Miguel Varela
Miguel Varela 12 de setembro de 2018 às 20:27

Ensino superior: que tendências de evolução?

O número de candidatos registado na 1.ª fase do concurso nacional de acesso foi inferior ao registado no ano passado. Para 2018/2019 candidataram-se 49.624 estudantes face aos 52.580, em 2017/2018.

Este valor não tem relação direta com o grau de dificuldade dos exames nacionais, mas sim com a redução de alunos verificada no 12.º ano, que passou, em igual período, de 90.467 para 87.765.

 

Uma ressalva especial merece a taxa de natalidade no ano 2000 (alunos que completam 18 anos de idade em 2018, maioria dos candidatos ao ensino superior) que foi a mais elevada dos últimos 20 anos. Ainda assim, o número de candidatos baixou, tendência que se deverá continuar a verificar, com especial agravamento a partir do ano de 2024.

 

No entanto, apesar de mais de 56,5% dos alunos do 12.º ano serem candidatos ao ensino superior, o número de colocados na 1.ª fase desceu pela primeira vez nos últimos cinco anos. Foram colocados 89,1% dos candidatos, mas em número absoluto representa 43.992 colocações, ou seja, menos 922 colocados face a 2017/2018. Ainda assim, sobram mais de 7.000 vagas no ensino superior público, para a segunda fase do concurso. Praticamente metade das colocações referem-se aos cursos de engenharias, ciências empresariais e saúde, em linha com o número de vagas. Continuam a existir muitos cursos sem alunos ou com menos de cinco colocados na oferta do ensino superior público em várias universidades e politécnicos. Um destaque especial também para o facto de Lisboa, Porto e Coimbra acolherem mais de 30% do total dos candidatos, mesmo apesar da redução de vagas nas instituições de ensino superior de Lisboa e Porto.

 

O número de estudantes internacionais, que têm estatuto próprio, deverá ultrapassar os 5.500 (acréscimo superior a 20% face a 2017), muito em especial devido ao crescente número de estudantes de nacionalidade brasileira a optar por estudar em Portugal. Ainda que se mantenha esta tendência de grande crescimento, dificilmente poderá compensar a quebra de estudantes portugueses, devido às quebras de natalidade que irão afetar os próximos anos, obrigando a redefinição da rede e dos subsistemas de ensino superior, público e privado, universitário e politécnico.

 

Director do ISG - Business& Economics School

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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