Manuel  Falcão
Manuel Falcão 14 de julho de 2017 às 11:00

A esquina do Rio

Era suposto as eleições locais significarem um momento de aproximação das pessoas com a política, nomeadamente através dos partidos, que é suposto serem a forma organizada de proporcionar a participação cívica dos cidadãos no governo da sociedade.
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Mais vale ter menos, mas melhor.
Dieter Rams

Militâncias
Era suposto as eleições locais significarem um momento de aproximação das pessoas com a política, nomeadamente através dos partidos, que é suposto serem a forma organizada de proporcionar a participação cívica dos cidadãos no governo da sociedade. Teoricamente, os partidos reflectem as preocupações das pessoas. De acordo com o respectivo posicionamento ideológico, analisam a realidade, propõem soluções e apresentam programas de acção que serão um guia para os seus eleitos. Agora, digam-me lá: onde é que isto se passa? Onde é que estão escritas, em programa eleitoral, as profundas alterações a que Lisboa tem sido submetida nos últimos dois anos? Comportamentos partidários como os que assistimos - executar políticas não referendadas e abdicar de tomar posição - foram as duas linhas de acção das duas principais forças eleitas nas anteriores autárquicas, em Lisboa. Comportamentos assim são a semente do descrédito nos políticos e nos partidos e são um incentivo ao surgimento de candidaturas independentes. Mas tudo indica que, ao contrário do que se passa no Porto, não existirá em Lisboa nenhum candidato independente. É pena, porque com o desagrado de tantos votantes do PS e do PSD pelo comportamento dos candidatos destes partidos, Fernando Medina e Teresa Coelho, esta seria uma boa oportunidade para mudar de rumo. Lisboa vai continuar presa na teia dos aparelhos e interesses partidários e os seus habitantes relegados para segundo plano. 

Dixit
O Governo fica tranquilo quando os chefes militares asseguram ao país a segurança das instalações militares.
António Costa
Na sequência do roubo de armamento em Tancos.

Semanada
 O presidente do Sindicato dos Profissionais de Polícia, António Ramos, diz que para manter a ordem pública é sempre necessário cometer excessos  este ano, já foram detidos seis vezes mais incendiários do que no ano passado  entre 2013 e 2016, morreram 89 pessoas na rede ferroviária e no ano passado registaram-se mais 31% de acidentes mortais do que em 2015  a polícia apreende seis armas de fogo por dia  o roubo de armas em Tancos proporcionou, segundo a Marktest, 152 notícias e 5 horas e meia de emissão nas estações de televisão  ainda segundo a Marktest, em Junho, António Costa liderou o tempo de exposição televisiva, com 200 notícias que ocuparam 10 horas e 23 minutos  Marcelo Rebelo de Sousa foi segundo, com 188 notícias, num total de 9 horas e 49 minutos  na terceira posição, ficou Constança Urbano de Sousa, com 53 notícias, com o tempo total de 3 horas e 16 minutos  Pedro Passos Coelho foi quarto, tendo estado perante os ecrãs por 2 horas e 57 minutos, repartidos por 70 notícias  Catarina Martins ocupou o quinto lugar, com 64 notícias de 2 horas e 30 minutos de duração  o tráfego nas auto-estradas regressou aos níveis pré-troika, com uma média diária ponderada de 16.447 veículos a circular. 

Ver
A fotografia de arquitectura pode ser um postal ilustrado, sem graça, ou uma mera ilustração passiva do trabalho de arquitectos; ou então pode ser um olhar agudo e criativo sobre a própria obra arquitectónica. É isso que o trabalho do fotógrafo Fernando Guerra mostra de forma clara (na imagem). O espaço "Garagem Sul" do CCB acolhe, até 7 de Outubro, a exposição "Raio X de Uma Prática Fotográfica", que percorre a carreira de Fernando Guerra, um arquitecto que abdicou do estirador e passou a usar a máquina fotográfica. A formação em arquitectura influencia claramente a sua forma de ver e de se aproximar dos edifícios e do território. Fernando Guerra fotografa em todo o mundo, é requisitado por arquitectos internacionais e tem uma relação especial com alguns dos grandes nomes da arquitectura portuguesa. Luís Santiago Baptista, o curador da exposição, destaca a capacidade de Fernando Guerra em comunicar visualmente com as pessoas, mesmo os leigos em matéria arquitectónica. Outras sugestões: no MAAT, na sala dos geradores, e no Jardim do Campus Fundação EDP, o artista chinês Bai Ming apresenta, até 4 de Setembro, cerca de duas centenas de peças de cerâmica, desenho e pintura apresentadas sob a designação "Branco e Azul". Bai Ming é considerado um dos artistas que mais têm trabalhado a renovação da criação artística chinesa no campo da cerâmica, numa evidente reciclagem de uma tradição ancestral. Finalmente, na Galeria Principal da Gulbenkian, inserido na programação "Jardim de Verão", é apresentada a interpretação que sete realizadores fazem, em filme, de obras de escultura - "The Very Impress Of The Object", a partir de obras de diversos museus, desde o Museu do Louvre em Paris, seguindo até Atenas, com passagens por Berlim, Munique e Londres.

