Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 03 de setembro de 2017 às 20:45

Indústria 4.0 e tecnologias da mobilidade

Os conceitos de "fábricas inteligentes" e de "cidades inteligentes" têm vindo a ser desenvolvidos em detalhe, no âmbito da Indústria 4.0, especificando e detalhando as tecnologias aplicáveis.

Neste processo disruptivo, assistiremos, no curto prazo, a uma alteração significativa do paradigma da "mobilidade", com a utilização corrente de um conjunto de tecnologias disponíveis.

 

De facto, a Indústria 4.0, um conceito que nasceu na Alemanha e pretende vir a ser a 4.ª revolução industrial, surge por via da maturidade de um conjunto alargado de tecnologias, de que se destacam a robótica avançada e inteligência artificial, a realidade aumentada, sensores inteligentes, "cloud computing", captura e análise de "big data" e algoritmos avançados, detecção de fraude e autenticação, impressoras 3D, interfaces homem-máquina, a Internet das Coisas e as tecnologias de detecção e localização.

 

Este conjunto de tecnologias irá permitir a construção de plataformas que usam algoritmos para direccionar veículos a motor, tais como, ferramentas de navegação, aplicações de partilha de condução, serviços de entrega e veículos autónomos e a integração de todos estes elementos numa cadeia de valor global, interoperável, partilhada por várias empresas em vários países.

 

Portugal não pode perder a oportunidade de integrar este processo de evolução tecnológica.

 

Funcionando em sistemas distribuídos, a escala assume menor relevância, pelo que o nosso país estará em igualdade de circunstâncias com outros países, com idêntico nível de desenvolvimento tecnológico.

 

Com esta aproximação, propusemos, recentemente, numa conferência que organizámos na Ordem dos Engenheiros, no âmbito da Comissão de Especialização em Engenharia e Gestão Industrial, de que sou coordenador, um conjunto de acções, focadas em áreas preferenciais de desenvolvimento tecnológico do país, em que se insere a "mobilidade", nomeadamente:

 

- Incentivar o desenvolvimento de projectos-piloto sectoriais e de protótipos;

 

- Criar um conselho consultivo para apreciação de candidaturas a incentivos, no âmbito da Indústria 4.0, integrando as universidades e as empresas;

 

- Concentrar os incentivos em três áreas sectoriais, sendo uma delas a das tecnologias eléctricas e da mobilidade. Aprofundar, nesta área, o de-senvolvimento das tecnologias das baterias, células fotovoltaicas, sensores inteligentes, materiais, novos motores, software de condução autónoma, e algoritmos de inteligência artificial;

 

- Fomentar o aparecimento de start-ups de base tecnológica nesta área do conhecimento;

 

- Aproveitar algum do investimento público, na área dos transportes, para testar este tipo de tecnologias, que poderão posteriormente, ser exportadas.

 

A base instalada de conhecimento, nesta área, no nosso país, é já muito prometedora.

 

Se conseguirmos aumentar a nossa capacidade tecnológica, poderemos vir a representar um papel muito significativo, nesta área, a nível europeu.

 

Gestor de empresas

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