Manuel  Falcão
Manuel Falcão 22 de setembro de 2017 às 09:00

A esquina do Rio

E pronto, começou a campanha eleitoral. O Governo entrou nela a pés juntos com promessas de redução da carga fiscal, os autarcas em exercício com inaugurações e, nalguns casos, como o de Medina, com promessas por cumprir e muitas obras por acabar, além dos engarrafamentos que vão aumentando.



Semanada

l Segundo o INE, o número de pessoas entre os 20 e 34 anos que habitam em Lisboa passou de 95.830 em 2011 para 67.916 em 2016, uma diminuição de 29%, sendo assim o concelho onde o número de jovens adultos mais diminuiu l o número de licenciados do ensino privado caiu 41% em dez anos l Azeredo Lopes não esclareceu na Assembleia da República se houve ou não assalto aos paióis de Tancos l o Bloco de Esquerda propôs que jovens com mais de 16 anos possam processar os pais que não aceitem a sua vontade de mudarem de sexo l Mário Centeno apressou-se a explicar que, afinal, o prometido alívio fiscal no IRS, que ele próprio tinha anunciado, não se destina a todos os contribuintes l o primeiro-ministro admitiu que Portugal pode apresentar uma candidatura à presidência do Eurogrupo l na primeira semana de entrada em vigor de nova legislação sobre imigração, deram entrada 4.000 pedidos de autorização de residência de estrangeiros em Portugal l o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras não recebeu informação sobre os suspeitos do processo brasileiro Lava-Jato e alguns deles pediram vistos Gold l as receitas do IMI cresceram 150% depois da avaliação arbitrária e unilateral dos imóveis pelo Estado l em ano de eleições autárquicas, as câmaras municipais já arrecadaram mais 100 milhões de impostos até Julho do que em igual período de 2016 l "proibir os jogos de futebol nos dias em que há eleições é mais uma boa ideia para levar os portugueses à abstenção", escreveu Miguel Esteves Cardoso.

Back to basics

Aqueles que vos fazem acreditar em coisas absurdas são os mesmos que depois cometem atrocidades. Voltaire

Campanha

E pronto, começou a campanha eleitoral. O Governo entrou nela a pés juntos com promessas de redução da carga fiscal, os autarcas em exercício com inaugurações e, nalguns casos, como o de Medina, com promessas por cumprir e muitas obras por acabar, além dos engarrafamentos que vão aumentando. Os eleitores começam a estar fartos destas aldrabices. Querem ver? Desde 1976 realizaram-se em Portugal 11 eleições autárquicas e, nestes 41 anos, a taxa de participação eleitoral foi descendo depois dos primeiros entusiasmos, o que diz alguma coisa sobre o relacionamento de eleitos com eleitores. Na primeira eleição, a participação foi de 64,55% dos inscritos, na eleição seguinte, em 1979, esse valor subiu para 73,77% e ainda se manteve acima dos 70% nas eleições de 1982.

A partir dessa data, a participação foi diminuindo com o valor mais baixo de sempre a registar-se nas últimas eleições, de Setembro de 2013, onde a participação andou pelos 52,6%, com 6,8% de votos brancos e nulos. Ou seja, a maioria dos eleitores não votou em nenhum candidato. Há uma minoria que elege e a maioria da classe política não se incomoda com o assunto porque a abstenção é a garantia de que não há sobressaltos nem alteração do "status quo" partidário vigente. Os incumbentes preferem que a abstenção continue o seu caminho e lhes garanta o lugar por arrasto. Por isso, Medina não se importa que haja menos habitantes e menos eleitores em Lisboa. Até lhe dá jeito.

Gosto

Da presença de artistas portugueses fora de portas: José Barrias expõe "collezionista de echi" na Nuova Galleria Morone, em Milão; Cristina Ataíde está em Madrid na Estampa 2017, na Galeria Magda Bellotti; e Pedro Calapez está em Palma de Maiorca com "El Límite Ubiquo", na Galeria Maior.

Não gosto

Segundo a Anacom, desde Abril de 2011 que os preços das telecomunicações crescem mais em Portugal do que na União Europeia.

