Luís Marques Mendes
Luís Marques Mendes 09 de Outubro de 2016 às 21:20

Notas da semana de Marques Mendes no Negócios

A análise de Luís Marques Mendes ao que marcou a última semana da vida nacional e internacional. Os principais excertos da sua intervenção na SIC.
  1. COSTA NA CHINA

         
  2. António Costa vai à China por uma única razão: tentar atrair investimento para Portugal. Esta é, pois, uma boa oportunidade para fazer o balanço do investimento chinês em Portugal. E já agora o investimento que é proveniente de outras nacionalidades.

a)      Investimento chinêsHá 5 anos era praticamente inexistente. Cinco anos depois, ocupa posições estratégicas na economia portuguesa (energia, seguros, banca e saúde). E a tendência é de crescimento.


Há uma probabilidade séria de um grupo chinês comprar o Novo Banco. Em particular por esta razão: houve uma reviravolta enorme e o BPI está praticamente fora desta corrida, o que é um enorme balde de água fria para os responsáveis máximos do Banco
.


b)     
Investimento alemãoÉ outro investimento estruturante. Este está sobretudo concentrado no sector industrial (é o caso da Autoeuropa, da Siemens, da Continental Mabor e da Bosch).


c)     
Investimento espanhol – Sem menosprezo de outras áreas, o investimento espanhol que é mais estratégico está sobretudo concentrado na Banca e na indústria.


d)     
Investimento francêsO investimento francês cresceu nos últimos anos e está hoje presente nalgumas áreas estratégicas (nas telecomunicações, nos aeroportos, na banca e na indústria automóvel).


e)     
Investimento angolano – Fora da Europa, o investimento angolano tem um papel relevante sobretudo nalgumas áreas igualmente estratégicas (na banca, nas telecomunicações e na energia).


f)      
Investimento brasileiro – É do que menos se fala mas não é despiciendo. Está sobretudo nos cimentos, na indústria aeronáutica e na TAP.

 

      Duas conclusões essenciais a tirar:

a)      A primeira: esta tendência de "estrangeirização" da economia portuguesa era inevitável. Primeiro, pelo efeito da globalização; depois, pelo efeito troika na aceleração de privatizações; terceiro, porque falta capital aos nossos grupos nacionais; quarto, pelos erros de gestão cometidos, sobretudo no BES e na PT.


b)     
A segunda conclusão é mais virtuosa: não devemos demonizar o investimento estrangeiro. Globalmente falando, é positivo: tem dimensão estratégica, acrescenta competitividade, produtividade e inovação, reforça a qualidade da gestão e abre-nos novas oportunidades no exterior.

 

 
AS ENTREVISTAS DA SEMANA

 

  1. Entrevista de António Costa ao Público – Tem uma novidade e não é menor. É a primeira vez que eu vejo uma entrevista do PM à defesa. Um Primeiro-Ministro preocupado e a fazer limitação de danos.
  •          Preocupado com quê? Com a imagem de que o PS deu nos últimos tempos de estar a radicalizar-se à esquerda e de ir a reboque do BE. Tudo por causa da polémica do imposto sobre o património.
  •          E tem razão para estar preocupado. Essa polémica teve um desgaste sério para o PS e para António Cista. Basta ver a sondagem da Aximage. O PS baixou nas intenções de voto e António Costa perdeu popularidade.
  •          Por isso, António Costa teve uma única preocupação nesta entrevista – recentrar o PS. Descolar do Bloco de Esquerda e recolocar o PS na área moderada, do centro-esquerda. Veremos se é suficiente.

 

  1.       Entrevista de Passos Coelho à SICNo conteúdo, a mensagem é a mesma: a ideia de que o país vai na má direcção e que isto vai acabar mal. Na forma foi diferente. Foi um Passos Coelho mais solto e afirmativo; mais humilde e menos agressivo.

 

  1.       Entrevista de Catarina MartinsEsta foi uma má semana para o Bloco de Esquerda.

      Pela primeira vez baixou a sério numa sondagem. Ou seja, nem os eleitores do Bloco gostaram da polémica do imposto sobre o património.

      Depois, viu António Costa dar uma "charutada" monumental no Bloco e, ao contrário, elogiar Jerónimo de Sousa.

      No meio de tudo isto, a entrevista foi o momento menos mau do Bloco esta semana. Não acrescentou mas também não comprometeu. Cumpriu calendário.



MARCELO NO 5 DE OUTUBRO

 

A semana em que se assinalou um ano sobre o dia em que MRS anunciou a sua candidatura presidencial, foi justamente uma das semanas politicamente mais proveitosa do Presidente. Em três planos:

 

  1.       Primeiro: Na vitória de Guterres. Sendo uma vitória pessoal do candidato, quer o Presidente, quer o Governo são também, politicamente falando, beneficiários directos desta eleição.

