A seguradora do futuro

Será uma seguradora cada vez mais sustentada em recursos tecnológicos que irão, assumir as funções dos recursos físicos.
Filipe S. Fernandes 26 de abril de 2018 às 10:54
Nuno Ferreira
Head of research da i2S

A seguradora do futuro investirá muito mais na prevenção do que na protecção pós-sinistro. Os seguros actuais de massas vão ser substituídos por outros adequados às necessidades e comportamentos específicos de cada pessoa, ajudados pelo manancial de informação existente e à disposição das seguradoras.

A seguradora do futuro terá a capacidade de mensurar riscos, gerar cotações e emitir apólices "tailor made" num espaço de poucos minutos. Conhecerá muito melhor o seu cliente, fará uso dos IoT para recolher mais dados de forma consentida, estará ao seu lado e não no fim da linha.

Investirá na proximidade, mais em serviços do que em pagamentos. Provavelmente, o cliente nem saberá que tem seguro, porque este será uma protecção embebida na sua vida diária, nos equipamentos que usa e que é accionada sem que ele se aperceba. A seguradora do futuro será não apenas a fornecedora de um seguro, será uma consultora dos seus clientes em parceria com a sua rede de agentes e mediadores.

Há um grande potencial na utilização da tecnologia blockchain para os seguros, desde a desmaterialização e automatização das transacções até ao potencial facilitador de requisitos legais, como por exemplo, o RGPD. Nuno Ferreira
Head of research da i2S

A seguradora do futuro irá não só personalizar o que oferece, mas também onde e quando o faz. Será uma seguradora capaz de servir os seus clientes onde eles estejam presentes e às horas que pretenderem, com a maior rapidez e comodidade. Será, por isso, uma empresa obviamente digital e com uma experiência omnicanal.

Haverá também novos riscos para segurar como as ciber-ameaças, as perdas de identidades digitais, os problemas com os sistemas autónomos.

A seguradora do futuro irá readaptar-se, fazer parcerias e repensar a sua oferta, tendo em conta as tendências actuais de economia partilhada, como a Uber, Airbnb ou serviços de carsharing, e as tendências futuras como os carros autónomos, o que implica repensar o conceito de ownership da responsabilidade.

As relações entre os consumidores e as seguradoras estarão sustentadas, essencialmente, em smartphones e wearables, que têm utilidade na perspectiva do consumidor mas também na monitorização dos riscos pelas seguradoras. 

Com base nos depoimentos de Nuno Ferreira (i2S), Nuno Luis Sapateiro (PLMJ), Luís Cardoso e Bernardo Branco (Liberty Seguros) e Juan Mederos (Generali).

Os sinais de amanhã, hoje

 Mais de 50% das seguradoras inquiridas pela i2S assumem os sistemas analíticos como a tecnologia mais vantajosa nos seus negócios.

 A Liberty Seguros lançou a aplicação HitTheRoad!, que dá um score de 1 a 100 às viagens dos utilizadores, analisando critérios como a velocidade, agressividade, distracção, entre outros, e com prémios semanais em combustível BP aos condutores mais seguros.

 Empresas mundiais dos seguros como a Liberty e a Generali, entre outras, formaram o consórcio B3i (Blockchain Insurance Industry Initiative), que se transformou numa start-up que irá desenvolver, testar e comercializar soluções de blockchain para a indústria seguradora.

 A incubadora de inovação da Liberty, Solaria Labs, está a ser testada uma aplicação que, em caso de sinistro automóvel, através das fotografias feitas com o telemóvel, faz uma estimativa dos custos de reparação, depois da comparação com com milhares de fotografias de sinistros passados já fechados.