Marco Tulio Pellegrini
Marco Tulio Pellegrini 23 de janeiro de 2018 às 21:07

100 anos de história, 100 anos de futuro 

Celebrar 100 anos não é para todas as empresas. Se for num setor marcado pela constante inovação tecnológica e pela busca permanente de novas soluções, como é a indústria aeronáutica, o feito é ainda mais raro.

Portugal tem uma empresa que, em 2018, por direito próprio, entra no restrito grupo das companhias centenárias: a OGMA. Chegar aos 100 anos não aconteceu por acaso. É uma combinação de vários fatores, desde a capacidade de adaptação aos desafios colocados ao longo de décadas até à qualidade e competência de todos os seus recursos humanos, sem esquecer o suporte e a confiança concedidos pelos acionistas.

 

A história da OGMA está repleta de momentos marcantes e de desafios. Do pioneirismo no desenvolvimento da génese da indústria aeronáutica nacional, passando pelo apoio à Força Aérea Portuguesa e a manutenção aeronáutica militar em contexto internacional, a empresa tem apostado também de forma crescente e sustentada na manutenção de aeronaves civis. No fabrico e montagem de estruturas aeronáuticas, a OGMA desenvolveu capacidades e adaptou-se por forma a conseguir a confiança dos maiores fabricantes mundiais. Desde a sua criação, passando pela sua transformação em empresa pública até chegar à privatização e entrada no universo do grupo Embraer, a OGMA esteve presente em marcos-chave da indústria, gerando valor e riqueza para a economia nacional, para os seus colaboradores e acionistas.

 

A aposta ganha nos mercados internacionais, que faz com que mais de 95% da sua atividade se destine à exportação, e a confiança que clientes de renome depositam na empresa revelam que o caminho percorrido até hoje tem sido uma aposta bem-sucedida. Mais do que uma efeméride, completar 100 anos de existência pode e deve ser encarado como uma oportunidade para a afirmação de Portugal numa indústria de ponta, que alia o melhor da tecnologia com a experiência e saber dos profissionais que atuam no setor aeronáutico.

 

Pilar do "cluster" aeronáutico nacional - que ambiciona uma posição de destaque a nível global -, importa saber perspetivar e planificar a longo prazo os tempos vindouros, não só para a OGMA, mas também do papel que a indústria aeronáutica pode ter para a economia portuguesa. É com agrado que se assiste a um interesse dos jovens pela área da engenharia aeronáutica. É também importante incentivar e apoiar a formação de técnicos especializados em aeronáutica, uma função essencial para a indústria e cuja oferta está muito abaixo da procura. Apostar na formação e na qualificação do capital humano é um desafio e uma prioridade para a afirmação sustentável da indústria aeronáutica nacional. Só assim as empresas conseguirão ser competitivas e competentes neste exigente setor do mercado mundial.

 

Presidente e CEO da OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, S.A.

 

Artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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