Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 05 de julho de 2015 às 19:58

O mistério dos centros de congressos

Todos os estudos realizados sobre a estratégia para o setor do turismo, em Portugal, desde os trabalhos de Michael Porter, nos anos 90, apontam para as potencialidades do país na atração de congressos internacionais.

Acresce que, os estudos também mostram que, nos congressos internacionais profissionais, existem cada vez mais golfistas, que aproveitam as suas participações nos congressos, para conhecerem e experimentarem novos campos de golfe, setor onde Portugal fez grandes investimentos no passado recente e onde dispõe de uma oferta variada, de qualidade e disponível para aceitar novos clientes.

 

Um centro para congressos internacionais, com capacidade para receber congressos de 3000 participantes, com capacidade de "cattering" rápido e eficiente, áreas de exposição temáticas e sessões simultâneas, exige uma infraestrutura com 10 a 15000 m2 de construção acima do solo, com um investimento da ordem dos 20 a 30 milhões de euros, incluindo os estacionamentos e arranjos exteriores. Não pode ser confundido com as salas para congressos dos hotéis, com áreas máximas de 1000 m2, nem com os famosos pavilhões polivalentes que os nossos autarcas construíram às centenas, por todo o país!

 

Tendo em atenção todos estes estudos, coincidentes nas suas conclusões, seria de esperar que Portugal, à semelhança de Espanha, o nosso maior concorrente neste setor, tivesse um número considerável de centros de congressos de dimensão internacional.

 

Qual é, no entanto, a nossa realidade?

 

• O país dispõe, unicamente, de dois centros de congressos com as características atrás descritas, um em Lisboa, na Junqueira e outro, na região de influência do Grande Porto, o Europarque, em Sta Maria da Feira.

 

• Em ambos os casos, estas infraestruturas são propriedade de associações empresariais, que as gerem numa ótica de maximização do resultado, que lhes permite fazer face aos seus custos de estrutura e serviço da dívida, e não de maximização da sua taxa de ocupação.

 

• Por essa razão, as estratégias de marketing e de pricing são diferentes das utilizadas por outros centros de congressos concorrentes, em particular os de Barcelona, para os quais Lisboa perde frequentemente os grandes congressos internacionais profissionais. O Europarque, por seu lado, por força da sua localização, exige uma estratégia de marketing e de pricing muito mais agressiva.

 

• Não existe nenhum centro de congressos de dimensão internacional, no Algarve, que se mantém, ano após ano, com uma das maiores taxas de sazonalidade das regiões mediterrânicas. Com o desenvolvimento previsto para Vilamoura, único local onde faz sentido construir este centro de congressos, corre-se o risco de não existir, no futuro próximo, um terreno disponível para a sua implantação.

 

• Em Oeiras, está há mais de dois anos, parada a meio, a obra de construção de um centro de congressos de dimensão internacional, que permitiria aumentar a capacidade competitiva da Grande Lisboa e serviria toda a área turística da linha Lisboa-Cascais. Nenhuma entidade ligada ao turismo manifestou a mínima preocupação por este facto, nem promoveu nenhuma tentativa para a sua resolução.

 

Vai iniciar-se, em breve, uma nova legislatura, com um novo governo para o país.

 

É minha convicção que nos próximos quatro anos nada se fará para alterar esta situação, como nada se fez nos últimos 20 anos.

 

Um verdadeiro mistério! 

 

Prof. Associado Convidado do ISCTE Business School

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Anónimo 06.07.2015

Este Luis Todo Bom tambem nao esteve a frente da PT? a uns anos atras? Gosto de ver profs a falar de coisas mas quando fazem uma "comissao" de servico, esquecem rapidamente o que dizem e fazem o contrario

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