José M. Brandão de Brito
José M. Brandão de Brito 23 de Novembro de 2016 às 20:50

1999

Neste momento, nos EUA, a taxa de desemprego está em mínimos, os salários estão a acelerar e o consumo é a única componente da procura que puxa pela economia.

A FRASE...

 

"Segunda-feira foi a primeira vez desde 1999 que os [índices acionistas americanos] Dow Jones, S&P 500, Nasdaq Composite e small-cap Russell 2000 fecharam todos em máximos."

 

Financial Times, 23 de novembro de 2016 

 

A ANÁLISE...

 

Os ciclos económicos têm algo de perverso: é quando o otimismo está mais elevado que a expansão dá lugar à recessão e é quando o sentimento anda pelas ruas da amargura que começa a recuperação.

 

As recessões iniciam-se quando o desemprego está mais baixo, os salários mais robustos, o consumo mais pujante e a inflação mais elevada. É também quando os índices acionistas estão nos máximos e as taxas de juro mais altas. Com tanta exuberância é fácil ser-se contagiado pelo otimismo, mas isso pode revelar-se um erro. O empresário A, contente com o progresso do negócio, faz o investimento que não irá conseguir rentabilizar; a família B compra o televisor que não precisa, a contar com o aumento do rendimento do agregado que nunca acontece; o aforrador C aplica as poupanças em ações da empresa, a apostar num crescimento dos lucros que não se materializará.

 

Os investidores astutos conhecem esta mecânica. O mais lendário deles todos, Warren Buffett, diz que devemos ser ousados quando reina o medo, e cuidadosos quando reina a euforia. Só assim conseguimos fazer investimentos a baixo custo (quando ninguém os quer) e desfazê-los a preços astronómicos (quando todos os procuram). A dificuldade está, a cada momento do tempo, perceber em que ponto do ciclo se está.

 

Neste momento, nos EUA, a taxa de desemprego está em mínimos, os salários estão a acelerar e o consumo é a única componente da procura que puxa pela economia. Os índices acionistas americanos estão nos máximos e as taxas de juro do dólar a subir desmesuradamente. Parece bom demais para durar muito mais tempo. Foi assim em 1999, nas vésperas da maior bolha acionista de sempre.

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar