Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 03 de abril de 2016 às 21:20

Cooperação universidade-empresas

A ligação das universidades às empresas deve constituir uma prioridade nacional, no desígnio da criação de postos de trabalho diferenciados, mais especializados e com maiores competências.

A minha escola, o ISCTE, acaba de assinar dois protocolos com duas empresas internacionais de consultoria, em que asseguram estágios remunerados, com a possibilidade de integração nos quadros das empresas, aos melhores alunos das disciplinas, da área de Gestão, que coordeno, "Projecto Empresarial" e "Gestão da Inovação e da Tecnologia".

 

Este modelo, de cooperação universidade-empresas, tem imensas virtualidades:

 

- Permite a integração de jovens licenciados, duma forma empenhada e estruturada, assegurando uma carreira profissional suportada no incremento constante do conhecimento;

 

- Premeia a excelência, tornando claro que os alunos com melhores classificações (os protocolos exigem uma classificação mínima de 15 valores nas disciplinas referidas) detêm, certamente, mais conhecimento e capacidade de trabalho, e que, por conseguinte, o esforço associado a um estudo mais aprofundado é compensado;

 

- Apoia a eventual continuação dos estudos, em mestrados específicos, também no ISCTE, dos jovens quadros que tiverem melhores performances no exercício da actividade de consultoria, premiando, uma vez mais o esforço e o estudo aplicado;

 

- Reconhece a importância da integração de conhecimentos, avaliação teórica e aplicacional e trabalho em grupo, que caracterizam as disciplinas, objecto destes protocolos.

 

A ligação das universidades às empresas deve constituir uma prioridade nacional, no desígnio da criação de postos de trabalho diferenciados, mais especializados e com maiores competências, que permitam a evolução da nossa estrutura produtiva para produtos e serviços de alto valor acrescentado, capazes de competirem nos mercados internacionais mais exigentes.

 

Mas, os modelos de cooperação têm de privilegiar o conhecimento detalhado dos alunos, a sua capacidade de organização, o seu esforço na aprendizagem sustentada e a sua integração em equipas multidisciplinares, variáveis que são objecto de avaliação através de trabalhos, individuais e em grupo, relatórios integrados, estudos de caso e exames.

 

O facilitismo, no ensino, com a eliminação de todos estes modelos de avaliação, é devastador para os objectivos de crescimento do nosso país, através de unidades diferenciadas, que permitam remunerações europeias para os nossos quadros.

 

A mensagem de que os exames e as avaliações são nocivas e desnecessárias é destruidora de todo o processo estruturado de aprendizagem e do prémio pelo esforço envolvido.

 

É importante não esquecer, que a avaliação dos quadros é uma constante na vida das empresas.

 

Nas empresas de consultoria que assinaram estes protocolos, a evolução na carreira é sempre precedida de um processo complexo e permanente de avaliação, que contempla variáveis qualitativas e quantitativas.

 

Mas o processo de avaliação não é só interno.

 

Todos nós, quadros empresariais, em qualquer patamar da nossa carreira, somos permanentemente avaliados, pelos nossos clientes e fornecedores, ameaçados pelos concorrentes, vigiados pelos financiadores e a prestar contas aos nossos accionistas.

 

Esconder estes factos dos nossos alunos é prestar um mau serviço à nossa universidade, ao sistema de ensino português e ao nosso país.

 

Por todo este conjunto de razões, considero muito positivos estes dois protocolos que tenho vindo a referir.

 

E a satisfação visível nos rostos dos nossos alunos, quando as empresas se apresentaram e referiram as expectativas que tinham em relação aos protocolos assinados, constitui a maior remuneração que um professor pode ter.

 

Professor Associado Convidado do ISCTE 

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