Pedro Fontes Falcão
Pedro Fontes Falcão 27 de março de 2018 às 19:41

Portugal, (surpreendentemente?) um país infeliz

Admito que a imagem otimista sobre Portugal que parece transparecer em certos meios me levaria a pensar que o resultado de Portugal seria muito melhor em termos de felicidade.

Em termos de felicidade, Portugal é o 4.º pior da União Europeia, apenas um pouco à frente da Grécia, Croácia e Bulgária, de acordo com o Relatório Mundial da Felicidade 2018, elaborado pelas Nações Unidas, e que foi agora publicado no Dia Mundial da Felicidade (20 de março).

 

Portugal encontra-se a meio da tabela (77.º lugar em 156 países) com um índice de 5,41 (numa escala de 0 a 10). A nossa vizinha Espanha está muito acima, em 36.º lugar. Os principais ingredientes para o bem-estar incluem anos de vida saudável, apoio social, PIB per capita, generosidade e confiança no governo.

 

Admito que a imagem otimista sobre Portugal que parece transparecer em certos meios me levaria a pensar que o resultado de Portugal seria muito melhor em termos de felicidade. Afinal, estamos infelizes, somos dos piores na União Europeia e estamos atrás de países como a Líbia e o Kosovo, entre outros países que a generalidade das pessoas diriam que são muito "piores" do que Portugal.

 

Convinha perceber como é que nos posicionamos nas diversas áreas que contribuem para esta infelicidade, para percebermos o que precisamos de melhorar.

 

Será que a infelicidade é resultado do que PSD e CDS têm criticado? Por exemplo, quando referem que o país não está bem em diversas áreas (por exemplo, na saúde, na educação, nos transportes, na proteção civil)? E que os portugueses sentem que não conseguem comprar muito mais apenas com o seu rendimento disponível, ao contrário do que o aumento do consumo dos portugueses pareceria transparecer (que na realidade está cada vez mais alavancado em crédito ao consumo e não em rendimentos dos cidadãos)? E que percebemos que o nosso crescimento económico é positivo, mas é dos piores da UE, o que nos traz infelicidade por comparação?

 

Ou, por outro lado, será que a infelicidade vem de temas que o governo não influencia, não se lhe devendo estar agora a imputar "culpas" ou a atacá-lo por este mau resultado?

 

Seja como for, temos de analisar mais a fundo esta situação (algo que o detalhe do relatório da ONU ajuda a fazer, mas não de forma tão exaustiva como necessário), para sabermos o que Governo e oposição devem dizer e fazer, pois continuar infelizes como agora é que não é solução!

 

Gestor e docente convidado do ISCTE-IUL

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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