Jorge Marrão
Jorge Marrão 14 de junho de 2016 às 00:01

O socialismo da tragédia

O pingue-pongue noticioso entre Belém e S. Bento cada um à sua maneira preparando o amanhã das suas responsabilidades não augura nada de bom.

A FRASE...

 

"O país está paralisado e a ação política é à volta de questões que são secundárias ou supérfluas."

 

Vasco Pulido Valente, Expresso, 7 de Junho de 2016 

 

A ANÁLISE...

 

As elites estão a participar num jogo perverso. Assistem sentados em cadeiras almofadadas à tragédia económica (o país não cresce e não se livra da dívida com fintas noticiosas). Não denunciam convictamente o que se passa, mas convivem com a delação inconsequente.

 

A ideologia prevalecente do crescimento borregou. O recentrar no capitalismo (eufemisticamente economia de mercado), quer este seja selvagem, domado, espartilhado ou livre, será decisivo. Precisamos de capital, mas desprezamos os capitalistas. Precisamos de poupança, mas estimulamos o consumo. Precisamos de horas de trabalho, mas reduzimos o tempo de trabalho. Precisamos de produtividade, mas detestamos a flexibilidade. Precisamos de gerações mais novas a trabalhar, mas defendemos a antiguidade. Precisamos de sangue novo na decisão, mas recorremos a senadores, ou jovens envelhecidos que perpetuam os modelos gastos e falhados. Precisamos de um Estado leve, ágil e preparado, e sai-nos na rifa um Estado caro, anafado, e ignorante sobre o que fazer.

 

Os lusitanos dos Montes Hermínios, um povo em permanente tertúlia, à mesa do café têm inúmeras soluções possíveis. Nos órgãos de decisão, as soluções são confusas para mascarar a verdadeira realidade: o falhanço das políticas públicas para o crescimento. E a cada ciclo eleitoral renasce uma nova litania e novos arautos da mágica solução. O pingue-pongue noticioso entre Belém e S. Bento cada um à sua maneira preparando o amanhã das suas responsabilidades não augura nada de bom.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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