Arco da velha

Dos 21 relatórios encomendados pelo Governo sobre o incêndio de Pedrógão Grande, nenhum atribui culpas a quem quer que seja sobre o ocorrido nas mais diversas áreas, das comunicações ao comando das operações, passando pela actuação das forças de segurança ou dos organismos de coordenação e prevenção.

Ver

André Gomes usa a fotografia como instrumento de construção de ficções que traduz em imagens. Durante anos, trabalhou a partir de polaroids e nos tempos mais recentes passou a utilizar imagens fotográficas digitais que usa depois como base para manipulação, muitas vezes criando colagens electrónicas. Esta semana apresentou os seus dois mais recentes trabalhos, o pequeno ensaio "Numa Noite Igual" e, sobretudo, "Casa da Estrada" – um projecto que conta uma história imaginada, ocorrida entre os quilómetros 35 e 36 da Estrada Nacional 332, no distrito da Guarda.

A "Casa da Estrada"  evoca uma narrativa mística, inspirada por citações dos evangelhos, cruzada com imagens aparentemente banais mas com um grau de construção assinalável, criando uma sucessão de ambientes e situações onde o real e o artificial se misturam. Não deixa de ser curioso pensar que André Gomes, com uma carreira no teatro a interpretar personagens imaginadas, transpõe para um suporte aparentemente tão reprodutor da realidade, como é a fotografia, a ideia da fantasia através da encenação da imagem. Até 21 de Outubro na Galeria Diferença, Rua São Filipe Nery 42.

Outras sugestões: em primeiro lugar, no Porto, na Galeria Quadrado Azul, Paulo Nozolino expõe até 16 de Novembro "Loaded Shine", que reúne 20 fotografias feitas entre 2008 a 2013 em locais tão diferentes como Nova Iorque, Paris, Berlim e Lisboa, mas também em lugares no interior de França e de Portugal; depois, em Lisboa, na Plataforma Revólver, "Lights, Camera, Action", do francês Renaud Monfourny, mostra uma série de fotografias que retratam o mundo do cinema; e, finalmente, em Cascais, "Em Plena Luz", uma centena de fotografias do norte-americano Herb Ritts, essencialmente sobre estrelas do cinema, da música e da moda, em exposição até 21 de Janeiro.

Ouvir

Nos últimos tempos tem-se assistido a um renascer das edições de discos em vinil, muitas vezes a partir de originais remasterizados, com prensagens de alta qualidade que utilizam vinil virgem de grande densidade. Para dar resposta a este público crescente – basta ver o aumento do tamanho das prateleiras de vinil nas lojas de discos como a FNAC e El Corte Inglés –, a Warner lançou seis títulos que são clássicos da música portuguesa dos últimos 30 anos. Cinco deles são editados pela primeira vez em vinil – três são de Madredeus e três de Mariza. "O Espírito da Paz", primeiro disco de Madredeus, foi originalmente publicado em 1994 e, na altura, teve uma tiragem em vinil limitada a 500 cópias e ressurge agora remasterizado.

Dois outros títulos de Madredeus agora lançados surgem, pela primeira vez em vinil, o álbum de remisturas "Electrónico", de 2002, onde a música do grupo foi revista por produtores como Craig Armstrong, Manitoba ou Telepopmusik, e a recolha de êxitos "Antologia", lançada em 2000. Quanto a Mariza, três dos seus álbuns vêem agora primeira edição em vinil: "Fado Em Mim", de 2001, que foi a estreia da cantora (e que inclui "Ó Gente da Minha Terra"), "Mundo", de 2015, que é o seu mais recente trabalho de estúdio, e o "Best Of" de 2014, que junta três inéditos a 17 êxitos da carreira de Mariza. Acreditem que quando ouvirem qualquer destes LP’s numa boa aparelhagem, vão descobrir nestes discos de vinil  uma sonoridade diferente.

Folhear

A revista Wallpaper foi fundada em 1996 por Tyler Brûlé que a dirigiu até 2002 e, desde o início, a publicação convida nomes conhecidos das artes, da arquitectura, do design ou da moda para editar o número de Outubro. Este ano, para assinalar o 21.º aniversário da Wallpaper, revisitam-se os 21 convidados, entre os quais Karl Lagerfeld, Philippe Starck, David Lynch, Louise Bourgeois, Robert Wilson, os Kraftwerk, Lang Lang, Frank Gehry, Jean Nouvel, Jeff Koons Hedi Slimane e Dieter Rams, entre outros. E a todos os possíveis foi pedida uma ideia nova para esta edição.

