Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 06 de março de 2016 às 18:30

Corporate governance - uma prioridade para as empresas portuguesas

Está a decorrer, em Lisboa, um "Programa Avançado para Administradores Não-Executivos", organizado pelo IPCG - Instituto Português de Corporate Governance.

Este programa, leccionado por professores universitários, das universidades portuguesas de gestão, de referência, todos com experiência de gestão, como administradores executivos e não-executivos, abrange todas as matérias relevantes, cujo conhecimento é indispensável, para que se cumpram os objectivos dos Códigos de Corporate Governance.

 

Estes códigos, adoptados nos países desenvolvidos, com empresas sofisticadas e dimensionadas para actuarem nos mercados globais, vêm-se tornando cada vez mais exigentes e detalhados, sendo unânimes na referência à importância e responsabilidades crescentes dos administradores não-executivos.

 

De facto, são estes membros do conselho de administração que devem presidir às comissões de auditoria, de risco e compliance e de nomeações e remunerações, exercendo funções de acompanhamento, supervisão e fiscalização das comissões executivas, pugnando pela observância da ética e da responsabilidade social e acautelando a defesa dos interesses dos accionistas e demais "stakeholders" da empresa.

 

Não há nenhum fundo de investimento internacional que, actualmente, invista de uma forma significativa, com uma participação relevante, numa empresa, sem uma auditoria rigorosa ao seu modelo de corporate governance.

 

A adopção das melhores práticas de corporate governance constitui, assim, uma prioridade para as empresas portuguesas.

 

Os objectivos deste programa organizado pelo IPCG referem todas estas preocupações:

 

- "Dotar os actuais e futuros administradores não-executivos das ferramentas teóricas e conhecimentos, que lhes permitam executar, com eficácia e responsabilidade, as suas funções";

 

- "Explicitar a importância e o conjunto de responsabilidades associadas à participação dos administradores não-executivos nas comissões de especialização do conselho de administração".

 

Mas, além destes aspectos tangíveis, há um conjunto de variáveis intangíveis associadas a este tipo de acções de formação e informação.

 

A reflexão e discussão em torno dos temas mais relevantes da gestão de organizações complexas e a análise de alguns casos mediáticos, cuja não observância dos princípios de corporate governance, conduziram a uma significativa destruição de valor, na empresa e no país, aumentam a consciência sobre a necessidade de adopção de princípios e comportamentos eticamente irrepreensíveis.

 

A atracção de investimento estrangeiro é absolutamente crucial para o crescimento da economia portuguesa, a melhoria da sua competitividade internacional, o aumento das exportações de alto valor acrescentado e a criação de emprego diferenciado.

 

O reforço dos capitais das empresas portuguesas, por investidores estrangeiros, em parceria com empresários nacionais, aumentando a sua dimensão e afirmação nos mercados globais, só se concretizará com a adopção de procedimentos adequados de corporate governance, nessas empresas e com a existência, em Portugal, de um meio envolvente que favoreça e premeie estes comportamentos.

 

Embora meritória, esta acção do IPCG é insuficiente para se cumprir este desiderato.

 

Enquanto não se criar na sociedade portuguesa a convicção da importância e urgência deste tipo de intervenção, não existirão condições para um efectivo desenvolvimento e crescimento sadio da actividade empresarial.

 

Professor Associado Convidado do ISCTE

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comentários mais recentes
Maria Valentina Umer 07.03.2016

O sistema salazarista, com o qual cresci e despesei, nunca foi por Corporate Gorvernance. Foi sempre um sistema de compadres, de tachos para os amigos, de favores para clans poderosos. Entao, voceh quer dizer que uma coferencia vai mudar tudo? Tenha juízo. Portugal permanece corrupto.

Maria Valentina Umer 07.03.2016

Como leio há 4-5 anos, as universidades portuguesas dao diplomas e doutoramentos por fax -- e quem sabe com que outros métodos sem rigor académico -- aos politicos portugueses (caso Relvas, Portas, Coellho). Tal é uma prostituiciao do ensino superior. Escreva sobre tais escandalos!

Maria Valentina Umer 07.03.2016

Call ML Albuquerque and his (presumaby) partner by the same name, the one who is now Governor of Madeira, to explain their brand of Corporate Governance! Now, if these corrupt types were speakers at such a conference, ready to answer questions from the audience, I would travel to Lisbon.

Maria Valentina Umer 07.03.2016

Os resultados (texto em inteiro) de tal palestra deveria ser publicada no JN sob a rubrica Resultados de Palestras sobre Corporate Governance (data e local, participantes locutores, e audiencia). That would be professional! De resto, nao acredito nestas sessoes!

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