 

  1.       Segundo: No veto sobre os saldos bancários. O Governo seguiu a recomendação do Presidente e deixou cair, para já, a sua intenção. O Governo foi inteligente porque evitou comprar uma guerra com o Presidente. O Presidente, por sua vez, reforçou a sua autoridade porque vetou e foi obedecido.

É muito raro, quando há uma minoria no Parlamento, um veto político do Presidente ser obedecido. Com Marcelo Rebelo de Sousa já é a terceira vez que tal sucede, em poucos meses. A prova provada de que a popularidade gera autoridade.

 

  1.       Terceiro: No discurso do 5 de Outubro. Um discurso económico na forma (7 minutos apenas de duração), assertivo e popular no conteúdo. A ideia de que os políticos devem ser exemplo de honorabilidade, de transparência e de serviço público. Um discurso actual e à medida do ideal republicano.

 

 

NOVO PERDÃO FISCAL

 

Esta decisão era a "arma secreta" que o Governo tinha na manga para alcançar um défice abaixo mesmo dos 2,5% do PIB. Mas tem três problemas:

 

  1.        Primeiro: um problema de credibilidade. Esta decisão é uma machadada na coerência e na credibilidade politicas.
  •          Quando estava na oposição, o PS dizia cobras e lagartos de medida similar apresentada em 2013 pelo Governo do PSD e do CDS. Agora no Governo, o PS aprova o que antes criticou.
  •          Conclusão: para o comum dos cidadãos fica esta ideia. Eles, os políticos, dizem uma coisa na oposição e fazem outra no Governo. São todos iguais.

 

  1.        Segundo: hipocrisia. Toda a gente percebeu que esta medida é aprovada para sacar mais receita, para endireitar o défice deste ano e ajudar a endireitar o défice dos anos seguintes. E era isto o que o Governo devia ter dito. Assumir prontamente a verdade.
  •   Andar com explicações laterais é um exercício de hipocrisia. É tentar fazer dos portugueses um bando de totós. Coisa que os portugueses não são.

 

  1.        Terceiro, a questão de fundo:
  •   Anda-se a abusar deste tipo de perdões. E isso é um erro.
  •   Na prática, tudo isto é um incentivo ao não pagamento das obrigações fiscais e da segurança social. Um benefício do infractor.
  •   Pergunta-se: E quem cumpre e quem paga vai ter um prémio? Esta desconsideração por quem cumpre não gera um ambiente de confiança.

 

  1.        Finalmente: Rocha Andrade. Cada vez duas coisas ficam mais claras: primeiro, que a sua saída é uma questão de tempo, provavelmente a seguir ao OE; segundo, que faz bem. Ou sai a tempo, com dignidade, ou sairá mais tarde pela porta pequena.



QUE ORÇAMENTO VAMOS TER?


Estamos a uma semana da apresentação do Orçamento. E, em boa verdade, o que se pode dizer é isto: este Orçamento está a ser feito de forma absolutamente CAÓTICA. Há muitos anos que não se via algo no género. Parece um governo em fim de ciclo.

a)      Primeiro: Na semana decisiva da elaboração do Orçamento, com várias questões pendentes e negociações em aberto, o PM está na China e só chega na véspera da entrega do Orçamento. Num Governo que não tem número dois, só por sorte é que isto dá certo.

b)      Segundo: É um Orçamento feito na praça pública. Tudo está na imprensa. Na versão A, B e C. com avanços e recuos.

  •          É o novo imposto imobiliário, já em várias versões.
  •          É o novo imposto sobre o sal e o açúcar. Agora, já só na versão reduzida dos refrigerantes.
  •          É o aumento do imposto sobre o vinho. Para testar as reacções. Talvez sim, talvez não.
  •          É a sobretaxa do IRS, que era para acabar de vez e agora já talvez só de forma gradual.

c)      Terceiro: Parece um Orçamento à la carte. Tem as medidas do PCP, as do Bloco e espera-se também as do PS. É um festival. Parece um Governo em auto-gestão.

d)      Conclusão: Fica a ideia de que não há uma linha de rumo. É tudo às apalpadelas. Tudo táctico. Tudo ajustado em função da pressão do dia. Com uma excepção: os IMPOSTOS.

