Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 05 de junho de 2018 às 20:45

"Guerras civis" em Portugal

O ambiente de crispação pode levar a que as partes reequacionem as suas posições e posturas e que as melhorem para o bem geral de todos, mas também tem o risco de se poder extremar demasiado as posições e levar a ruturas com custos demasiado altos…

Nos últimos tempos, temos vivido um ambiente de crispação em vários campos.

 

Um dos mais mediáticos é a "guerra civil" no Sporting, em que a manutenção do conselho diretivo do clube tem levado a um extremar de posições e à criação de um ambiente de guerra civil entre adeptos do mesmo. Quem é contra Bruno de Carvalho, quem quer a demissão do conselho diretivo para assegurar um esclarecer da situação, e quem é a favor de Bruno de Carvalho, assim como os que apoiam os jogadores, e os que ameaçam os jogadores que queiram rescindir contrato, entre outros. Infelizmente, receio que a situação irá ainda prolongar-se…

 

Há poucos dias, tivemos o debate sobre a eutanásia. Também aqui houve certas discussões extremadas, em que alguns chegaram a tentar fazer os apoiantes da opinião oposta aparecerem como vilões, gerando também um ambiente de "guerra civil". Neste caso, a boa notícia é que aparentemente todos se consciencializaram que o tema irá ser mais bem analisado e apenas voltará a ser debatido em sede do parlamento eventualmente na próxima legislatura, pelo que esta "guerra civil" hibernou…

 

Agora, temos novamente a negociação do Governo com os sindicatos sobre compensação dos anos de congelamento de carreiras. Expressões como a de Mário Nogueira, líder da Fenprof, de que "o tempo dos compromissos acabou" e a do ministro da Educação de que "não houve nenhum tipo de abertura" do lado dos sindicatos também dão a entender que as posições se estão a extremar…

 

Além disso, temos tido recentemente outras negociações entre o Governo/Estado e vários sindicatos de diversos setores, com sintomas de extremar de posições por falta de entendimento entre as partes, nomeadamente manifestações e greves. Como exemplo, temos os transportes (greve da CP desta segunda-feira), os médicos, os enfermeiros, e outros trabalhadores da saúde, polícias e militares, funcionários do SEF, entre outros...

 

O ambiente de crispação pode levar a que as partes reequacionem as suas posições e posturas e que as melhorem para o bem geral de todos, mas também tem o risco de se poder extremar demasiado as posições e levar a ruturas com custos demasiado altos…

 

O bom senso e o desejo do bem do país no longo prazo devem imperar…  

 

Gestor e Docente Universitário

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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