Isabel Stilwell
Isabel Stilwell 10 de julho de 2018 às 19:13

Há férias que saem muito caras

Só há uma estratégia para evitar que partilhar uma casa de férias com amigos redunde em desgraça - não ir!

Se é daqueles que caiu na esparrela de arrendar um apartamento de férias a meias com amigos, sobretudo se tiverem filhos, deve ler este artigo até ao fim, porque há negócios que saem muito caros. E quem diz amigos, diz irmãos, cunhados ou sogros, para o efeito a diferença não é muita e, a bem dizer, as consequências podem até ser bem piores, porque terá de os reencontrar pelo menos no próximo Natal. 

 

À primeira vista o plano parece perfeito, poupa-se na gasolina, no custo do arrendamento, nas refeições, é tudo a dividir, e as crianças, até têm os mesmos horários de praia e divertem-se mais se tiverem com quem brincar. Mas acredite, nunca uma "joint-venture" esteve tão condenada ao fracasso. Sinceramente, reconsidere se não vale a pena perder o sinal!

 

Certamente quando se lançou nesta empresa esqueceu-se de como já é difícil aturar a sua própria mulher/marido e filhos vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas, durante quinze dias - é a única explicação para a ingenuidade que acaba de cometer. Porque, na vida real, a galinha do vizinho pode ser bem pior do que a nossa, e o choque das férias com amigos tem forte probabilidade de se revelar mais brutal do que uma correção à matéria coletável do IRC de há três anos ou a falência do maior cliente.

 

As coisas podem começar a correr mal logo de início, quando afinal o compincha do futebol se revela um Bruno de Carvalho em potência, a precisar de ser o centro das atenções em cada minuto. Ou talvez lhe calhe em sorte uma daquelas pessoas que imagina que as férias devem ser preenchidas a cronómetro, e seringa o juízo a toda a gente para estar na praia às 9 da manhã ou, se possível pior, uma daquelas fadas do lar que se aflige com dez grãos de areia deixados na banheira.

 

E se não for isso, é a mania dos grelhados, ou a dieta vegan, o gosto pelos copos, ou a falta dele, os pratos acumulados no lava-loiças, ou a insistência de que sejam previamente lavados, acredite, o que não falta são pontos de atrito.

 

Mas nenhuma destas questões tem o poder demolidor daquelas que dizem respeito às crianças. Até podem alegadamente ter estudado pelo mesmo manual de educação, mas a maneira como aplicam a matéria dada tem tantas nuances que a margem de conflito é infinita. À quinta vez que o menino lhe arranca das mãos o telemóvel sem pedir licença, grita e esbofeteia a mãe porque não quer ir para a cama, se "esquece" de dizer "obrigada" ou "se faz favor", ou é repreendido pelos devotos progenitores a toda a hora por não o fazer, os juros desta expedição sobem. 

 

Mas o barato vai começar a sair mesmo caro quando forem os outros a criticar os seus filhos. Ah pois é, pode passar o tempo a queixar-se das birras deles, a acusar a sua mulher/marido de os mimar demais, mas quando a sua melhor amiga, mãe ou sogra decidir tomar em mãos o assunto, o crash da bolsa vai parecer-lhe uma brincadeira. 

 

Caso já não haja volta a dar, é hoje o dia de pedir ao chefe que o requisite nessas datas para uma missão urgente. Porque, convenhamos, por comparação o trabalho não é assim tão mau.

 

Jornalista

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