Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 09 de fevereiro de 2017 às 20:40

A verdade, a mentira e a omissão 

Num mundo em que reina a pós-verdade, a mentira passou a ter um valor relativo. O primeiro-ministro garante que o ministro das Finanças não mentiu sobre o triste folhetim da contratação de António Domingues para a Caixa.

Mas toda a gente sabe e está provado à saciedade que Mário Centeno não contou a verdade.

 

Costuma-se dizer que o diabo está nos detalhes e da divulgação dos e-mails entre António Domingues e a equipa das Finanças há um pormenor que está a passar despercebido. Domingues, gestor do BPI, tratava da mudança da legislação dos gestores da Caixa com o seu escritório privativo de advogados e o mail de contacto era do BPI.

 

Por coisas menos importantes corre uma acção em tribunal do Benfica contra Jorge Jesus, por o agora treinador do Sporting ter entrado em negociações com o seu futuro clube enquanto treinava o rival.

 

No auge da polémica sobre a declaração de rendimentos na Caixa, o ministro das Finanças sempre omitiu o acordo firmado com a equipa de António Domingues sobre a isenção concedida. Um acordo que estava longe de ser secreto, era quase um segredo de polichinelo, porque se percebia que António Domingues só estava disposto a ir para a Caixa com um salário compatível e isento da entrega de declarações de rendimentos e património, porque não lhe apetecia que os seus negócios particulares fossem escrutinados em praça pública e era uma grande chatice ver a casa ou o barco fotografados num jornal.

 

António Domingues acautelou-se com advogados para ir para a Caixa Geral de Depósitos, mudou a lei e aceitou um acordo com o Governo. Cometeu um erro primário, acreditou que os acordos com governantes são letra de lei. Quando a reacção pública ao segredo de rendimentos se tornou muito forte, o Governo esqueceu o acordo e deixou cair a gestão da Caixa.

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

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