José Paulo Esperança
José Paulo Esperança 22 de junho de 2014 às 19:56

O futuro da banca

O recurso a tecnologia mais eficiente e abrangente pode permitir aos bancos alargar a sua influência e recuperar quota de mercado de alguns desses rivais e demonstrar que são instituições sólidas e fundamentais à recuperação económica.

 

De 18 a 20 de junho realizou-se na ISCTE Business School (IBS), em Lisboa, a IFABS 2014, uma das mais importantes conferências de finanças e banca, cuja organização está a cargo da IBS, conjuntamente com a University of Leicester, Cass Business School e University of Molise, que vem debater o tema da competição, regulação e reforma no futuro da banca global.

 

O local e a data deste evento dificilmente podiam ser mais oportunos. Portugal acaba de registar a sua "saída limpa" de um severo programa de resgate em que a crise bancária global, com origem na falência do Lehman Brothers teve um forte papel detonador. Também decorre poucos dias depois de o Banco Central Europeu ter anunciado a descida da taxa diretora para um nível historicamente baixo de 0,15% e de injetar 400 mil milhões de euros no sistema bancário, num esforço de afastamento do espectro da deflação e de promoção do crescimento. 

 

Estas medidas de política monetária visam contrariar o clima pessimista que levou os bancos a inverter uma política de crédito fácil, muitas vezes com uma avaliação muito superficial do risco e da capacidade dos devedores de fornecer garantias reais, para uma brusca travagem do crédito a empresas e particulares. Particularmente grave foi a quase paragem do crédito interbancário levando a que o sistema bancário enfrentasse limitações no acesso a financiamento com restrições e subida vertiginosa dos custos que só encontrou paralelo na crise da dívida soberana dos estados. 

 

Portugal também constitui um caso de estudo pelo elevado nível da dívida total - estado, empresas, famílias e setor financeiro - embora cada uma destas dívidas específicas seja superada noutras economias. Em consequência, tornamo-nos uma boa escola de quadros no setor financeiro com alguns dos mais reconhecidos gestores, pela recuperação de bancos em dificuldades, dentro e fora do país.

 

O desencadear da crise financeira é frequentemente associada ao modelo de incentivos dos gestores que lhes permite obter elevadas compensações financeiras, quando os lucros crescem e as ações se valorizam, através de opções e outros mecanismos que premeiam o sucesso mas não penalizam o insucesso, levando os gestores a correr riscos excessivos para os seus acionistas e dado o peso dos grandes bancos, a gerar uma crise sistémica de consequências devastadoras. Não surpreende pois que o tema da governação empresarial e da remuneração de gestores, em particular, esteja entre os mais abordados na conferência, a par de uma análise das implicações de produtos financeiros exóticos, com destaque para os "swaps" de risco de crédito (CDS) e as "collateralized debt obligations" (CDO) que tiveram um impacto sistémico no sistema financeiro mundial. 

 

Para além dos mais de trezentos artigos académicos presentes na conferência, duas intervenções de oradores convidados foram particularmente relevantes para se antever o futuro do sistema bancário e o seu papel de intermediário entre poupança e investimento. O CEO do Millennium, Nuno Amado, fez uma análise detalhada da conjuntura, porventura mais exigente do mercado bancário e da sua regulação bem como da necessidade da banca de se concentrar no seu negócio central e adotar modelos de eficiência interna. Jonathan Rosenthal, editor de banca internacional do Economist traçou uma panorâmica dos desafios que a tecnologia, particularmente os novos meios de comunicação e de armazenamento da informação, trazem aos bancos e aos seus potenciais novos concorrentes. A questão da proximidade entre balcões e clientes pode tornar-se menos relevante quando se disseminar a realização de pagamentos e depósitos através dos telemóveis ou da internet. No entanto, e apesar de enfrentar a concorrência de novos operadores que migram para o sistema financeiro, os bancos possuem ainda um vasto segmento da população mundial que não utiliza serviços bancários. Mais de mil milhões de pessoas no mundo estão nesta circunstância, a maioria nos países menos desenvolvidos. No entanto, mesmo nos EUA alguns censos sugerem que cerca de 25% das famílias está excluída do sistema bancário ou usa-o muito raramente. Por outro lado uma percentagem significativa usa serviços de crédito não convencionais. O recurso a tecnologia mais eficiente e abrangente pode permitir aos bancos alargar a sua influência e recuperar quota de mercado de alguns desses rivais e demonstrar que são instituições sólidas e fundamentais à recuperação económica.

 

Professor de Finanças da ISCTE Business School e no INDEG-IUL ISCTE Executive Education

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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mais votado Anónimo 23.06.2014

Blá Blá Blá,...
Novidades ?
Soluções para evitar BPN´s, BPP´s, BCP´s, BPI´s, BES´s, Banif´s etc.... ?

Corrupção aldrabões falta de fiscalização/regulação recursos tecnológicos justiça acobardada = sistema financeiro português.

o resto é poesia para encher chouriços a académicos.

comentários mais recentes
pieliate Há 3 semanas

VALERIE, eu me pergunto por que os outros dizem do senhor pieliate Gouver-vincent que ele nd indesejável ajudá-los? Eles têm tente contatar? Você encontra todas as condições de oferta de empréstimo? Me apresentei minha candidatura, depois de você te me recomendado e tem me servido após um estudo aprofundado da minha situação. Outros podem contactá-lo, fornecendo todas as informações possíveis e acredito que como nós eles serão servidos. Eu proíbo de compartilhar a soma que meu concedidas, mas sabe que pode pedir até 500.000 euros. Para aqueles que estão realmente precisando de um crédito de um indivíduo, explicar sua situação para este email: pieliategouver@gmail.com e eu acho que você terá um empréstimo dele se talvez você merece.

Anónimo 23.06.2014

Blá Blá Blá,...
Novidades ?
Soluções para evitar BPN´s, BPP´s, BCP´s, BPI´s, BES´s, Banif´s etc.... ?

Corrupção aldrabões falta de fiscalização/regulação recursos tecnológicos justiça acobardada = sistema financeiro português.

o resto é poesia para encher chouriços a académicos.

surpreso1 22.06.2014

A banca tem de avançar ,com coragem ,para soluções tecnológicas modernas,que os meios temo-los..Embora ,grande parte da nossa sociedade ainda não esteja preparada

Anónimo 22.06.2014

Deixemos o passado e fale-se do futuro:a "banca do futuro",ela ja existe:vaguei-em pelo norte da Europa que vao encontra-la.