Paulo Carmona
Paulo Carmona 04 de Janeiro de 2017 às 19:34

Obrigado, António Costa

Não me canso de repetir, o Governo de António Costa foi das melhores ajudas que teve a democracia portuguesa nos últimos anos ao dar poder e responsabilidade aos partidos de protesto.

A FRASE...

 

"Em relação ao défice, Marisa Matias afirmou que ‘este Governo fez o que o governo de direita não foi capaz de fazer em quatro anos’."

 

esquerda.net  25 dezembro de 2016

 

A ANÁLISE...

 

É surpreendente o orgulho que o Bloco de Esquerda tem nas conquistas económicas do Governo, nomeadamente no objetivo do défice, exigido pela troika e sublinhado pela União Europeia. Porque o atual Governo tem tido uma atitude responsável de continuar as políticas de austeridade do anterior, dadas as restrições orçamentais que continuam, como recentemente o ministro Santos Silva teve ocasião de relembrar.

 

Portugal tem um enorme problema de dívida. Com a atual ausência de crescimento económico significativo que a possa pagar e ajudar nas receitas do défice, este terá de incidir cada vez mais sobre os impostos e sobre a asfixia das despesas e funcionamento do Estado e seus fornecedores. Ou seja, o atual rigor orçamental é a continuação da austeridade que terá de se manter ou aumentar todos os anos, caso não tenhamos políticas viradas para o crescimento económico, defesa da criação de emprego e da iniciativa privada que o possa criar e manter.

 

Na prática substituíram-se ou devolveram-se uns impostos aumentando outros, mas nada mudou de substancial e ainda bem, porque a realidade é má e a responsabilidade é exigente. Entretanto em semântica as coisas melhoraram, a austeridade deste Governo é que é boa, a do PSD-CDS era terrível e demoníaca. Continuamos a não ter dinheiro, mas agora juramos apostas nas pessoas, na inovação, na educação, contra a precariedade, a obsessão pelo défice e todas as coisas más… sempre com um rosto humano.

 

Não me canso de repetir, o Governo de António Costa foi das melhores ajudas que teve a democracia portuguesa nos últimos anos ao dar poder e responsabilidade aos partidos de protesto. António Costa "syrizou" o Bloco de Esquerda (relembro que o camarada Tsipras presidiu à maior austeridade que a Grécia já teve). Protestar é bonito, mas quando tem de se governar ou assumir escolhas, as coisas mudam. Obrigado, António Costa.

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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comentários mais recentes
surpreso Há 2 semanas

Comunistas e esquerdistas, anti-UE e anti-euro são de "protesto"?

Anónimo Há 2 semanas

Face ao que para aí (e aqui anda), artigo muito original, com uma perpectiva muito interessante.

Não é que, em muitos aspectos, concordo consigo!

A geringonça, como a melhor máquina possível para cortar na despesa pública não salarial, quem diria ...

Veja-se a queda de quase 80% no investimento público em 2016.

Aprende Passos, e tens muito para aprender em termos de marketing e manipulação da opinião pública, que o "mestre" Costa pode não durar muito.

Rado Há 2 semanas

Os partidos do protesto eu, com ingenuidade, achava invendáveis. Não é o que estamos a ver.

nb Há 2 semanas

Os partidos de protesto, nem protestam, tal é o gosto de estarem com um pé no governo, embora engulam sapos quase todos os dias. Assim se vê o caráter dos seus dirigentes e o interesse pelos portugas.