Fernando  Sobral
Fernando Sobral 07 de julho de 2017 às 09:37

Michel Temer, o leilão dos votos e a morte do Rio

Michel Temer, nas vésperas da possível abertura de um processo na Câmara dos Deputados, que está dependente do veto que a maioria dos parlamentares possam, ou não, colocar a essa possibilidade, reuniu o Governo para preparar a sua defesa.

Na oposição, e a pensar nas presidenciais, Lula da Silva diz que ninguém quer mais o afastamento de Temer do que os trabalhadores brasileiros. Mas acrescentou que uma eventual substituição deste pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não é necessariamente uma boa notícia para o PT. No "El País/Brasil", Juan Arias escreve: "Existe a impressão de que o que mais importa para os deputados do Congresso não é se o presidente Temer deve ou não ser julgado por corrupção, e sim o preço material de cada voto.(...) E o que mais choca é que esse mercado não é escondido nem camuflado. Ao contrário, é discutido à luz do dia. Os deputados interrogados pela imprensa não dizem que estão ou não em dúvida sobre a culpabilidade de Temer e que será isso o que decidirá seu voto. Alegam motivos muito mais frugais."

E isto, o que implica na economia? No "Estado de S. Paulo, Celso Ming opina: "Há algumas semanas, ainda havia vaga sensação de que a economia vinha se descolando da crise política. Agora, a percepção é a de que ela está relativamente blindada." Ou seja, está imune à crise política. Ainda no "Estadão", João Crestana acrescenta: "A questão parece ser se devemos paralisar o País para julgar e punir exemplarmente os corruptos ou se admitimos um resquício de dúvida sobre culpabilidades e permitimos que o País funcione (...)". No meio deste caos, César Benjamin, secretário de Educação do município do Rio de Janeiro dá a sua opinião: "Não quero esconder a realidade, porque eu estou vendo que o Rio de Janeiro está morrendo aos poucos. O nível de violência actual não permite mais a vida social, dificulta muito o turismo, o comércio, a vida cultural... Vejo áreas da cidade que estão morrendo, às 19h30 não tem ninguém na rua, as pessoas estão trancadas em casa. Eu estou fazendo um chamamento à reacção da cidade."


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