Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 08 de maio de 2018 às 20:34

António Horta Osório, em cheio no alvo

Em relação ao "software" das pessoas, pouco se tem feito em relação à sua saúde mental. Horta Osório decidiu mudar isso no Lloyds, tornando a saúde mental um aspeto relevante a tomar em conta.

Num artigo escrito no The Guardian, Horta Osório aborda um tema cada vez mais relevante e que muitos tentam "atirar para debaixo do tapete".

 

Nas empresas, é habitual que os gestores prestem atenção não só ao hardware (parte física) mas também ao software (parte "cerebral") dos computadores e equipamentos "afins", procurando que ambos estejam bem, de modo a que esses equipamentos possam ter o máximo de produtividade no seu desempenho, para benefício das empresas.

 

Contudo, em muitas situações já não pensam deste modo em relação aos seus trabalhadores. Embora tenham havido claras melhorias na atenção à parte física ("hardware") das pessoas, ainda há muito por fazer. Um tapete de rato com apoio para o punho, o ecrã do computador à altura correta, cadeiras que permitam uma postura adequada, são fatores básicos para o bem estar físico que certas empresas descuram.

 

Mas em relação ao "software" das pessoas, pouco se tem feito em relação à sua saúde mental. Horta Osório decidiu mudar isso no Lloyds, tornando a saúde mental um aspeto relevante a tomar em conta pela gestão do banco, com iniciativas como aumentar a cobertura do seguro de saúde dos trabalhadores, de modo a que a saúde mental e saúde física tenham o mesmo nível de atenção, ou com programas de acompanhamento dos trabalhadores.

 

Creio que, contudo, o mais difícil será conseguir que a mentalidade das empresas em relação à saúde mental se altere e se deixe de olhar para essas questões como algo relacionado com os "fracos" e de que se deva ocultar de todos.

 

Relembre-se que Horta Osório, um dos grandes gestores portugueses, teve em 2011 uma experiência de "extrema exaustão" devido à sua enorme dedicação, carga de trabalho e stress quando já era presidente do Lloyds, obrigando-o a estar "de baixa" durante várias semanas. Horta Osório diz que tornou a saúde mental um foco do banco, em resultado desta sua experiência pessoal. Será que enquanto os presidentes das empresas não passarem por situações semelhantes não irão dar muita importância à saúde mental dos seus trabalhadores? Acredito que não…

 

Parabéns pela excelente iniciativa, António!

 

Gestor e docente convidado do ISCTE-IUL

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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