Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 22 de maio de 2018 às 20:52

Os porcos e as exportações 

A possível exportação para a China de 200 milhões de euros de carne de porco (cerca de 30% da produção nacional do setor suinicultor) é mais uma boa notícia.

Há muitos anos, os "setores tradicionais" (destacando-se o calçado e os têxteis) representavam a larga maioria das exportações portuguesas. Relembro que com a entrada de Portugal na União Europeia, facilitando mais o acesso a mercados europeus e beneficiando de incentivos, os nossos empresários investiram ainda mais nesses setores tradicionais. Contudo, apostaram na vantagem da mão de obra barata, que infelizmente era a única base de competitividade que a generalidade dos portugueses parecia apostar nos negócios dos setores transacionáveis. E durante vários anos, as exportações aumentaram.

 

No entanto, quando se aposta numa estratégia de ser "o mais baratinho" a produzir qualquer bem, a base da produção de baixo custo ou se deve, por exemplo, a inovações (geralmente no processo de produção, que o permite fazer mais barato do que o outro), ou ao acesso menos dispendioso a matérias-primas únicas, entre outros, caso contrário podem aparecer concorrentes com mão de obra mais barata e acaba por se perder a competitividade. Ora com o aumento da globalização do comércio mundial, foi precisamente isso que aconteceu a muitas empresas portuguesas, levando as exportações destes setores a perder peso.

 

Mesmo tendo em conta a excelente posterior recuperação de setores como o calçado e os têxteis, que finalmente apostaram na inovação, no design e na marca, estes setores tradicionais perderam o seu peso maioritário no total das exportações portuguesas, pois (felizmente) outros setores cresceram e passaram a pesar mais nas exportações nacionais.

 

Esse crescimento das exportações não é recente. Portugal já estava a crescer com competitividade, em vários setores, desde cerca de 2005, sendo que o crescimento das exportações tem sido diversificado, reduzindo a exposição do nosso país a determinados setores ou destinos.

 

A possível exportação para a China de 200 milhões de euros de carne de porco (cerca de 30% da produção nacional do setor suinicultor) é mais uma boa notícia.

 

Obviamente, esperemos que a produção do setor aumente (mas com qualidade) para continuar a satisfazer a procura nacional, caso contrário os portugueses terão de importar carne de porco para compensar as novas exportações. E assim, não há grande ganho para o nosso país…

 

Gestor e docente convidado do ISCTE-IUL

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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