Edson Athayde
Edson Athayde 17 de julho de 2017 às 21:08

Longe é um lugar que não existe

Se foi jovem na década de 80, é grande a possibilidade de ter esbarrado nalgum livro de Richard Bach, escritor norte-americano, espécie de Saint-Exupéry dos anos 70, também ele piloto de avião e dado a fábulas para adultos.

"Fernão Capelo Gaivota" e "Longe é um Lugar que Não Existe" são duas das suas obras mais conhecidas. Ambas apelam para o que há de bom nos nossos corações e ensinam que não há limites para quem se sente livre para voar.

 

Acho que li os livros de Richard Bach na altura certa. Não guardei muita coisa dos seus escritos. Sei que fiquei com um grande alto na testa, após tentar atravessar a parede do meu quarto; Richard defendia que com a força da mente seríamos capazes de fazer tudo. Afinal, não somos.

 

Lembro sempre de Fernão Capelo Gaivota (que, para quem não sabe, era uma gaivota mesmo) quando entrevisto um publicitário da Geração Y, os famosos "millennials".

 

Antes de qualquer coisa, que fique bem claro que não creio que uma determinada geração é melhor do que outra. Todas têm manias, defeitos e imperfeições. Todas tentam consertar coisas que não estão partidas e rasgam ainda mais conceitos que já estavam rotos. Todas também criam coisas novas maravilhosas, recuperam bons valores antigos e tentam ser felizes do jeito que dá.

 

Dito isto, o busílis da questão tem que ver com a difícil convivência profissional entre quem é da Geração X e os mais novos. Estamos a falar de mundos contraditórios entre si, de água e azeite no que toca à ética profissional.

 

O "millennial" não acredita no trabalho como um fim, nem sequer o valoriza por aí mais além enquanto meio. O trabalho, ou melhor, o emprego é um mal (discutivelmente) necessário, uma invenção arcaica, uma perda de tempo, a vida não merece ser passada num escritório.

 

O "millennial" não acredita em hierarquias. Estranha quando é repreendido. Abandona a empresa ou até a carreira se não se julga devidamente valorizado.

 

Nós, da Geração X, ficamos horrorizados com tais comportamentos. Reagimos mal e tentamos usar com os miúdos os remédios (amargos) que nos deram quando mais novos. Dá quase sempre errado.

 

Há quem pense que os "millennials" são apenas um "target" de consumo. Ledo engano. São muito mais do que isto. São uma tribo vasta e que, em breve, estará no poder (na verdade, muitos já estão).

 

Acredite, aquele puto arrogante que finge que trabalha ao seu lado um dia será o seu patrão.

 

Nem adianta fugir para longe. Até porque longe não existe, certo?

 

Ou como diria o meu Tio Olavo, citando Oscar Wilde: "Não sou jovem o suficiente para saber tudo."

 

Publicitário e Storyteller

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Anónimo 19.07.2017

Que passa?? Será que a cofina deseja adquirir um canal TV do estado? Que eu saiba é o segundo geringonceiro a escrever aqui no negócios...Que passa? Os tentaculos do actual poder já chegam as empresas privadas? Estranho este senhor não estar a trabalhar na ONU, muito estranho, será que pertence a equipa do PM e por isso não pode estar em NY?

Anónimo 17.07.2017

Banqueiros de retalho e geringonceiros anarco-sindicalistas do compadrio resgate-dependente, não tenho rendimentos ou património para sustentar as vossas vidas vividas acima das vossas possibilidades. Desinchem s'il vous plaît. "We will gradually enter a time where having a lifetime employment based on tasks that are not justified will be less and less sustainable - we're actually already there." - Emmanuel Macron www.msn.com/en-gb/video/other/french-civil-servants-no-more-jobs-for-life/vi-AAeGlDD

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