Tomás Ambrósio
Tomás Ambrósio 13 de fevereiro de 2018 às 20:15

O céu já não é o limite: a democratização da exploração espacial 

Atualmente, há poucos setores que não possam ser alvo de disrupção. Estagnada há décadas, a indústria espacial está a ter um crescimento de outro planeta.

No entanto, ao contrário dos anteriores progressos no panorama espacial, levados a cabo exclusivamente por agências governamentais, é o setor privado que se está a afirmar como fonte de inovação.

 

Explorar o espaço está cada vez mais fácil, rápido e barato. Novas tecnologias e empresas estão a expandir o mercado, deixando uma marca na história da exploração espacial e criando um novo universo para o setor militar, comercial e científico.

 

A recente evolução é estratosférica. Atualmente, o custo de lançar um satélite diminuiu para menos de 10% do preço a pagar há apenas cinco anos. À medida que as barreiras à entrada decrescem, as indústrias aeroespacial e de defesa alargam a sua linha de negócio, enquanto as operadoras de satélites comerciais são ameaçadas por alternativas "low-cost". Entretanto, "start-ups" e "venture capitalists" estão a entrar na corrida da exploração espacial, pretendendo conquistar parte de uma indústria cuja receita poderá triplicar de 350 mil milhões de dólares em 2016 para 1,1 biliões em 2040.

 

Fundada por Elon Musk, a pioneira SpaceX foi a primeira empresa privada a lançar, orbitar e recuperar uma nave espacial. Como já nos habituou, o visionário não tem ambições pequenas, tendo como objetivo colonizar Marte. Espera mesmo pôr os primeiros humanos no Planeta Vermelho já em 2024 e disse que "gostaria de morrer em Marte. Apenas que não fosse no impacto." É caso para dizer que seria um pequeno passo para o Homem, mas um salto gigante para a humanidade. Mas Musk não está sozinho. Jeff Bezos está a financiar a empresa de foguetões "Blue Origin", ambicionando construir fábricas no espaço e retirar minérios de asteroides. O também bilionário Richard Branson lançou a "Virgin Galactic" com o objetivo de levar turistas ao espaço.

 

Ainda assim, não estamos perante um combate entre setor público e privado, já que a NASA é um dos principais clientes da SpaceX. Após a corrida espacial impulsionada pela Guerra Fria, o financiamento à agência americana diminuiu, retirando-lhe capacidade de inovação. Até hoje, menos de 600 pessoas estiveram no espaço e nas últimas cinco décadas as entidades governamentais não têm feito progressos expressivos.

 

O que nos tem impedido de intensificar a exploração do espaço? O custo astronómico. Mas isso está a mudar. O desenvolvimento de "rockets" reutilizáveis, a produção em massa de satélites e a maturação da tecnologia trazem oportunidades ilimitadas. No futuro, parcerias público-privadas de novas estações espaciais criarão uma nova área de desenvolvimento económico. Na Terra, veículos impulsionados por "rockets" permitirão que pessoas e bens percorram longas distâncias em minutos. Comunicação de banda larga barata será possível a partir de qualquer ponto do planeta (e acima dele) e a precisão da geolocalização aumentará, permitindo o transporte via drone ou carros autónomos, à medida que a "Internet of Things" se torna uma realidade.

 

Ainda assim, há que ter os pés bem assentes na terra. A exploração espacial acarreta também riscos para a humanidade, já que o escalar de tensões geopolíticas tem levado ao aumento da militarização do espaço e uma guerra espacial pode deixar de ser ficção de cinema.

 

Membro do Nova Investment Club

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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