Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 13 de setembro de 2017 às 19:49

Fomento à recuperação...

Não, infelizmente, não se trata do fomento à recuperação do investimento, mas antes da recuperação das carteiras de crédito do sector bancário.

A FRASE...

 

"Governo prepara-se para anunciar solução para os créditos problemáticos nos próximos dias. Veículo vai juntar dívidas em risco na CGD, BCP e Novo Banco."

 

Jornal Público, Cristina Ferreira, 7 de Setembro de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Ao sancionar a Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD) - vulgarmente conhecida como banco de fomento - como veículo para a recuperação do crédito em incumprimento dos bancos, o Governo e o Banco de Portugal dão um sinal errado de que, seguramente, comprometerá o futuro de uma instituição essencialmente vocacionada para apoiar o investimento empresarial e o crescimento económico.

 

A propalada adesão voluntária dos bancos a esta iniciativa e a viabilidade económica das empresas é uma falsa questão. Aliás, se os bancos quiserem alienar as carteiras de crédito de empresas viáveis, mas em desequilíbrio financeiro, é possível encontrar investidores interessados no negócio, nacionais e estrangeiros. Como qualquer transacção, em especial no sector financeiro, é tudo uma questão de preço, como os banqueiros o sabem bem. Como tal, o sucesso desta iniciativa está dependente das propostas que vierem a ser estruturadas pela IFD, as quais terão de ser necessariamente melhores (para os bancos) do que as que podem hoje ser encontradas num mercado altamente competitivo.

 

Outro reparo que a notícia suscita tem um carácter mais estrutural. A medida pode ditar o fim da IFD enquanto veículo de promoção do investimento, resolvendo falhas de mercado e estruturando soluções adequadas às necessidades de financiamento de empresas e negócios viáveis e que, pelas mais variadas razões, não encontram resposta em mercado competitivo. No passado, cometeram-se erros semelhantes. Todos estamos recordados da deriva vivida pelas sociedades de capital de risco, quando a sua finalidade foi desvirtuada e, também com o aval do Governo, se transformaram em instituições vocacionadas para a recuperação de empresas em dificuldades. Não obstante o risco de lhe ver colado o mesmo rótulo, esperemos que a IFD não perca o norte no fomento à recuperação... do investimento!

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
pub
pub
pub