Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 01 de agosto de 2016 às 00:01

Os engenheiros no desenvolvimento económico do país

O que se espera dos nossos governantes não é que recomendem a emigração dos nossos engenheiros para Inglaterra, ou Alemanha, mas sim que promovam a atracção de empresas  alemãs e inglesas para investirem em Portugal.

Tendo atingido as designações de topo na minha Ordem Profissional, como engenheiro conselheiro e membro da Academia de Engenharia, decidi que era meu dever aceitar uma maior intervenção naquela instituição, tendo acedido a coordenar a Comissão de Especialização em Engenharia e Gestão Industrial, a que pertenço, como engenheiro especialista.

 

O nosso programa de actividades de intervenção é simples e pode resumir-se numa frase: "O papel dos engenheiros no desenvolvimento económico do país."

 

O nosso país não tem engenheiros a mais.

 

O que tem é indústria e serviços tecnológicos e de engenharia a menos!

 

E também não tem, infelizmente, os nossos melhores engenheiros nas instituições públicas, responsáveis pelo investimento e pelo desenvolvimento empresarial.

 

O que se espera dos nossos governantes não é que recomendem a emigração dos nossos engenheiros para Inglaterra, ou Alemanha, mas sim que promovam a atracção de empresas  alemãs e inglesas para investirem em Portugal.

 

País que dispõe de um corpo único de engenheiros, tecnicamente bem preparados, intelectualmente actualizados, e com um custo muito inferior ao praticado nos seus respectivos países.

 

Mesmo a eventual existência, conjuntural no tempo, de um excesso de engenheiros de uma determinada especialidade, em função da procura interna, não constitui um problema intransponível.

 

Todos os cursos de Engenharia têm um ramo comum de Matemática, Física e Química, distinguindo-se as diferentes especialidades pelo aprofundamento de alguns capítulos destas áreas e a sua aplicação a projectos concretos.

 

Assim sendo, a requalificação de engenheiros para especialidades diferentes das originais é possível e rápida, além das novas potencialidades que se abrem na convergência entre a engenharia e a gestão, em que a especialização em engenharia e gestão industrial é um caso paradigmático.

 

As universidades portuguesas de engenharia e gestão estão completamente preparadas para este processo de ajustamento, com níveis de qualidade de âmbito europeu.

 

O processo de reindustrialização com tecnologias e sistemas de informação do século XXI, e o desenvolvimento de serviços de engenharia e de tecnologia, não é possível sem a participação e o envolvimento activo dos engenheiros.

 

A utilização das melhores tecnologias disponíveis, nas nossas empresas, e a sua customização em projectos e unidades industriais específicas exigem uma intervenção aprofundada da engenharia portuguesa.

 

O mesmo se passa em relação à integração das nossas empresas em projectos europeus com alta incorporação tecnológica.

 

E só será possível melhorar a especialização da economia portuguesa, remunerar melhor quem trabalha, reduzir o desemprego e evoluir para sectores com maior valor acrescentado e maior incorporação de tecnologia, por esta via.

 

Com os engenheiros portugueses!

 

Este é um combate que vale a pena travar!

 

Professor Associado Convidado do ISCTE

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