aplicar o dinheiro num fundo de acções estará a comprar uma "fatia" de uma grande carteira, de vários milhões. Ficará exposto à variação desta, mas sem ter que despender de elevados montantes, como aconteceria se replicasse as "apostas" do fundo por sua conta .

O baixo investimento inicial é também uma das características dos Certificados e dos ETF, sendo que estes não têm custos de gestão. São dois produtos menos conhecidos, mas que também permitem ao investidor estar exposto à evolução de um cabaz de acções - normalmente índices -, mas de forma indirecta, que se destacam pelo facto de terem elevada liquidez. São negociados como se fossem acções.

O mesmo acontece com os "warrants" e com os CFD. Estes dois instrumentos diferenciam-se dos demais com o facto de permitirem alavancar o investimento, além de que não têm, necessariamente, que "apostar" na subida. Pode ganhar com a queda das acções. No caso dos CFD, o prejuízo pode ser superior ao investimento.





Cinco exemplos para investir sem acções

1. Fundos de investimento em acções
Os fundos investimento são o instrumento financeiro predilecto de quem quer investir na bolsa, mas sem ter de estar exposto apenas a uma ou outra acção. Através dos fundos, consegue ser titular de parte de uma carteira diversificada de títulos por uma pequena fracção do seu custo, beneficiando, ainda, do facto de esta ser gerida por profissionais qualificados, embora pagando uma comissão pelo serviço.

Vantagens e desvantagens

Um vantagem é o facto de o investimento mínimo não ser muito elevado. Outra, é que a gestão da aplicação é feita por especialistas. Os custos de gestão da aplicação e risco associado ao investimento no mercado accionista são as desvantagens.


2. Certificados sobre acções ou índices
Os Certificados são instrumentos financeiros que replicam a evolução de cabazes de acções, como são os índices. Pode ser um índice em concreto (como, por exemplo, o PSI-20), ou então um cabaz de acções seleccionadas (um sector específico, por exemplo). A principal diferença face a outros instrumentos que replicam acções, ou índices de acções, está no facto de estes terem uma data de reembolso.

Vantagens e desvantagens
Têm a vantagem de serem negociados em bolsa, dispondo de liquidez, e dos custos de negociação serem baixos. O risco associado ao mercado é uma desvantagem. A outra é o facto de o investidor não ter qualquer tipo de intervenção na gestão da carteira.


3. Exchange Traded Funds (ETF)
Os ETF são fundos de investimento que replicam a evolução de um determinado índice. São ainda pouco conhecidos dos investidores portugueses, mas são uma das melhores opções para investir no mercado. Tal como as acções, os ETF são negociados na bolsa, estando a rendibilidade dependente da variação do índice que este instrumento está a replicar. Existe um ETF sobre o PSI-20, que é comercializado pelo Commerzbank.

Vantagens e desvantagens
A principal vantagem, além da liquidez, está na possibilidade de o investidor diversificar a carteira através de um baixo investimento.
Como desvantagem, há que contar com os custos associados à negociação dos ETF e respectiva manutenção.


4. "Warrants"
Os "warrants" permitem investir em acções, de forma alavancada, apostando na subida ("call") ou descida ("put") dos títulos. Cada "warrant" tem o chamado preço de exercício da acção, uma espécie de cotação que serve de mira. Se as acções da empresa "A" estiverem a 10 euros e o preço de exercício for de 12, o investidor ganha quando a cotação no mercado passar acima deste último valor. Caso contrário, perde, a menos que esteja a apostar na queda.

Vantagens e desvantagens
O investimento necessário é muito baixo, podendo ser muito inferior à acção. Um "warrant" pode corresponder a mais do que uma acção. Factores que lhe conferem atractividade mas, também, maior risco.


5. Contracts for Differences (CFD)
Os CFD são instrumentos derivados que proporcionam ao investidor uma forma alternativa de estar exposto ao mercado de acções. Através destes, pode investir numa só acção ou num cabaz, sendo a principal característica destes o facto de a aplicação ser alavancada. Isto significa que o investidor ficará exposto numa proporção superior àquela a que corresponde o valor investido, podendo a "aposta" ser na subida ou na queda do activo.

Vantagens e desvantagens

Permite tirar partido das subidas mas, também, das quedas do mercado numa proporção maior à do investimento. A principal desvantagem está no facto de poder perder mais do que o capital investido. Há, contudo, mecanismos para impedir que isso aconteça.