Luís Marques Mendes
Luís Marques Mendes 02 de janeiro de 2017 às 13:45

2017 igual a 2016?

O próximo ano acabará do mesmo modo que este encerra: Marcelo imbatível na popularidade, Costa inamovível na governação e Passos em acelerada contestação à sua liderança.

1. Politicamente 2017 não será um ano muito diferente de 2016. O Governo continuará a governar, a oposição continuará a desafiar o Governo. Não haverá crises no horizonte. O traço distintivo serão as eleições autárquicas. A meio de uma legislatura, umas eleições locais têm sempre uma leitura nacional.

Apesar disso, não se espera nada de especialmente relevante desse sufrágio. O Partido Socialista voltará a ganhar o maior número de municípios, embora possa ter uma ligeira redução. O PSD, embora com uma melhoria quantitativa sensível, voltará a ficar em segundo lugar e dificilmente recuperará câmaras importantes. O Partido Comunista manterá o reduto autárquico que hoje ostenta, o que lhe retirará qualquer margem de manobra para esticar a corda e provocar uma crise de Governo. O CDS nada tem a perder e o Bloco de Esquerda confirmará nas urnas a irrelevância autárquica que já hoje é.

Ou seja, apesar do ruído próprio de umas eleições, a verdade é que, tudo espremido, nada de novo se antevê para o futuro. No entretanto, o próximo ano acabará do mesmo modo que este encerra: Marcelo imbatível na popularidade, Costa inamovível na governação e Passos em acelerada contestação à sua liderança. Quem desejar novidades a sério o melhor será esperar por 2018 e 2019.

Para haver sinais de mudança o melhor mesmo é aguardar por 2018. E mesmo assim, para acreditar que a Europa se vai reformar, vai ser preciso muita fé. Luís Marques Mendes

2. Também na economia os resultados do próximo ano não serão substancialmente distintos dos que surgiram este ano. A economia crescerá um pouco mais, fruto de uma conjuntura externa ligeiramente menos adversa e dos frutos resultantes da aplicação dos fundos estruturais. Mesmo assim, não se antevê qualquer crescimento exponencial.

Continuaremos no rame-rame actual, assentes num crescimento anémico, com o país político a congratular-se com qualquer melhoria de algumas décimas e o país real anestesiado por uma atmosfera que tem mais de ilusória do que de sustentável. A diferença estará na postura do primeiro-ministro. António Costa acordou, finalmente, para o desafio económico. Está mais livre e autónomo da geringonça, sabe que ninguém o pode derrubar - a não ser que lhe queira dar uma maioria absoluta - e percebe, por isso mesmo, que tem agora melhores condições para se virar para o centro político e para o apelo ao investimento privado.

Teremos, pois, em 2017 um António Costa mais amigo da economia, mais próximo das empresas e a fazer de Paulo Portas na diplomacia económica. O primeiro sinal foi dado com o acordo celebrado de concertação social. Apesar desta mudança, dificilmente os resultados surgirão na mesma medida do discurso e da vontade do primeiro-ministro. A verdade é que dificilmente os discursos substituem as reformas. É que os investidores, apesar de apreciarem a bondade da retórica, dão  mais valor ao impulso reformador.

3. Como não há duas sem três, no ano em que celebra o seu sexagésimo aniversário, a Europa não terá muito para festejar nem grandes novidades para apresentar. Também aqui 2017 será igual a 2016. Ou seja, mais do mesmo. Cada eleição no espaço europeu será mais um susto para os europeus e mais uma angústia para os seus dirigentes. Teme-se a vitória do populismo e a derrota do ideal europeu. A popularidade em torno da União Europeia permanecerá em níveis perigosamente baixos. A provar que esta não é, apenas, mais uma crise do projecto europeu. 

Ao invés, esta é a crise, porque é, na prática, um somatório de crises nunca antes resolvidas. Enfim, um ano a reafirmar a ideia de que no projecto europeu a razão e o coração não andam de mãos dadas. Muito pelo contrário. O plano racional diz-nos que não há alternativa; o plano emocional, esse, explica-nos que falece a esperança.

É certo que, em Fevereiro, no Conselho Europeu informal de Malta, se espera a apresentação do prometido Livro Branco para o futuro da Europa e que no Conselho formal do fim de Março se aguarda a aprovação de uma declaração solene sobre o futuro do projecto europeu. Mas ninguém acredita que até às eleições alemãs algo de substantivo possa vir a mudar. Ou seja, para haver sinais de mudança, o melhor mesmo é aguardar por 2018. E mesmo assim, para acreditar que a Europa se vai reformar e mudar de vida, vai ser preciso muita fé.
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mais votado Anónimo 02.01.2017


Comemorações Oficiais

Ladrões PS- PCP- BE - 40 ANOS A ROUBAR OS TRABALHADORES E PENSIONISTAS DO PRIVADO


MAIS UM ORÇAMENTO CRIMINOSO DA GERINGONÇA E DOS SEUS APOIANTES.

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MAIS DESIGUALDADE SOCIAL

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Anónimo 02.01.2017


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MAIS UM ORÇAMENTO CRIMINOSO DA GERINGONÇA E DOS SEUS APOIANTES.

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gps 02.01.2017

Não sabia que este Marques Mendes sabia ler búzios e deitar cartas. Ou leu as bôrras do café? Diga mas é quais as ações que vão subir e descer. Que diabo tem no ar este país que transforma as pessoas em caricaturas de si próprias?

matita42 02.01.2017

Tudo o que MM diz pode ser contrariado quer pela baixa do rating da DBRS quer pelo BCE, se este fechar a torneira dos empréstimos juros bonificados.

De uma vidente mais poderosa... 02.01.2017

Para um vidente mais fraquito... "As suas previsões estão totalmente erradas!"