António Moita
António Moita 16 de março de 2017 às 19:43

Um, dois, três, diga Marquês outra vez

No momento em que escrevo não é ainda claro se a senhora procuradora-geral permitirá um novo alargamento do prazo para a conclusão da investigação da Operação Marquês. As últimas notícias parecem querer preparar a opinião pública para novo adiamento.

Mas mesmo sem um despacho para encerramento da investigação, José Sócrates parece estar inapelavelmente acusado. As intermináveis e sucessivas violações do segredo de justiça mostraram que alguns "amigos" do antigo primeiro-ministro começaram a carrear para o processo as informações que faltavam. E certamente a abrir novas frentes de combate que não deixarão de ser seguidas. A Operação Marquês, eventualmente rebatizada, não deixará de dar novos títulos de jornais por muito mais tempo.

 

Mais tarde ou mais cedo, Carlos Alexandre, o mediático juiz que não tem fortuna e que até há alguns dias também não tinha amigos, irá poder validar a tese (ou a narrativa) do Ministério Público segundo a qual José Sócrates usou alguns amigos para arrecadar de forma ilegítima uma considerável fortuna.

 

A sentença condenatória - e digo isto assumindo que depois de tão complexa investigação nenhum juiz da 1.ª instância se arriscará a não o fazer - virá dentro de alguns anos. O trânsito em julgado da decisão poderá chegar para além da minha esperança de vida. E já agora da vida de Sócrates também. Enquanto for com os outros menos mal.

 

Gostando ou não de Sócrates, acreditando ou não na sua inocência, não podemos aceitar que a justiça tarde tanto como hoje acontece em Portugal. Ser absolvido ao fim de uma década é uma vitória. Mas não serve de consolo nem repara o dano entretanto provocado. Condenar ao fim de uma década não constitui uma adequada resposta do Estado à necessidade de proteção dos bens jurídicos essenciais. 

 

No final, a justiça formal que temos condenará uns e inocentará outros. Mas perante o tribunal da opinião pública já são todos culpados. Até aqueles que não vierem sequer a ser acusados.

 

Jurista

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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comentários mais recentes
Mr.Tuga 17.03.2017

A (IN)justiça de tugaLândia dos atrasaditos no seu melhor....

Mas os juizes e magistrados do MP são todos avaliados como muito bom e são dos tugas FP mais bem pagos!