Álvaro Nascimento
Álvaro Nascimento 20 de junho de 2017 às 00:01

Obrigado, Santander!

Por cá, compara-se com o Montepio e enaltece-se a capacidade de decisão dos reguladores espanhóis que, mais uma vez, dão prova de conseguir resolver os problemas num muito curto espaço de tempo.

A FRASE...

 

"Popular dá liderança de balcões ao Santander Totta."

 

Luís Villalobos, Público, 7 de Junho de 2017

 

A ANÁLISE...

 

A rápida aquisição do Banco Popular pelo Banco Santander, em Espanha, tem implicações e efeitos positivos para o sistema bancário em Portugal. A capacidade excedentária que ainda impende sobre o sector a nível europeu - e, em maior escala, a nível nacional - só se resolverá quando for reposto o equilíbrio fundamental entre a economia financeira e a economia real.

 

Por cá, compara-se com o Montepio e enaltece-se a capacidade de decisão dos reguladores espanhóis que, mais uma vez, dão prova de conseguir resolver os problemas num muito curto espaço de tempo. O que é verdade! Contudo, parece esquecer-se de que esta é, também, uma resposta empresarial estratégica que, para ser executada, necessita do poder de investir recursos próprios, coisa que em Portugal nenhuma instituição tem.

 

Na sua ausência, os equilíbrios de mercado são provisórios e precários. Os bancos procuram a sobrevivência, competindo numa lógica de custo variável, com preços apenas marginalmente superiores às despesas operacionais. Esperam que o capital fixo seja gradualmente desgastado e a capacidade produtiva, não sendo reposta, retome o seu equilíbrio natural com a procura, assegurando finalmente a sustentabilidade dos resistentes.

 

O processo é em tudo semelhante ao que se passa em qualquer outro sector industrial de bens transacionáveis. Concedo, entretanto, que aí o fenómeno suscita menos atenções mediáticas. Nada de novo nesta frente, então! Exceto nas lições que se podem retirar para o futuro.

 

O atual excesso da capacidade resulta não apenas da crise financeira, mas das causas que estiveram na sua origem: o aumento reprimido e disfarçado dos custos de intermediação. O reequilíbrio vai, pois, trazer preços mais altos para os serviços bancários, única forma de repor a rentabilidade normal do negócio. Resta, entretanto, saber como vão ser repartidos!

 

Ao absorver capacidade excedentária, o Santander contribui para a sustentabilidade do sistema financeiro. Não sem custos, é certo! Ao tornar-se concorrencialmente mais agressivo, desafia os bancos e o país para um duelo; para um novo equilíbrio de forças. A resposta tem, pois, de ser estratégica!

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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