Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 03 de janeiro de 2016 às 20:46

Boas práticas na gestão da inovação

Apresentei, recentemente, uma comunicação sobre "Gestão da Inovação e Boas Práticas em Portugal" para uma plateia de 40 gestores de recursos humanos de empresas portuguesas, onde procurei desenvolver uma metodologia de análise e desfazer alguns equívocos sobre este tema, de grande actualidade e importância para a competitividade da economia nacional.

A conferência foi organizada em torno de quatro temas: a necessidade de inovar (why); os tipos de inovação (what); um modelo de gestão da inovação (how); as organizações inovadoras (where).

 

A resposta à primeira questão, "Porque é que as organizações têm de inovar?", é simples: porque a globalização o exige ou, mais concretamente, porque essa é a única maneira de ser competitivo num mercado global.

 

Não se inova porque é interessante ou está na moda. Inova-se por necessidade competitiva; aceitam-se os riscos e as dificuldades do processo de inovação para garantir a sobrevivência sadia da empresa.

 

Os tipos de inovação também são conhecidos: inovação incremental ou radical; nos produtos/serviços, nos processos, no posicionamento e no paradigma.

 

A inovação incremental faz parte do dia-a-dia da gestão das empresas. O que faz a diferença é a inovação radical.

 

Apesar do fascínio com que se acompanham as inovações nos produtos, as inovações mais importante para as empresas portuguesas situam-se no âmbito dos processos e do posicionamento.

 

As empresas inovadoras são estruturadas, organizadas e disciplinadas, pelo que adoptam modelos de gestão da inovação.

 

Todos os modelos incluem o chamado "pipeline" da inovação – pesquisa de ideias inovadoras; selecção; implementação; captura de valor e dois patamares de enquadramento deste processo: estratégia e cultura para a inovação.

 

No âmbito da estratégia, as empresas inovadoras adoptam modelos de inovação aberta e estratégias de diferenciação, melhorando a sua capacidade competitiva em mercados exigentes e muito competitivos.

 

A cultura para a inovação contempla um conjunto alargado de variáveis, desde a gestão dos talentos, a aprendizagem através dos erros e a formação tecnológica e comportamental.

 

A conclusão deste processo analítico conduz-nos às organizações inovadoras que apresentam um conjunto de características de que se destacam: uma visão partilhada, liderança e vontade de inovar; estrutura apropriada; pessoas-chave; trabalho em equipa efectivo; desenvolvimento individual contínuo e esforçado; comunicação extensiva; alto envolvimento na inovação; focus externo; e, clima criativo.

 

No topo da organização inovadora, situam-se as "learning organizations" – com altos níveis de envolvimento, interno e externo, na experimentação proactiva, na detecção e resolução de problemas, comunicação, partilha de experiências e captura e disseminação de conhecimentos.

 

O nosso país tem um número muito reduzido de organizações inovadoras com dimensão adequada, o que justifica o baixo nível de inovação radical, com a consequente baixa de produtividade e de competitividade nos mercados externos.

 

As "start-ups" de base tecnológica, sinónimo de algum empreendedorismo nacional não fazem mexer o ponteiro da competitividade do nosso aparelho produtivo.

 

Os modelos de reindustrialização propostos tardam a ser implementados.

 

Uma grande empresa emblemática na área da inovação tecnológica está em desagregação.  

 

O investimento estrangeiro com incorporação tecnológica continua a não surgir.

 

Não estou especialmente optimista em relação ao nosso futuro próximo.

 

Espero que os 40 gestores de recursos humanos que assistiram à conferência desenvolvam nas suas empresas, processos e culturas para a inovação que comecem a alterar esta situação.

 

Professor Associado Convidado do ISCTE

pub