Como poupar para financiar os estudos dos seus filhos?

Os custos com a educação vão avolumar-se à medida que os filhos progridem na formação académica. Para evitar desequilíbrios súbitos nas contas familiares, é importante começar desde cedo a planear e a poupar com vista a suportar esses encargos.
Edgar Caetano 31 de outubro de 2010 às 09:00
A educação é um investimento. E, no caso dos filhos, é uma despesa para a qual é importante estar preparado. Em princípio, quanto mais uma criança progride no percurso académico mais custos envolve a sua formação, pelo que há que fazer um planeamento rigoroso do avolumar de despesas. Até ao ensino superior.

Em países como os EUA, a criação de um fundo de poupança para a educação de cada filho é prática comum. Desta forma, os pais poupam-se a um aperto desnecessário, por exemplo, quando o jovem segue para o ensino superior, uma altura em que as despesas se multiplicam.

Segundo um estudo do Eurostudent, um estudante do ensino superior em Portugal gasta, em média, mais de 600 euros por mês. Se multiplicarmos esse montante pelos três anos de uma licenciatura, desde a reformulação de Bolonha, o custo total ascende aos 22 mil euros.

Em grande parte dos casos, uma vez conseguida a licenciatura, os estudantes avançam para o mestrado sem estarem já empregados no mercado de trabalho. Mais dois anos de despesas, sendo que as propinas de um mestrado são sempre muito superiores aos custos de uma licenciatura.

Contas feitas, uma formação superior com mestrado pode custar perto de 40 mil euros. Uma quantia elevada que, na maior parte dos casos, terá que ser suportada pelos encarregados de educação. E há queter em conta a possibilidade de o seu filho querer fazer parte da formação universitária no estrangeiro, uma opção cada vez mais comum. As bolsas de estudo nem sempre são suficientes para cobrir os custos de estudar um ou mais anos num país com custo de vida mais elevado.

A poupança é o melhor caminho para evitar o recurso a empréstimos universitários, que obrigam o recém-formado a começar a amortizar o empréstimo e os juros com o primeiro ordenado.

A recomendação óbvia é: que quanto mais cedo começar a poupar, menos terá que colocar de parte a cada ordenado mensal. Mas pense que, se poupar 100 euros por mês a partir do nascimento, uma rendibilidade anual de poupança de 4% dará ao seu filho o suficiente para suportar o custo médio da formação universitária, até ao final do mestrado.

Onde deve colocar o dinheiro?
As opções de poupança mais comum para este propósito são as contas-poupança ou depósitos a prazo, ambas soluções com rendibilidades muito baixas nesta altura.

Assim, sobretudo se tiver a certeza que aquele "pé-de-meia" será usado apenas e só para o fim previsto, pode apostar em produtos mais alternativos, como fundos de investimento.

Nesse caso, há que ter em conta factores como as comissões de manutenção e a rendibilidade de cada produto. E também os valores mínimos de subscrição, que dependerão da capacidade financeira de cada agregado.

No início, a aplicação pode ser mais agressiva e estar principalmente exposta aos mercados de acções. Em fases mais adiantadas, o investimento deverá ser mais conservador e aumentar a exposição aos mercados obrigacionistas.





Ideias-chave

Poupar para o futuro dos seus filhos

Licenciatura pode custar mais de 600 euros por mês
Na chegada ao ensino superior, os custos com a educação do seu filho vão disparar. E esse efeito é cada vez mais pesado tendo em conta que muitos estudantes passam directamente para o mestrado sem estarem já enquadrados no mercado de trabalho. E talvez queira ter em conta um período de estudos no estrangeiro.

Poupança para evitar desequilíbrios ou recurso a crédito
Quanto mais cedo começar a poupar menos significativo será o montante que terá que colocar de parte todos os meses. Tenha em conta que uma formação superior com mestrado pode custar até 40 mil euros. O recurso ao crédito é uma opção, mas pode ser evitada se tiver sido feito um plano de poupança.

Poupança para educação é poupança para educação
Lembre-se que o dinheiro que está a colocar de parte tem um fim muito específico e não deve ser encarado como um fundo de emergência. Para que nada falte ao seu filho no futuro, a poupança para os estudos deve ser encarada como a poupança mais inviolável de todas.