Nuno Amado: "sou muito de contas"

O BCP foi um desafio maior do que estava à espera porque o contexto mudou radicalmente. O ano de 2017 ainda vai ser exigente mas caminha para a normalidade sobretudo em benefício dos seus trabalhadores e accionistas. Mas sem nunca perder o foco no cliente e na eficiência.
Nuno Amado: "sou muito de contas"
Nuno Amado admira o basquetebolista Michael Jordan, o ciclista Eddy Merckx e o alpinista Reinhold Messner.
Bruno Simão
Filipe S. Fernandes 26 de maio de 2017 às 15:06
A liderança do BCP foi "de longe" o período mais difícil da sua carreira, mas em 2012 quando aceitou o desafio proposto pelos principais accionistas do banco como a Sonangol, Atlântico e a EDP "não esperava esta mudança muito complexa como se viu pelos efeitos que teve na recomposição do sistema financeiro português" diz Nuno Amado, presidente da comissão executiva do BCP. Hoje já respira e espreita o que chama a normalização, depois de este período de excepção que exigiu medidas dolorosas aos trabalhadores e aos accionistas. A normalização salarial será em julho de 2017 e espera que poder regressar ao reconhecimento e à valorização dos recursos humanos.

Não esquece o apoio dos accionistas angolanos e dos portugueses, e espera "que possam recuperar parte do investimento que fizeram no passado", e do accionista chinês, Fosun, que teve um papel fundamental na normalização do banco e no pagamento final dos 3 mil milhões de empréstimo do Estado. "O BCP é um banco privado de matriz portuguesa mas com uma diversidade de accionistas entre portugueses, angolanos e chineses, que é uma mais valia do BCP" sublinha Nuno Amado, que a 14 de agosto faz 60 anos.

A união bancária à pressão

Quando em Fevereiro de 2012 Nuno Amado saiu da presidência executiva do Banco Santander em Portugal, acompanhado pelo CFO, Miguel Bragança, não imaginava que o contexto mudasse radicalmente. Na regulação, por exemplo, o centro passou de Lisboa, sede do banco de Portugal, para se repartir por Lisboa, Frankfurt, sede do BCE, e, por causa das ajudas de Estado, Bruxelas, onde está a Comissão Europeia. A união bancária foi implementada em finais de 2014 e de uma forma rápida embora incompleta e imperfeita. Para ilustrar o grau de dificuldades Nuno Amado explica que, quando fizeram plano em 2012, "para pedir os Cocos, a ajuda de Estado, os rácios de capital previam um capital mínimo de 8,5%, hoje 11% é a referência".

No BCP encontrou coisas boas e más. Estas foram piores do que estava à espera: "a concentração de riscos em termos de sectores, empresas, grupos era superior à que eu esperaria". Mas como na moeda há sempre outra face, neste caso a boa, em que estavam recursos humanos e uma base de clientes melhores do que pensava.

Foi jogador de basquetebol da Física de Torres Vedras, e no futebol torce pelo Torreense. Como base e capitão da equipa organizava o jogo da sua equipa. Talvez por isso a sua liderança, como diz, implique desgaste "porque tento fazer consensos na administração executiva". Acrescenta: "somos uma boa equipa, não ficamos segundos para ninguém, temos um bom projecto e um bom plano, que temos de o continuar a aplicar não obstante as dificuldades e as adversidades que ocorreram no sector financeiro português". Sempre com muito foco comercial no cliente e na eficiência.

Resistência e persistência

As suas referências são de resistência e de persistência. Há pessoas que aprecia no sector financeiro mas o que admira mesmo é os empresários que arriscam os seus capitais, criam valor e riqueza. Cita Churchill e Mandela mas é no desporto que Nuno Amado faz a sua caderneta de cromos em que constam o Michael Jordan no basquetebol, o maior desportista na sua opinião, Eddy Merckx, o ciclista, e um alpinista, Reinhold Messner, um italiano que foi o primeiro homem a vencer o Evereste sem oxigénio.

"Resistência, bom senso com preparação e trabalho são as características que eu penso de um líder da banca deve ter. Enfrenta grandes dificuldades e muitas vezes pode estar perto do drama mas não seria bom para um filme" diz Nuno Amado, um cinéfilo desde os tempos de estudante no ISCTE em 1975/1980. Gosta de pintura, música, viagens e das ondas do mar, sobretudo em Santa Cruz, onde mergulha seja de Inverno ou de Verão. Até aos 30 anos, fez bodysurf e chegou a fracturar uma clavícula com o impacto de uma onda.

"Tenho algumas certezas mas tenho muitas dúvidas em relação a muitos temas. Quem decide erra e portanto faço erros mas não se podem fazer erros tão grandes para colocar em causa o bem que se faz". Mas não teme a tomada de decisões embora tenha consciência da solidão que é ser número um. Diz que se tem de pensar sempre em alternativas. Mas não quer castelos no ar. "Sou muito de contas. Se forem coisas que têm pouca medição tenho maior dificuldade em analisar e aceitar".

perfil

Nuno Amado

Licenciado em Organização e Gestão de Empresas pelo Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).
Percurso profissional:
1980-1985 KPMG
1985-1990 Citibank
1990-1992 Banco Fonsecas & Burnay
1993-1997 Deustche Bank como administrador
1997-2012 Grupo Santander e a partir de 2006 como líder em Portugal e gestor de topo no Banco Santander Central Hispano
2012-2017 BCP como presidente da comissão executiva.






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