Joaquim Aguiar
Joaquim Aguiar 20 de junho de 2017 às 00:01

O poder da política e a lei

O que se discute nos tribunais são trocos irrelevantes quando comparados com o custo efectivo dos erros do poder da política no desenvolvimento da sociedade e na modernização da economia.

A FRASE...

 

"O que sei é que o primeiro-ministro e o ministro das Finanças precisavam de ter um controlo mais fino do sistema financeiro para fazerem a colocação da dívida pública."

 

Jorge Jardim Gonçalves, Público, 3 de Junho de 2017

 

A ANÁLISE...

 

Quem fica a olhar para o dedo do sábio nunca vai descobrir o que ele queria mostrar-lhe. Quem ficar à espera das provas apresentadas em tribunal e da sentença com trânsito em julgado nunca vai compreender que o juízo sobre a responsabilidade política não se define em função do que está escrito na lei. Haverá sempre quem invoque que é permitido tudo o que a lei não proíbe, o que os isentaria de responderem pela sua responsabilidade política. Haverá sempre políticos que escrevem as leis como se fossem decoradores de palácios: ao colocarem os tapetes encarnados nos corredores, escondem os alçapões por onde farão escapar os que querem salvar das acusações.

 

Mais importante do que o tardio juízo dos tribunais é a análise que foi feita na conjuntura em que os acontecimentos ocorreram. Nesses tempos, não se procuravam provas, mas apenas encontrar explicação para o que não fazia sentido. Não se olhava para o dedo, mas sim para onde ele apontava. Quando, anos depois, os protagonistas desses acontecimentos enigmáticos descrevem o que viram, o que então não fazia sentido revela-se em toda a sua evidência.

 

O depoimento de Jorge Jardim Gonçalves não fará prova em tribunal para sentenciar o modo como os políticos exerceram o seu poder. Mas é o dedo que aponta para o escândalo da destruição de capital que resultou das interferências políticas no sector bancário, cujas imparidades nos seus balanços se devem somar à dívida pública criada pelas despesas do Estado que excedem as receitas fiscais extraídas dos rendimentos dos particulares e das empresas, e que se devem adicionar ao que já tinha sido a destruição de valor com as nacionalizações e com a perda dos activos na descolonização.

 

O que se discute nos tribunais são trocos irrelevantes quando comparados com o custo efectivo dos erros do poder da política no desenvolvimento da sociedade e na modernização da economia.

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
FVV Há 1 semana

Olha lá? Ò Jaquim.
Tu não tens vergonha de com essa provecta idade, ainda falares à parva?
Isto é muito grave! Então vens idolatrar o maior CAPONE português da Banca?
Quanto é que esse malandro te pagou por esta baforada, pestilenta e nauseabunda?
Um copo de três? Tens mesmo cara de bacante.

Anónimo Há 1 semana

Este artigo diz uma ou outra coisa de verdade, claro, mas é perfeitamente disparatado ...

Que coisa tão mal escrita, tão mal explicada, e a tese central (de que os políticos é que, de forma mais ou menos directa, são os principais responsáveis pelos escândalos bancários) estapafúrdia.

O BCP, como muitos outros bancos, teve uma política de crédito incrívelmente insensata, para não dizer pior.

Mas de certeza que alguém há-de achar este artigo, muito inteligente!

Descobrem pérolas onde só existe vidro de má qualidade ...