Folhear
Volta e meia, o tema do populismo na política portuguesa vem à baila. Nomeadamente porque aqui, ao contrário do que aconteceu em Itália, França, Espanha, Venezuela ou Estados Unidos, o fenómeno é quase irrelevante. Há quem diga que a geringonça desarticulou os putativos populistas, há quem diga que os proverbiais brandos costumes lusitanos são terreno pouco fértil para tais aventuras. O fenómeno do populismo tem criado novas forças políticas, tem influenciado eleições, proporcionado votações inesperadas. Jan-Werner Müller é professor de Política na Universidade de Princeton e tem-se dedicado a estudar a evolução das ideias políticas. "O Que É O Populismo" é a sua mais recente obra, um original de 2016, agora editado em Portugal pela Texto. "Todos os populistas contrapõem 'o povo' a uma elite corrupta e interesseira", escreve o autor no prefácio, sublinhando: "O que realmente distingue um populista é a sua reivindicação de que ele e só ele representa o verdadeiro povo." Em cerca de 100 páginas, Müller analisa o discurso dos populistas, estuda como se comportam quando estão no poder, especula sobre as melhores formas de lidar com o fenómeno e culmina com aquilo a que chama "sete teses sobre o populismo" que, só por si, valem o livro. Leitura recomendadíssima para os tempos que correm. 

Gosto
A agência de publicidade portuguesa Partners, que tem trabalhado com a PT em Portugal, foi escolhida pela Altice para criar a campanha de lançamento da marca de telecomunicações nos Estados Unidos, protagonizada por Ronaldo. 

Não gosto
O ano de 2017 apresenta, até ao dia 30 de Junho, o quinto valor mais elevado em número de incêndios florestais e o valor mais elevado de área ardida desde 2007. 

Ouvir
Em 1974, David Bowie tinha 27 anos e fartou-se de Inglaterra. Rumou aos Estados Unidos, primeiro a Nova Iorque, depois para Los Angeles. No final de 1973 e início de 1974, tinha gravado o seu álbum glam-rock "Diamond Dogs", onde as influências do funk e da soul music eram patentes. O álbum foi editado em Maio e a digressão baseada no disco atravessou os Estados Unidos ao longo de 1974 e prolongou-se por parte de 1975. No início de Setembro de 1974, estava Portugal em brasa revolucionária, Bowie realizou uma série de concertos em Los Angeles, no Universal Amphitheatre. O concerto de dia 5 foi gravado e é agora publicado, 43 anos depois, sob o título "Cracked Actor", o mesmo de um documentário da BBC, de 1975, sobre essa digressão. Os registos originais foram remisturados no final do ano passado por Tony Visconti, que tantas vezes trabalhou com Bowie. "Diamond Dogs" mostrava a visão de um mundo pós-apocalíptico e, aparentemente, o livro "1984", de George Orwell, terá sido uma das inspirações desta fase da carreira de Bowie - o disco tem mesmo uma faixa com o nome do livro. A digressão de "Diamond Dogs" arrancou em Junho de 1984, teve uma produção inovadora e ambiciosa, nos cenários imponentes, no guarda-roupa, no leque de músicos em palco. No duplo CD agora editado, "Cracked Actor",  e que reproduz o concerto, é muito engraçado redescobrir a voz de Bowie, ao vivo, ainda antes dos 30 anos. No primeiro CD, está grande parte dos temas originais de "Diamond Dogs" e no segundo estão canções de referência da carreira de Bowie até aí, como "Space Oddity", "The Jean Genie" ou "Rock'n'Roll Suicide" - além do tema título "Diamond Dogs". O disco encerra com "John, I'm Only Dancing (Again)", que só foi editado como single cinco anos depois destes concertos. Duplo CD distribuído em Portugal pela Warner.  

Arco da velha
O presidente do grupo parlamentar do PSD, Luís Montenegro, já invocou "trabalho político" em pelo menos duas ocasiões em que faltou à Assembleia da República e foi assistir a jogos da selecção portuguesa no estrangeiro.

Provar
A ideia foi apresentada na edição portuguesa do programa de TV "Shark Tank" e um dos membros do júri, o empresário Marco Galinha, agarrou-a e está a ajudar os seus proponentes. Baseia-se num dos produtos portugueses mais tradicionais, aqui apresentado de forma diferente: solidificado em pasta para barrar - e que é verdadeiramente uma grande ideia. Sob o nome "Ideias & Requintes", são apresentados azeite em spray, natural e temperado com alecrim, e embalagens de azeite solidificado para barrar, com sabor natural, com tomate e com orégãos. Se gosta de molhar o pão no azeite, experimente barrar uma torrada com este azeite de barrar natural ou, noutros momentos, servir umas tapas com azeite com tomate ou com orégãos. Oriunda de Portalegre, a empresa tem os seus produtos no El Corte Inglés e ainda numa série de lojas gourmet, estando agora a negociar a sua presença em grandes superfícies. Pode ir acompanhando o seu trabalho através de facebook.com/ideiaserequintes. Todo o azeite utilizado pela marca Ideias & Requintes é Azeite Virgem Extra de categoria superior, obtido unicamente por processos mecânicos, 100% natural, sem qualquer aditivo. O Azeite Virgem Extra é obtido exclusivamente de azeitonas da variedade Galega, provenientes de olivais tradicionais localizados no Parque Natural da Serra de São Mamede. Finalmente, e fora dos azeites, a empresa produz também chocolate negro com nozes e gengibre, com 71% de cacau. Todas as matérias-primas utilizadas são obtidas através de métodos de produção biológicos. 


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