António Moita
António Moita 13 de agosto de 2017 às 19:30

Ó patego, olha o balão 

Durante muitos anos, o dinheiro foi entrando sem que tivéssemos de realizar grandes esforços individuais ou coletivos. Hoje temos de trabalhar para que ele cá chegue e fique.

As vozes que por aí se vão levantando contra a invasão de turistas teimam em não perceber a importância deste fenómeno para a economia portuguesa. Miopia, estrabismo, má vontade ou uma visão fundamentalista de quem entende que o desenvolvimento não é compatível com o livre funcionamento do mercado.

 

São inúmeras as vantagens económicas que resultam deste brutal crescimento do afluxo de turistas. Para o emprego, para as pequenas, médias ou grandes empresas, para o emergir de empreendedores e de atividades criativas, para o equilíbrio das contas externas com a entrada de dinheiro do exterior, para a divulgação no estrangeiro, a custo zero, de todo o nosso potencial enquanto destino profissional ou de lazer.

 

Mas serve igualmente, e não preciso de citar estudos de Porter, para tornar possível a transformação mais rápida das nossas cidades e estimular o desenvolvimento do interior. Não deverá competir ao Estado recuperar imóveis degradados, gerir hotéis, manter limpas as praias e as florestas, cultivar os campos, oferecer serviços de transporte ou selecionar um "chef" para cada restaurante.

 

Durante muitos anos, o dinheiro foi entrando sem que tivéssemos de realizar grandes esforços individuais ou coletivos. Hoje temos de trabalhar para que ele cá chegue e fique. Somos melhores a receber do que a tratarmos de nós próprios. E se o motivo para esta nova dinâmica for a necessidade de preparar esta magnífica "sala de estar" do mundo para as visitas que estão a chegar, pois que seja.

 

Não desperdicemos esta oportunidade histórica qual "patego" distraído. E não nos deixemos distrair pelos balões que alguns fundamentalistas adeptos de lógicas isolacionistas andam a pôr no ar apenas porque não gostam de viver numa sociedade aberta e livre.

 

Cabe a cada português fazer de Portugal um destino único onde se vivem experiências irrepetíveis. Reconhecendo a sua História, vivendo o seu presente e garantindo o seu futuro.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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