Cristina Casalinho
Cristina Casalinho 13 de dezembro de 2016 às 08:00

2016: Investidores e emitentes face a face

Os mercados de dívida pública assistiram a mais um ano de queda de taxas de juro e aumento de maturidade média. Menos visíveis foram as alterações surgidas na sua estrutura.

Nota: Este artigo está acessível, nas primeiras horas, apenas para assinantes do Negócios Primeiro.

 

Mudanças regulamentares, inovação tecnológica e alterações no modelo de negócio de bancos e gestores de fundos induziram-nas.

 

A inovação tecnológica tem sido avassaladora e dispõe-se mudar a face do mercado. Novas palavras entraram no léxico: "blockchain", "principal trading firms", e "direct stream", entre outras. A primeira inovação consiste, de forma simplificada, num livro de registo de operações aberto a todos, em que a sua veracidade radica na confiança mútua dos participantes. Uma das plataformas em termos de sistema do "blockchain" é o sistema de suporte à bit-coin. Com a proliferação desta estrutura, o modelo de emissão de dívida por via de sindicatos ou leilões pode ser ultrapassado através da entrada direta de ordens de investidores, eliminando-se potencialmente a existência de serviços centralizados de liquidação e de necessidade de intermediação em leilões e sindicatos.

 

No que se refere às "principal trading firms", atualmente, o maior volume de transações neste mercado observa-se no mercado OTC (não organizado de voz). Porém, as transações eletrónicas têm vindo a ganhar terreno, dominando as "principal trading firms" esta tendência. Estas empresas operam em plataformas eletrónicas e não são reguladas. Contudo, podem facilitar maior transparência na formação de preços e maior igualdade de tratamento dos investidores. Mesmo as grandes instituições estão a transferir transações, sobretudo de menor dimensão, para plataformas eletrónicas. Deste modo, otimizam o seu balanço. Enquanto as grandes operações são realizadas por "traders", as operações mais pequenas são canalizadas para plataformas eletrónicas, com custos menores; melhorando a rendibilidade deste segmento. Assim, apenas as grandes ordens e os investidores poderão ter acesso aos "traders", os quais completarão a sua oferta de serviços com consultoria. Este movimento, aparentemente, poderá ter ampliado os fenómenos de ausência súbita de liquidez, em que volumes de transação caem abruptamente e o diferencial de preços de compra e de venda se alarga - interrompendo-se temporariamente a possibilidade de transacionar. Uma das explicações por este movimento será a ausência, nas plataformas eletrónicas, do papel do "trader" de um banco que compra os títulos ao investidor e os mantém no balanço até o mercado estabilizar, atuando deste modo como amortecedor de choques.

 

Ao contrário de plataformas tradicionais D2D ("dealer to dealer") ou D2C ("dealer to customer"), qualquer participante no mercado tem agora a possibilidade de transacionar através de telefone, de um livro de ordens ou de "direct stream" (sistema contínuo de preços de um fornecedor de liquidez/"dealer" ou "broker" orientados para um específico tomador de liquidez/investidor). Segundo um inquérito realizado pelo Tesouro norte-americano este ano, 20% dos participantes do mercado/investidores preveem transferir as transações para plataformas eletrónicas no próximo ano.

 

A estrutura do mercado de dívida pública move-se crescentemente na direção de maior interação direta entre emitente e investidor final, removendo-se a almofada do intermediário financeiro/banco como amortecedor parcial do risco. Como decorrência, em paralelo com maior transparência de preços, igualdade de tratamento de ordens, e menor custo, poder-se-á observar maior incerteza de preços e maior instabilidade da procura. Pode-se ganhar do lado dos custos de operação, mas poder-se-á perder em termos de previsibilidade e estabilidade do mercado.

 

Economista

 

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mais votado Anónimo 13.12.2016


Comemorações Oficiais

FP . CGA – 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO

Porque é que 7 000 000 de trabalhadores e pensionistas privados têm de ser cada vez mais sacrificados para sustentar a reposição dos salários, das pensões e das mordomias de 1 000 000 de ladrões FP / CGA?

São medidas injustas que vão enterrar os portugueses em mais de 2 000 milhões €, por ano, todos os anos!

Chega de mordomias para os funcionários públicos, são as 35 horas de trabalho, os dias de férias que começam nos 25 dias, as pensões muito acima dos restantes mortais e com muito menos anos de descontos, o bloco de "desculpas" para faltar ao trabalho, as inúmeras greves dos inúteis sindicatos, a impossibilidade de serem despedidos.


comentários mais recentes
Beruno 13.12.2016

e tambem acho que deviamos ter acesso ao mercado secundario de papel comercial e bilhetes do tesouro, e estes deviam ter um valor nominal de 1.000 euros ao inves dos 100.000. para alem de que de facto a cmvm devia começar a regular/publicitar as plataformas de emprestimos online. parecem-me uma boa alternativa e algumas destas empresas ja permitem investir um montante pequeno espalhado por muitas empresas, o que reduz muito o risco

Beruno 13.12.2016

O que eu gostava para começar, é de pode colocar ordens de bolsa, para compra de obrigaçoes, atraves de homebanking, tal e qual como se faz para as açoes. atualmente, a unica soluçao que tenho é procurar o isin que pretendo adquirir e enviar um mail ao gestor de conta a pedir para comprar determinada emissao a um determinado preço

Anónimo 13.12.2016


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FP . CGA – 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO

Porque é que 7 000 000 de trabalhadores e pensionistas privados têm de ser cada vez mais sacrificados para sustentar a reposição dos salários, das pensões e das mordomias de 1 000 000 de ladrões FP / CGA?

São medidas injustas que vão enterrar os portugueses em mais de 2 000 milhões €, por ano, todos os anos!

Chega de mordomias para os funcionários públicos, são as 35 horas de trabalho, os dias de férias que começam nos 25 dias, as pensões muito acima dos restantes mortais e com muito menos anos de descontos, o bloco de "desculpas" para faltar ao trabalho, as inúmeras greves dos inúteis sindicatos, a impossibilidade de serem despedidos.


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