Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 19 de janeiro de 2017 às 20:05

Tanto barulho para nada

Um acordo de concertação social assinado porta a porta entre os signatários e a  promulgação  da lei que reduz a Taxa Social Única (TSU)  em tempo recorde, mesmo para os padrões de um Presidente que costuma andar em alta velocidade, marcam esta semana.

E tanta agitação arrisca-se a ser em vão se a improvável coligação parlamentar de comunistas, bloquistas e PSD chumbar na Assembleia a lei que troca 1,25% da taxa paga pelos patrões para compensar o aumento do salário mínimo para os 557 euros.

 

A questão do salário mínimo e o fantasma do travão à queda da TSU criou uma insuspeita narrativa neo-realista  por parte dos patrões e dos críticos de Passos no PSD. Como se a defesa do subsídio fiscal ao salário mínimo devesse ser um dogma ideológico do partido.

 

É óbvio que o salário mínimo tem custos económicos em muitas empresas e instituições particulares de solidariedade social. E num país onde há demasiadas pessoas a defender o ordenado mínimo, a questão é fundamental.

 

Mas não deve ser o papel do Estado, através do dinheiro dos contribuintes, nem da Segurança Social, gastando dinheiro que deve ser para pagar reformas, subsidiar  as entidades que pagam o ordenado mais baixo permitido por lei.

 

Além de que este subsídio é injusto para os patrões que fazem um esforço de pagar salários superiores aos do salário mínimo e que não podem contar com essa benesse.

 

Outra questão política neste processo é o papel da concertação social, cada vez mais a segunda câmara da nossa democracia. É fundamental que os parceiros com assento nesta instituição desenvolvam consensos. É importante para o país que patrões e sindicatos, que já têm um problema real de representatividade, acertem consensos. A paz social e o desenvolvimento económico  são vitais para o país. Mas em nenhum caso  um acordo de concertação social deve ter um poder de veto sobre as decisões de uma maioria parlamentar, por mais heterodoxa que pareça.

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

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comentários mais recentes
Anónimo 20.01.2017

Eu também consigo fazer acordos bem depressa dando contrapartidas que não consigo cumprir lol
;-)

surpreso 19.01.2017

Em Portugal ,a poliica é só propaganda.Do governo e dos jornaleiros que trabalham para a geringonça

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