Jorge Marrão
Jorge Marrão 19 de Outubro de 2016 às 19:19

O mundo mudou!

Modernizámo-nos com o Multibanco, telemóveis, Via Verde, e outros gadgets e serviços, mas o tecido social é ainda intrinsecamente obcecado com a justiça social, que aliás convive bem com a inveja nacional.

A FRASE...

 

"As discussões sobre o Orçamento de 2017 deixaram à vista a pobreza e a fragilidade de Portugal. Sempre foi assim. Agora julgávamos que 'entrar' para a Europa nos fazia europeus. Não fez."

 

Vasco Pulido Valente, Observador, 16 de Outubro de 2016

 

A ANÁLISE...

 

O sistema político das últimas décadas não gerou crescimento. Dificilmente sairemos das taxas de 1,5% de crescimento do PIB sem uma reforma profunda do sistema político. Os Presidentes da República como agentes centrais da configuração do sistema, e os partidos, desviaram-se deste desígnio para se centrar na arquitetura da "justiça social", esquecendo a produção e a produtividade. Eufemisticamente falam em crescimento e desenvolvimento, consumo privado e distribuição de rendimentos. São palavras usadas por mentalidades do velho paradigma. É uma geração nascida no Antigo Regime, com vivência de um país pobre e desequilibrado no património e rendimentos, fechado ao mundo, e enraizado na "terra e nos costumes". O mundo mudou, nós mudámos, mas os decisores e a cultura prevalecente não mudaram.

 

Modernizámo-nos com o Multibanco, telemóveis, Via Verde, e outros gadgets e serviços, mas o tecido social é ainda intrinsecamente obcecado com a justiça social, que aliás convive bem com a inveja nacional. A memória de pobreza que perpassa explicará parte do que nos sucede. Mas, agora aqui chegados, inseridos na globalização, sem termos pedido para entrar, nem ter solução para sair, os debates paroquiais sobre as variações de décimas de receita e despesa do Orçamento de Estado revelam-se estéreis. Esta crise de dívida pública e privada cavou o fosso cultural que já existia entre o Norte e o Sul da Europa. Está a dividir em Portugal as gerações, as funções públicas das privadas, as pessoas com base nos rendimentos e património, e as instituições que dependem umas das outras. O ponto final só pode surgir depois de uma nova grande crise. A evolução na continuidade faz parte do processo. É preciso que o período seja curto.

 

Este artigo está em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

 

Este artigo de opinião integra A Mão Visível - Observações sobre as consequências directas e indirectas das políticas para todos os sectores da sociedade e dos efeitos a médio e longo prazo por oposição às realizadas sobre os efeitos imediatos e dirigidas apenas para certos grupos da sociedade.

maovisivel@gmail.com

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