  •          Toda a gente sabe que o país precisa de duas coisas: não agravar impostos e garantir estabilidade fiscal.
  •          Pois bem. O que está a acontecer é tudo ao contrário. A regra é a instabilidade fiscal. O caminho é que tudo o que mexe é tributado.
  •          O Orçamento é uma coisa muito séria. Deve ser feito na discussão dos gabinetes e com uma linha de rumo bem definida. Este parece um exercício de anarquia institucionalizada.

 

  1.       Por último, quatro informações importantes:

a)      O défice poderá ficar em 1,7% do PIB;

b)      O PIB poderá ficar em 1,4%;

c)      O Orçamento irá incluir várias medidas para as empresas propostas pela Unidade de Missão para a capitalização das empresas, presidida por José António Barros;

d)      A boa notícia, segundo também apurei, é que as receitas fiscais em Setembro cresceram entre 6% e 8%, ou seja, a execução orçamental de Setembro, do lado da receita, será melhor que a de Agosto.

 

 

A VITÓRIA DE GUTERRES


Uma vitória pessoal. Foi a vitória da qualidade, da credibilidade e da estratégia do candidato.

a)      Qualidade que está patente nas suas qualidades para este cargo. Sensibilidade, espírito de diálogo, capacidade de fazer pontes e gerir equilíbrios.

b)      Credibilidade que resultou do seu trabalho de 10 anos como Alto Comissário dos Refugiados. Guterres ganhou aí uma enorme credibilidade.

c)      Estratégia bem pensada e bem executada. Afirmar uma candidatura sempre pela positiva, sempre de forma abrangente, sempre com base nas ideias e não nas manobras de bastidores.

 

  1. Menções honrosas – Merecem também um cumprimento:

a)      A diplomacia portuguesa e à cabeça o chefe da diplomacia, o Ministro Santos Silva. Uma das melhores diplomacias do mundo e um dos poucos Ministros sólidos e estruturados deste Governo.

b)      Os órgãos de soberania portuguesa e os partidos políticos. Desta vez houve, e bem, unidade de Estado.

c)      Finalmente, as Nações Unidas. Por uma vez, a coerência, a transparência e os princípios tiveram mais força que a Real Politik e os obscuros arranjos de gabinete.

 

  1. PerdedoresA Alemanha, o Presidente da Comissão Europeia e a Sr.ª Georgieva, vice-presidente da Comissão. Ou seja, quem perdeu foi a liderança da União Europeia. Derrota humilhante. O que diz bem do estado em que está a Europa. Uma Europa cada vez menos competitiva e mais irrelevante no mundo.

 


TÁXIS / UBER


Há duas coisas inaceitáveis nesta manifestação de amanhã
.

a)      A primeira é a ideia da violência. A generalidade dos taxistas não é um bando de arruaceiros ou energúmenos. Mas alguns dos seus líderes comportam-se como tal. E desprestigiam o sector.

  •          Se houver violência n manifestação de amanhã só perdem os taxistas. Dão mais um tiro no pé. Perdem toda a autoridade para criticarem ou reclamarem.

b)      A segunda coisa inaceitável é a ideia de proibição. Proibir a UBER é proibir a concorrência. É proibir a melhor qualidade de serviço. É proibir a liberdade de escolha pelo cidadão. É como querer impor a televisão única e a preto e branco quando toda a gente quer vários canais e a cores.

  •          Os taxistas até podem discordar da regulamentação que se prepara. E se discordam devem dialogar com o Governo para melhorar a situação.
  •          O que não podem é querer evitar a concorrência porque ela é boa para o cidadão. Enquanto não perceberem isto, os taxistas não percebem o essencial. E ficam isolados.

 

  1.       Num governo que não prima pelo espírito reformista, saúda-se esta boa excepção do Ministro do Ambiente. Tudo o que acaba com os monopólios, fomentando a concorrência e a liberdade de escolha só pode merecer aplauso. Só é pena que não se estenda a outros sectores.


Notas Finais:

  •         Parabéns à EDP pelo MAAT
  •         Parabéns aos Hospitais da Universidade de Coimbra. Vão organizar a Cimeira Internacional da Saúde em 2018. Com a presença da OMS, de 17 países e de 23 Academias de todo o mundo. Decisão hoje tomada pelo G8 da Saúde, onde só 5 países da UE estão presentes (entre os quais Portugal).
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mais votado Anónimo 10.10.2016



PS . BE . PCP são uns PHILHOS DE PHU TA que xupam o sangue ao POVO...

para dar mais dinheiro e privilégios aos FP & CGA.


comentários mais recentes
Kailee Há 1 semana

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Jobeth Há 1 semana

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Ladainian Há 1 semana

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Que papagaio chico - esperto 10.10.2016

Sempre me disseram pequenino ou é velhaco ou dançarino. O texto é um somatorio de banalidades. Fraquito.

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