Amancio Ortega jurou que a família nunca mais passaria fome

É apaixonado por cavalos, automóveis e pintura. A qualidade que mais aprecia é a honradez e o que menos suporta é a mentira. O têxtil fez-lhe a fortuna.
Amancio Ortega jurou que a família nunca mais passaria fome
Reuters
Carla Pedro 31 de outubro de 2015 às 17:00

Amancio Ortega Gaona, dono da Inditex – proprietária de marcas como a Zara, Massimo Dutti, Oysho, Stradivarius, Bershka e Pull & Bear – é hoje um dos homens mais ricos do mundo: no passado dia 23 de Outubro destronou Bill Gates no primeiro lugar do pódio, no "ranking" diário da Forbes, com uma fortuna avaliada em 78,1 mil milhões de dólares. Mas o património deste bem sucedido empresário espanhol não lhe caiu no colo. Bem pelo contrário.


Nascido a 28 de Março de 1936 em Busdongo de Arbás (León), aos 12 anos mudou-se para a Galiza, para onde o seu pai, ferroviário, tinha sido transferido. O salário da mãe, empregada doméstica, não ajudava grandemente a compor o rendimento familiar e as dificuldades faziam-se sentir. Por isso, cedo começou a trabalhar.


Teve de largar os estudos aos 13 anos devido ao aperto financeiro familiar – tinha mais dois irmãos, Josefa (Pepita, para os mais chegados) e Antonio (já falecido) – e jurou que a sua família nunca mais voltaria a passar fome. Uma promessa nascida da impotência que sentiu ao ouvir dizerem à sua mãe, na mercearia local, que não podiam continuar a vender-lhe fiado, contam o El País e a Executive Excellence.


Aos 14 anos estava já empregado como estafeta da camisaria Gala, na Corunha, tendo aos 17 passado a operar como comercial na empresa de confecções La Maja, onde também trabalhavam os seus dois irmãos. Mas a sua natureza empreendedora depressa o conduziu a destinos com rédea própria.


Em 1963, graças a um pequeno empréstimo, Amancio Ortega, Rosalía Mera (que havia de tornar-se a sua primeira mulher), Antonio Ortega, Pepita e José Caramelo (fundador da empresa Caramelo e um dos poucos amigos que Amancio tem no sector têxtil) saem da La Maja para criarem a GOA Confecciones – o princípio de tudo, conta o website Orlando Cotado.


A GOA (as iniciais de Amancio Ortega Gaona, na ordem inversa) começou por se dedicar ao fabrico de roupões de banho [azuis e cor-de-rosa], tornando-se a base do seu império têxtil, conforme conta a Busca Biografías.


O negócio vai crescendo e a 15 de Maio de 1975 abre a primeira loja Zara, na Corunha. Com o aumento do volume de actividade da sua empresa, cria em 1985 o grupo Inditex (Industrias de Diseño Textil).


Em 1988, com a abertura de uma Zara no Porto, o grupo galego inicia a sua expansão internacional, estando hoje presente em mais de 80 países, por toda a Europa, Américas, Ásia, Médio Oriente e Norte de África.


Em 2001 a Inditex entra em bolsa, sendo actualmente conhecida como o maior grupo têxtil do mundo. Literalmente. Só a sua sede, na Corunha, tem uma extensão equivalente a 47 campos de futebol, sem contar com os 30 mil metros quadrados de novas edificações, sublinha o El Mundo.


Além da área têxtil, diversificou a sua iniciativa empresarial para outros sectores, como o imobiliário, financeiro, concessionárias automóveis e gestão de fundos de investimento, escreve a Biografías y Vidas.


Em Janeiro de 2011 deixou a presidência da Inditex – da qual é o maior accionista, detendo perto de 60% – passando o testemunho a Pablo Isla, da Zara.


Através da sua Fundação Amancio Ortega – instituição privada sem fins lucrativos que promove todo o tipo de actividades no domínio da investigação, educação e ciência – doou, em 2012, 20 milhões de euros à Cáritas.


Teve dois filhos, Sandra e Marcos, com a primeira mulher, Rosalía Mera. Em 2001 casou-se com Flora Pérez Marcote, com quem teve a filha Marta.


É um homem discreto e reservado, que durante muitos anos não deu entrevistas e que tinha uma única fotografia autorizada. E só em 1999 é que essa foto surgiu, ao ser publicada na primeira memória oficial da Inditex. Até então, o rosto do homem que criou o império têxtil que o tornou um dos mais ricos do mundo era do desconhecimento público. Com a sua Fundação, Ortega abriu-se um pouco mais, mas continua a preferir o recato.


Apaixonado por cavalos, automóveis e pintura, é no entanto um homem de hábitos simples, sem grandes extravagâncias. A qualidade que mais aprecia numa pessoa é a honradez e o que menos suporta é a mentira.


A humildade é também uma característica de Ortega. "O meu sucesso é o de todos os que colaboram e colaboraram comigo. Ninguém consegue ser inteligente, poderoso ou prepotente o suficiente para construir sozinho uma empresa deste calibre", diz o homem que não resiste a ovos fritos com batatas fritas e chouriço. E cujo maior sonho seria ver um mundo sem fome.




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