João Quadros
João Quadros 07 de julho de 2017 às 10:59

Às armas, às armas

Dá a sensação que este assalto ao paiol deu menos trabalho do que ir ao Ikea buscar uma cama. Tenho a teoria de que o assalto ao paiol foi feito por senhoras que vão à abertura das lojas da Primark.
Assaltaram o paiol de Tancos e levaram diverso e mortífero armamento. A primeira pergunta que me apetece fazer é: as armas têm seguro? Não digo seguro contra terceiros, porque fazia pouco sentido, mas seguro anti-roubo. Dava jeito.

Nos últimos tempos, descobrimos que os alarmes em Portugal não funcionam em incêndios, nem em fuga de capitais, paióis e bancos. Só no raio do carro do meu vizinho às duas da manhã! É preciso ter azar.

No meio desta cegada toda sobre o assalto, há uma coisa que me faz muita confusão. Ver tropas especiais a queixarem-se que foram roubadas é o mesmo que ver escuteiros lixados porque ninguém lhes montou a tenda. Quando eu fui à tropa, se deixasse gamar a G3 ("a minha namorada"), estava totalmente tramado. Ainda hoje andava lá a limpar sanitas.

Custa a acreditar que Tancos, dos pára-quedistas e elite, tem segurança privada. E se calhar também tem uma senhora com uma vassoura porque eles têm medo de ratos. Dá para imaginar o seguinte diálogo:

Pára-quedista: - pareceu-me ouvir um ruído lá fora, comando...

Comando: - Não foi nada. Dorme sossegado o teu soninho. Temos os senhores da Securitas a zelar por nós.

Se é assim, em termos de segurança, acho melhor fazer de Tancos um condomínio fechado. Porque dá a sensação que este assalto ao paiol deu menos trabalho do que ir ao Ikea buscar uma cama. Tenho a teoria de que o assalto ao paiol foi feito por senhoras que vão à abertura das lojas da Primark. Aposto que a PJ vai dizer que o buraco na rede do paiol de Tancos foi feito por raio de trovoada seca.

Com o PM de férias, foi o ministro dos Negócios Estrangeiros que tomou as rédeas do caso e, pela cara do Santos Silva, dir-se-ia que quem gamou as armas foram os filhos do embaixador do Iraque. Por momentos, tive receio que Augusto Santos Silva dissesse que o Ministério da Defesa parece uma feira de gado.

Entretanto, Marcelo foi a Tancos fazer como o Poirot. O chamado CSI Marcelo. Foi investigar os roubos. A esta hora, o PR está a tirar moldes dos rastos dos pneus. Mas ainda bem que Marcelo foi lá para investigar. Se calhar, se o nosso PR tem ido para Tancos dar abraços e beijos, então é que seria o fim da virilidade da nossa tropa. Já basta terem deixado roubar as armas. Ainda tínhamos de ver Marcelo agarrado a um pára-quedista a dizer, soluçando:

"Fiquei sem nada. Levaram-me a antiaérea, o lança rockets, até a minha granada favorita". Depois as três televisões uniam-se para um espectáculo - Todos juntos outra vez - com música heavy metal para reunir dinheiro para ajudar Tancos.

Dê lá por onde der, o caso é grave. Ainda hoje, no Chiado, tentaram vender-me um lança-granadas de louro prensado. Mas, no fundo, o que é que se pode esperar de um país que incentiva a estas coisas no hino: "às armas, às armas". Se fosse "às drogas", era uma bronca.

Estou tão farto deste Verão e ainda agora começou. De agora em diante, para ficar mais descansado, eu acabava com os eucaliptos e com os paióis.

top 5

Saldos em Tancos

1. Rui Gomes da Silva nega ter assinado contrato de bruxaria - estava possuído.

2. Morreu Medina Carreira - Deus levou o Beleza e agora o Medina deve estar em apuros orçamentais. Espero que a seguir chame a troika.

3. Veículo com casal octogenário invade escadaria de igreja em Caminha - estiveram na Líbia aquando dos 50 anos de casados.

4. Cristas exige que o PM volte de férias - a diferença entre Passos e Costa é que as pessoas desejam que o segundo volte de férias.

5. "Estudo demonstra que as pessoas que têm pensamento positivo vivem mais sete anos e meio do que as que não têm" - as outras pessoas é que vivem menos por terem de aturar pessoas com pensamento positivo.



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mais votado Anónimo 07.07.2017

Para salvar o excedentarismo de carreira ou "a dignificação" da alocação vitalícia de factor produtivo trabalho sem qualquer procura e justificação no sector público o governo PS reduziu o investimento público em bens de capital necessários em áreas muito importantes com crescente procura e incontestável pertinência. Por isso, enquanto alguns portugueses têm uma panóplia de exorbitantes e inusitados direitos adquiridos, outros portugueses têm agora direito ao crematório público como o de Pedrógão, a pagar o supermercado de armas de guerra para criminosos como o de Tancos e a ambulâncias do INEM paradas à noite por esse país fora... Que mais avanços "a pensar nas pessoas" estarão para chegar a Portugal devido à constituição socialista, à anacrónica lei laboral e ao sindicalismo troglodita? Viva a Frente Comum. Viva o socialismo lusitano e o fim da austeridade.

comentários mais recentes
Anónimo 10.07.2017

Na Finlândia, os sindicatos, as empresas e o governo sentaram-se a uma mesma mesa e concluíram o que sempre souberam ser a verdade, ou seja, que a riqueza, o elevado nível de vida e a criação de valor não se decretam. O que se decreta é que as forças de mercado, os avanços tecnológicos e os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos não podem ser postas em causa por motivações iníquas, injutificáveis e insustentáveis afectas a determinados grupos de interesse sindical ou corporativo. É o oposto da mentalidade portuguesa e grega: "the heart of the deal is that pay and employment costs will be determined by four factors: productivity, public sector sustainability, employment and competitiveness." yle.fi/uutiset/osasto/news/union_confederation_accepts_finnish_model/8736547

Anónimo 09.07.2017

Os países perdem sempre que são cegos para as forças de mercado feito de oferta e de procura. Em Portugal os perdedores já se vislumbram. Estavam em Pedrógão quando morreram e estarão em vários lugares ao mesmo tempo quando levarem uma morteirada também patrocinada pelo anarco-sindicalismo reinante.

Anónimo 09.07.2017

Depois das falências de municípios, algumas empresas industriais e instituições financeiras de renome nos Estados Unidos da América, a que se juntaram alguns resgates governamentais, motivadas pelo excedentarismo e a sobrecapacidade que eram o reflexo da excessiva rigidez atingida nos mercados de factores produtivos ligados a estes sectores, negócios e cidades nos Estados Unidos da América aprenderam a fazer mais com menos factor trabalho alocado. Este processo ainda não terminou. Continua a passo acelerado. Em Portugal e Grécia, pelo contrário, ainda nem começou. O excessivo peso do turismo e da administração pública nessas economias, a par dos baixos níveis de transparência, não ajudarão certamente. Mas algo terá que ser feito nesse sentido. O sentido do progresso que conduz à equidade, sustentabilidade e prosperidade. “Businesses and cities have learned to make do with fewer people.” https://blogs.wsj.com/economics/2013/10/23/u-s-cities-still-reeling-from-great-recession/

Anónimo 09.07.2017

a esquerdalha no poder não pode ser pior!...governo da propaganda para ganhar eleiçoes pensionistas e funcionàrios com aumentos o resto paga impostos investimento é tapa olho e agora que aparece os defeitos a culpa é dos outros é como a bancarrota o gerente é inocente o culpado é o burro do cliente

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