Luís Todo Bom
Luís Todo Bom 06 de agosto de 2017 às 20:45

Resiliência para os riscos empresariais

As empresas actuais, em particular as que actuam em ares de tecnologia intensiva, são confrontadas, permanentemente, com um conjunto de riscos, com impacto potencial na sua reputação, imagem de marca e sucesso de longo prazo.

Defeitos de fabrico, com recolha maciça de produtos, acidentes operacionais, suspeitas de corrupção ou tempestades financeiras podem pôr em causa a sobrevivência da empresa.

Para responder a esta nova realidade, as empresas devem desenvolver uma "cultura de resiliência" que possa prevenir as crises e proteger a reputação da empresa.

Devem, ainda, considerar que a gestão de risco da empresa não deve estar confinada aos respectivos departamentos de risco, mas devem percorrer, transversalmente, toda a organização.

Com base num extenso estudo de investigação, o Professor Keith Goffin, da Universidade de Cranfield, propõe uma ferramenta teórica, para lidar com este sistema de riscos que intitulou de "Sistema dos 5R":

- Radar de Risco – construir na empresa a capacidade para antecipar os problemas antes de adquirirem dimensões impossíveis de gerir.

Nesta antecipação de riscos, observando a realidade com diferentes perspectivas, a empresa pode não só antecipar os riscos, como descobrir novas oportunidades de negócio.

- Recursos e Activos – que devem ser tão diversificados quanto possível, criando a flexibilidade necessária para responder a incidentes ou circunstâncias adversas e aproveitar oportunidades.

- Redes e Relações Empresariais – que permitam um fluxo de informações constante e actualizado através de toda a organização, chegando rapidamente aos seus decisores funcionais.

- Resposta Rápida – de modo a garantir que um incidente não evolui para uma crise ou um desastre e que as pessoas e os processos retomam a normalidade o mais depressa possível.

- Rever e Adaptar – capacidade para aprender a partir da experiência e introduzir as alterações necessárias para prevenir incidentes futuros.

Cada incidente deve ser identificado, analisado e avaliado, assim como as melhorias propostas, com reflexos na estratégia, na táctica, nos processos e nas capacidades da empresa.

Neste modelo, estão sempre subjacentes, uma análise e decisão, simultâneas, sobre riscos e oportunidades, de melhoria e adaptação das várias áreas da empresa.

O modelo só garante a sua eficácia se a empresa actuar, simultaneamente, nos 5 R aqui referidos. A existência de duas ou três áreas de actuação não garante a previsão e antecipação de incidentes.

Esta situação é particularmente relevante para empresas que actuam nos mercados internacionais mais sofisticados, em que os riscos são elevados.       
                     

Tanto quanto conheço, da realidade empresarial nacional, poucas empresas têm esta cultura de resiliência para os riscos empresariais.

Mas é urgente que a construam para poderem manter a sua competitividade na economia global em que actuam.

 

Gestor de Empresas

 

 

 

 

 

A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub
pub
pub