Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 24 de setembro de 2013 às 00:01

A racionalidade dos culpados

Os défices orçamentais são gerados pelos dispositivos das políticas públicas que, por efeito da demografia, dos custos com a saúde e com a educação, mas também dos encargos financeiros, terão necessariamente despesas maiores no futuro do que tiveram no passado.

A FRASE:

"Ao longo de muitos anos, sobretudo nos mais recentes, o que mais sobrou a Portugal foi défice público e o que mais faltou a Portugal foi crescimento económico. Mais défice, assemelha-se a mais morfina: dói menos, mas morremos mais depressa."

Daniel Bessa, "Para grandes males…", Expresso, 21 de Setembro de 2013.

 

A ANÁLISE:


É compreensível que os grandes culpados procurem encontrar outros culpados para amenizar a sua pena ou, na melhor hipótese, para conseguir transferir a sua culpa para outros que, distraídos, não se apercebem da manobra a tempo de evitar ficarem enquadrados pelas câmaras e pelos holofotes. O que se passa com a investigação sobre os contratos de seguros de crédito é um exemplo dessa técnica, onde os responsáveis tentam escapar escondidos no meio de grupos de funcionários subordinados. O mesmo se vê quando os que aumentaram os défices orçamentais sem obterem crescimento económico aparecem agora, como se tivessem nascido hoje, a garantirem que obterão crescimento económico se os autorizarem a aumentar os défices orçamentais.

 

Os défices orçamentais são gerados pelos dispositivos das políticas públicas que, por efeito da demografia, dos custos com a saúde e com a educação, mas também dos encargos financeiros, terão necessariamente despesas maiores no futuro do que tiveram no passado. Ceteris paribus, o problema aumenta em vez de diminuir.

 

O corporativismo distributivo, que capturou a democracia portuguesa, não aceitará reconhecer que confundiu direitos atribuídos (promulgados em lei para satisfazer preferências e expectativas do eleitorado) com direitos adquiridos (que têm uma conta de exploração equilibrada entre receitas e despesas). É a transmutação do culpado em vítima. 

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mais votado A FARINHA E O MOLEIRO 24.09.2013

Comparando o artigo com os comentários ,temos uma fotografia perfeita do português. O artigo é irrepreensível e premonitório quando diz que , em Portugal" há uma tendência para que o culpado acabe por sair como vítima" e citando o célebre caso dos swaps, exemplifica com o caso da funcionária que é crucificada, mesmo tendo acima dela uma estrutura hierárquica que aprovou o que ela escreveu . O Dr. Joaquim Aguiar previu certamente que com o seu artigo iria acontecer o mesmo e a melhor prova são os comentários abaixo expressos. Não interessa que as despesas sejam superiores às receitas , o que interessa são as despesas partidárias , as acusações nunca fundamentadas e interesses que nada tem a ver com o povo , as políticas eleitoralistas , etc. o que traduzido noutros termos significa que a única despesa possível de cortar é aquela nebulosa mas nunca fundamentada que é feita nas costas do povo. Mas não é o povo que elege os que agora acusa de gastarem e só acusa quando pressente que os direitos considerados como adquiridos , porque para ele não há direitos atribuídos, irão ser afectados ? Para o povo, a receita é clara - cortar na despesa , sim, mas beliscar os direitos adquiridos , não !

comentários mais recentes
JPereira 25.09.2013

O que os jornalistas deviam perguntar, logo no inicio, quando começam a entrevistar esta gente era:
1º Qual o seu rendimento anual.
2º Com quanto contribuiam, pela actividade que desempenham, para o PIB do país.
Os jornalistas também não querem isto, porque sabem que o desemprego era uma possibilidade, já que não teriam ninguém para entrevistar, porque estes parasitas não teriam coragem para responder a estas perguntas.

Portugal o 33º país Mais corrupto do MUNDO, em 176 lugares.Em 308 caciques nem 1 na Cadeia?Na Grécia , um apanhou prisão PERPÉTUA! Viva! 24.09.2013

Os CACIQUES dos 308 Municípios que têm dividas acumuladas de 10 mil milhões de € das suas(Próprias) Empresas Municipais não são culpados dos défices , porque podem ter Roubado , MAS A OBRA ESTÁ FEITA.Se houver responsabilidade Criminal, é dos Funcionários menores incompetentes, servilistas, CORRUPTOS. O Monstro Estado está capturado pelos poderes FÁCTICOS. Para que serve o Tribunal de Contas, a quem os 308 CACIQUES não prestam CONTAS? Para que servem ao Peixe Graúdo os Tribunais Comuns? Para que servem as Instituições Públicas onde os seus Dirigentes Máximos apodrecem décadas, contaminados por Vícios Corruptores da eficiência do Monstro. Monstro que este Governo alimenta com o o CORTE de 10% nas pensões, pós AUTÁRQUICAS. Portugal o 33º país mais CORRUPTO do Mundo , em 176! E a culpa é do corporativismo distributivo?Ou de quem não mexeu nas 130 PPPs, nos BPNs, nos SWAPs?
É ver os DINOSSAUROS que este Governo apoia no fartar Vilanagem? Este Governo está contaminado pela doutrina RELVAS ! Os Votantes que produzem Riqueza, têm que Votar contra o ROUBO, que os Políticos de Poder, continuam a fazer ao país que CRESCE, mas em dívidas.

BURROEU? 24.09.2013

SR DR,
JÁ VIU QUE JÁ NINGUÉM LHE PASSA BILHETE?
ESTÁ NA ALTURA DE SE DEDICAR Á PESCA!

A FARINHA E O MOLEIRO 24.09.2013

Comparando o artigo com os comentários ,temos uma fotografia perfeita do português. O artigo é irrepreensível e premonitório quando diz que , em Portugal" há uma tendência para que o culpado acabe por sair como vítima" e citando o célebre caso dos swaps, exemplifica com o caso da funcionária que é crucificada, mesmo tendo acima dela uma estrutura hierárquica que aprovou o que ela escreveu . O Dr. Joaquim Aguiar previu certamente que com o seu artigo iria acontecer o mesmo e a melhor prova são os comentários abaixo expressos. Não interessa que as despesas sejam superiores às receitas , o que interessa são as despesas partidárias , as acusações nunca fundamentadas e interesses que nada tem a ver com o povo , as políticas eleitoralistas , etc. o que traduzido noutros termos significa que a única despesa possível de cortar é aquela nebulosa mas nunca fundamentada que é feita nas costas do povo. Mas não é o povo que elege os que agora acusa de gastarem e só acusa quando pressente que os direitos considerados como adquiridos , porque para ele não há direitos atribuídos, irão ser afectados ? Para o povo, a receita é clara - cortar na despesa , sim, mas beliscar os direitos adquiridos , não !

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