A capa, aqui reproduzida, foi concebida pelo atelier Zaha Hadid a partir de um modelo gráfico gerado em computador. É um prazer ver que, neste tempo de crise da imprensa e das dificuldades em obter publicidade para muitas revistas, as 44 páginas iniciais desta edição da Wallpaper são publicidade de algumas das maiores marcas mundiais de moda e design – e, ao longo das 420 páginas, muitas são de publicidade. Destaco nesta edição na área da arquitectura (a transformação de um silo de armazenagem em museu na Cidade do Cabo para acolher arte africana contemporânea), das artes plásticas (Miquel Barceló e o japonês Takashi Murakami) ou do design (o nonagésimo aniversário da prestigiada marca italiana de mobiliário Cassina).

À margem, um dos artigos mais curiosos é sobre o design das embalagens de medicamentos e produtos farmacêuticos, desde as primeiras embalagens de Aspirina aos logotipos de alguns laboratórios ao longo dos tempos. Outro artigo curioso mostra uma vinha e uma adega no Japão, uma experiência pioneira naquele país. Para rematar, há um destaque português, dedicado aos sabonetes Claus, do Porto.

Provar

Como alguns leitores já terão notado, um dos passatempos que me ajuda a descontrair é cozinhar e ir descobrindo possibilidades na combinação de sabores. Ora, para cozinhar não são precisas muitas coisas além de boa matéria-prima, mas há meia dúzia de utensílios que ajudam muito o trabalho de amadores como eu, que gostam de estar sozinhos na cozinha. Confesso que sou fascinado por gadgets de cozinha – desde tábuas de cortar a mandolinas, passando por pinças até peças sérias como as panelas de ferro da Creuset para lume e forno, as frigideiras De Buyer, ou as assadeiras redondas de ferro fundido, fantásticas para levar ao forno o que se começou a preparar na chama do fogão, ou mesmo simples panelas de bambu para cozer a vapor.

Não é fácil encontrar tudo isto num só lugar mas, há pouco tempo, descobri na Avenida 5 de Outubro, junto ao cinema Nimas, a filial lisboeta da casa César Castro, originalmente do Porto, e que se dedica a ter todos os utensílios possíveis e imaginários para utilizar na cozinha, com pessoal competente para esclarecer dúvidas. Não poucas vezes, depois de ler uma receita no site www.epicurious.com, é lá que me dirijo para procurar alguma coisa que me faz falta para garantir que o preparo sai bem feito. Claro que esta mania coleccionista gera problemas de falta de espaço na cozinha doméstica, mas com jeitinho e paciência tudo se consegue. E, com o material adequado, o resultado final do cozinhado é bem melhor. www.cesar-castro.pt.

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comentários mais recentes
Mr.Tuga Há 3 semanas

Bom!

General Ciresp Há 3 semanas

Grita-me o RIO la mesmo da ESQUINA:vais caaa estaaarrr nooo proximooo dominggoo,porque?Porquuee eeeee diiaa dddee eleicoeeeiiisss,claro q estou,a menos q me impecam.Vaaaiis voottaaarr ceedddooo,so se fosse burro,cooommoo asssiimm,o pais esta mau nao por culpa de quem la esta,mas por quem la os poem.

General Ciresp Há 3 semanas

Dizia-me o RIO la mesmo na ESQUINA:pais tao pouco populacional e consome tanta agua,como e possivel-olhei-o nos olhos e percebi q me pedia 1 resposta seria.Como nos esquecemos tao depressa do sofrimento,sofrimento de dor,desespero,angustia,toda sorte de desespero,exceptuando:o "O SOFRIMENTO DO MEDO"

General Ciresp Há 3 semanas

Da ESQUINA vejo o RIO cada vez mais magro,as costelas mais parecem teclas de piano,so espero q nenhum barco a remos fique encalhado com 1 remo obstruido por entre as costelas do RIO.Tal deve ser amizade q o d.branca tem com a familia da peixorca ao ponto de os encalhar a todos a volta da gamela.Raro

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