Eduardo Cintra Torres
Eduardo Cintra Torres 19 de Setembro de 2013 às 00:01

[528.] Desinformação em torno do Colégio Militar

Fazer um vídeo a gozar, não solicitado (?) pelo cliente, e sugerir uma ligação dos Antigos Alunos a uma iniciativa gay são métodos rascas e desinformativos impróprios de publicitários e de agentes de "comunicação".

O anúncio publicitário da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar (AAACM) teve tal repercussão que os próprios responsáveis pelo anterior anúncio do governo promovendo a fusão dos estabelecimentos militares de ensino intervieram em força, com outros meios.


Critiquei os dois anúncios, o do Ministério e o da AAACM na semana passada: em Julho, o MDN usou a publicidade comercial na TV para promover como facto consumado a fusão do Colégio Militar e dos institutos de Odivelas e dos Pupilos do Exército. O reclame centrava-se nas personalidades históricas que lá passaram, evitando singularizar cada escola. Em Agosto, a AAACM ripostou com um anúncio de TV centrado na defesa da instituição como guardiã duma tradição e de valores e na interrogação, por personalidades que passaram no colégio, do porquê da intenção do Ministério de desvirtuar a escola na fusão. O anúncio foi inesperado, pois não é hábito a sociedade civil recorrer à publicidade comercial em TV para se fazer ouvir, reunir apoio e pressionar o poder. Logo se questionou a origem do dinheiro para pagar a campanha, o que não sucedeu com a utilização de dinheiro público para pagar a campanha anterior do Ministério. Essa "dúvida", característica da desinformação, obrigou a AAACM a esclarecer que resultava duma recolha de fundos junto da sua própria comunidade.

A desinformação precisou de ir mais longe. Entrou em cena a agência de "comunicação" Next Power, à qual se atribui a autoria da campanha de Julho do Ministério (http://www.dinheirovivo.pt/Buzz/Artigo/CIECO271693.html). Pedi confirmação da autoria do anúncio ao Ministério da Defesa, que não respondeu à minha pergunta; mas obtive-a de outras fontes. A Next Power interveio inopinadamente, pois não é comum os publicitários agirem em nome próprio nas causas dos clientes, sendo norma ficarem na retaguarda, dando a primazia aos clientes.

A Next Power fez um vídeo gozando com o anúncio da AAACM; pô-lo no Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=097 ifC2Ei2g) e publicitou-o no seu site no Facebook. Nele imitam a sequência de "porquês" do anúncio da Associação, para sugerir que os antigos alunos não querem mulheres no Colégio, o que não constava do anúncio da AAACM. Rodrigo Moita de Deus, responsável da agência, foi mais longe. No seu blogue, aproveitou a estadia de um cruzeiro gay em Lisboa para escrever o seguinte: "Pensei que fosse mais [uma] acção de protesto da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar" (http://31daarmada. blogs.sapo.pt/6068275.html).

Estes actos da Next Power estão tipificados nos métodos das operações concretas de desinformação, como a inversão dos factos, a mistura verdadeiro-falso e a modificação do motivo, métodos sumarizados no capítulo "Como funciona", na Pequena História da Desinformação, de V. Volkoff (Ed. Notícias, 2000).

A Next Power é uma agência inspirada por Luís Paixão Martins, proprietário da LPM, que precisava de penetrar na direita política. Ele estava, há cerca de cinco anos, totalmente identificado com José Sócrates, de quem foi um dos inventores e principais beneficiários no universo concorrencial das agências de "comunicação". Vendo que o governo Sócrates cairia, foi criada a Next Power, que, como o nome indica, pretendia obter negócio no "poder seguinte", o do PSD. Para isso, usou como "front man" Moita de Deus, identificado com o PSD. Controlando a Next Power, Paixão Martins pôde assim abrir uma janela de oportunidade na alternância do bloco central do PS para o PSD.

Mesmo que não se aprecie estes meandros dos negócios próximos da política, eles são aparentemente legais. Todavia, a acção concertada de desinformação da Next Power e de Moita de Deus neste caso ultrapassam os limites da ética e da decência em comunicação. Fazer um vídeo a gozar, não solicitado (?) pelo cliente, e sugerir uma ligação dos Antigos Alunos a uma iniciativa gay são métodos rascas e desinformativos impróprios de publicitários e de agentes de "comunicação". Infelizmente, passam ignorados e impunes nos media que, se ontem dependiam dos anunciantes, hoje dependem também destas agências de "comunicação" que encharcam as redacções de contactos, convites aliciantes e "notícias" para encher os on-lines e o papel.

A sua opinião8
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
mais votado Anónimo 19.09.2013

Acho que as pessoas se deviam informar antes de comentar. É claro que há uma grande diferença entre ser um ministro - um alto funcionário do Estado - a promover a descredibilização dos Antigos Alunos, e um anúncio que estes pagaram do seu bolso em defesa de uma instituição a quem estão reconhecidos. Em relação aos custos do CM, já foram apresentadas propostas ao ministro que reduziriam o custo por aluno abaixo da média nacional. Este só está interessado em deixar o seu nome nalgum sítio, para não se dizer que não fez nada. Mas, por uma vez, encontrou portugueses que não amocham facilmente.

comentários mais recentes
asCeta6dwcac Há 1 semana

http://genericlevaquin.date/ - levaquin 750 mg http://buymethotrexate.space/ - buy methotrexate http://tamoxifen-6.us/ - tamoxifen http://viagra-over-the-counter.cricket/ - viagra http://zithromaxonline.date/ - zithromax antibiotic http://augmentin-online.science/ - augmentin

asCetarhrddv Há 1 semana

http://buyazithromycin-1.top/ - buy azithromycin http://buyprednisolone.us/ - prednisolone http://lipitor-online.party/ - lipitor

asCetayzr7r0 Há 3 semanas

http://buy-lipitor.space/ - generic lipitor price http://ciprofloxacn.link/ - ciprofloxacn http://provera.red/ - buy provera online http://genericcymbalta.us/ - generic cymbalta online http://singulairmedicine.link/ - drug singulair http://buy-wellbutrin.gdn/ - buy wellbutrin

Anónimo 20.09.2013

As verdadeiras razões da "pseudo-reforma" começam a aparecer. Agora temos uma agência de comunicação que vive sistematicamente das amizade€s com ministros e presidentes de câmara e foi paga pelo Ministério da Defesa, com dinheiros públicos, para uma campanha na TV de desinformação que visava apagar o nome do Colégio Militar. Depois, gratuitamente ou não, vem fazer o trabalho sujo, contra aqueles que com honra e dedicação defendem o Colégio Militar. Onde já se viu uma escola destas não estar a dar dinheiro a ninguém? A gestão publico-privada que andam a cozinhar após a descaracterização do Colégio é bem real, como é o fabuloso destino que vai ser dado às instalações do Instituto de Odivelas. Há muito dinheiro a ganhar. Anda uma orla de "jotinhas" muito sedenta por aí. Mas lembrem-se que o Colégio que formou Humberto Delgado, entre muitos outros, não se vergará. Se afinal dizem que fazemos História, em breve vão passar à história.

ver mais comentários
pub
pub
pub