Carlos Albuquerque
Carlos Albuquerque 24 de setembro de 2013 às 00:01

"War times, buying times"

Vivemos um tempo de dificuldades económicas, cujo fim tarda a surgir. Mas pode-se entender que Portugal voltará a crescer algures num tempo futuro.

A FRASE:

 

"A próxima tendência, em novembro ou dezembro, será a de investidores estrangeiros regressarem à Bolsa portuguesa, porque a economia está a recuperar e a Bolsa está barata."

Robert Parker, especialista de gestão de ativos do Crédit Suisse,  Expresso, 21 de setembro de 2013.

 

A ANÁLISE:

 

Não se entende se é simpatia ou análise fundamentada. Mas pode ser lido como opinião abalizada no domínio dos investimentos. Aparentemente o especialista analista acredita que a nossa economia está a recuperar. Aparentemente entende que as cotações das ações estão baixas. Consequentemente prevê que se assista a um regresso de investidores estrangeiros à nossa bolsa.

 

A bolsa portuguesa não tem expressão de relevo nas carteiras de investimento das casas internacionais. Porventura, não fará parte das alocações estratégicas, mas da sua componente mais especulativa. O ganho resulta, nesta parte das carteiras, do aproveitamento de oportunidades de ganho de curto prazo, aplicando-se critérios mais conjunturais, na decisão dos investimentos.

 

Vivemos um tempo de dificuldades económicas, cujo fim tarda a surgir. Mas pode-se entender que Portugal voltará a crescer algures num tempo futuro. Nesta altura, as empresas rejuvenescerão, o crédito fluirá, os resultados recuperarão e os dividendos regressarão a níveis mais favoráveis. Esse momento, será de crescimento das bolsas e de realização de ganhos nos investimentos anteriores. Mas, infelizmente, ninguém pode prever quando isso acontecerá.

 

É como numa guerra. Um jargão bolsista diz que tempos de guerra são tempos de investimento em ações. Mais tarde ou mais cedo, com a paz, os ganhos resultarão da reativação da economia. E é, nesta analogia de risco, que o Sr. Parker parece querer dizer "war times, buying times". 

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