Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 30 de agosto de 2018 às 10:30

A preocupação com o ambiente só interessa se baixar custos? 

Muitos parabéns à Sonae Sierra, que obteve a medalha de prata na categoria "Inovação do Ano na Indústria da Energia" na 15.ª edição anual dos International Business Awards®.

A base do prémio foi o seu "Programa Bright - Melhorar a pegada de carbono no mercado imobiliário" que permitiu reduzir o seu consumo energético em 10%, poupando 2.3 milhões de euros de custos em 2017, apenas com um investimento de 1.8 milhões de euros.

 

Gostaria de referir que é difícil conseguir poupanças de energia adicionais significativas sem mudanças culturais. Por um lado, sem que os consumidores percebam que para contribuir para um melhor ambiente poderão ter de perder conforto ou outros benefícios. Por outro lado, sem que as empresas aceitem que para contribuir para um melhor ambiente poderão ter de fazer investimentos e nalguns casos perder dinheiro.

 

As empresas facilmente estão dispostas a contribuir para a melhoria do ambiente se isso lhes permitir em simultâneo uma redução de custos (o velho exemplo de o cliente não mudar as toalhas dos hotéis todos os dias para poupar o ambiente, mas também os custos dos hotéis). Mas nos casos contrários que implicam mais investimentos e/ou custos, como fazer então a "quadratura do círculo"? Apenas com uma boa campanha de marketing? Ou seja, as empresas só contribuem para um melhor ambiente se os potenciais clientes percecionarem isso como uma componente positiva da imagem da empresa, e por essa razão se tornarem clientes ou clientes mais leais da empresa? Neste caso, o programa faz bem ao referir a redução da pegada de carbono e não a redução de custos.

 

Por muito que custe a alguns, as empresas devem ter em conta os seus "stakeholders" mas não têm um objetivo filantrópico, pelo que como empresas, consumidores e sociedade temos de nos esforçar por alinhar os interesses de todos na direção de um melhor ambiente, provavelmente implicando que todos teremos de perder um pouco nalguns aspetos, mas ganharmos mais noutros. Um "acordo tácito" baseado numa abordagem em que todos ganham mais do que perdem ("win-win") tem sempre maior probabilidade de sobrevivência no médio-longo prazo.

 

Gestor e Docente Universitário

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico 

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