Manuel  Falcão
Manuel Falcão 17 de novembro de 2017 às 10:23

A esquina do Rio

Soube-se esta semana que, dos 210.907 militantes do PSD, apenas 28.739 (13,6%) têm as quotas em dia - condição necessária para poderem votar nas eleições directas de 13 de Janeiro.
Back to basics
A melhor forma de prejudicar uma causa é defendê-la deliberadamente com argumentos falsos.
Friedrich Nietzsche

Partidos
Soube-se esta semana que, dos 210.907 militantes do PSD, apenas 28.739 (13,6%) têm as quotas em dia - condição necessária para poderem votar nas eleições directas de 13 de Janeiro. Estamos a falar de 12 euros por ano. No primeiro mês após o início da campanha interna para escolher, em eleições directas, quem será o líder, cerca de cinco mil militantes pagaram as suas quotas em atraso e a data-limite para pôr as quotas em dia e poder votar nas directas de Janeiro é dia 15 de Dezembro. A situação é um retrato do funcionamento dos partidos, mesmo quando têm um teórico número apreciável de militantes: a maioria está arredada da vida dos respectivos partidos, a participação política reduz-se a um pequeno núcleo central. Se fizermos bem as contas a quem está na Assembleia da República, em autarquias a diversos níveis e em órgãos internos, veremos que o total é uma parte significativa daqueles que têm as quotas em dia. Temos, portanto, duas figuras de relevo da política portuguesa a percorrer o país de lés a lés numa campanha eleitoral que tem um universo de votantes reduzido - e mesmo que, por milagre do destino e ajudas de duvidosa generosidade que se tornaram habituais nos aparelhos partidários, o número de militantes com capacidade eleitoral duplique em relação aos actuais, estaremos a falar de meia centena de milhar de pessoas. É a elas que caberá decidir quem será o líder da oposição. Quando as coisas chegam a este ponto, alguma coisa está muito mal no sistema político e partidário - no fundo, é um espelho do que se passa no país. O sistema que temos, a nível nacional e a nível partidário, levou a este paradoxo: é uma minoria que decide o futuro da maioria.

Semanada
 Em Portugal, estão em construção mais 80 hotéis, anunciou o ministro da Economia  na via navegável do Douro, há 60 operadores com 147 barcos, dos quais 20 são barcos-hotel  a zona do Douro espera atingir, até ao final do ano, o número recorde de um milhão de turistas  as receitas do sector hoteleiro subiram 14% durante a época alta (Junho a Setembro), equivalente a 200 milhões, chegando aos 1.688 milhões de euros  em Portugal, são detectados mais de 200 novos casos de diabetes por dia  o Bastonário da Ordem dos Médicos afirmou que grande parte dos equipamentos e materiais do Serviço Nacional de Saúde está fora do prazo de validade  em Portugal, 800 mil pessoas tomam calmantes todos os dias  segundo a Marktest, um em cada dez portugueses utiliza regularmente anúncios online  o Ministério Público recebeu, entre 1 de Setembro de 2016 e 31 de Agosto deste ano, 5.965 denúncias de operações suspeitas de lavagem de dinheiro, um aumento de 22% face ao período anterior  este ano, os bancos portugueses estão a emprestar uma média de 21,8 milhões de euros por dia para compra de habitação, um aumento de 42,7% em relação ao ano passado  na função pública, o salário médio está 500 euros acima do sector privado  a União Europeia alertou Portugal para a "elevada proporção de empregos criados em sectores com baixas qualificações e salários abaixo da média".

Ver
O destaque desta semana vai para a exposição colectiva que assinala os 25 anos de existência da Galeria Fernando Santos, no Porto, em boa parte responsável por se ter criado um pólo de arte na Rua Miguel Bombarda. Para assinalar o aniversário, o galerista Fernando Santos mostra obras inéditas a Pedro Cabrita Reis, Pedro Calapez (na imagem), João Louro, Priscila Fernandes, Jorge Galindo, Nikias Skapinakis, Gerardo Burmester, António Olaio, além de obras pouco conhecidas de artistas como Alberto Carneiro e Álvaro Lapa. Até 5 de Janeiro. Em Coimbra, não perca a sua bienal de arte contemporânea, "Ano Zero" que, com curadoria de Delfim Sardo, apresenta obras de 34 artistas, 17 das quais feitas propositadamente para esta mostra e que estão em diversos locais da cidade. Outras sugestões: na Galeria Pedro Alfacinha (Rua de S. Mamede 25), "América", um conjunto de seis novos trabalhos fotográficos de António Júlio Duarte. Na Galeria 111, Campo Grande, "História da Vida Privada", um projecto de Pedro Valdez Cardoso concebido, ao longo de um ano, especificamente para a esta galeria, reunindo um conjunto de mais de 100 obras, com peças inéditas, peças recentes e um conjunto de peças do arquivo do artista, as quais foram sendo realizadas ao longo de mais de 15 anos e, na sua grande maioria, nunca expostas anteriormente. Finalmente, no CCB Garagem Sul, um espaço dedicado à arquitectura, abriu esta semana "Neighbourhood", sobre os pontos de encontro entre a arquitectura de Álvaro Siza e a de Aldo Rossi na forma de pensar a cidade.

Gosto
Marcelo Rebelo de Sousa voltou a sublinhar que os relatórios sobre o apuramento de responsabilidades nos casos da legionela e de Tancos devem ser tornados públicos.  

Não gosto
Do caso de corrupção nas messes da Força Aérea, que há uma década envolve 86 oficiais e empresários num esquema de sobrefacturação de fornecimentos. 

Ouvir
Basta ouvir "Conto de Fadas", logo no início deste CD, para perceber como Aldina Duarte gosta de escrever, cantar e, fazendo as duas coisas, provocar e surpreender. Cantar um fado assim, o tradicional "Fado Santa Luzia", acompanhada por uma caixinha de música é usar a heresia e viver o risco que faltam a tantas tentativas de fadistas de moda que andam por aí. Esta é a melhor coisa que se poderia fazer neste tempo de tradições copiadas e de falsas almas que fazem que cantam. Aldina Duarte chamou a este seu novo disco "Quando Se Ama Loucamente" e cada uma das letras que para ele escreveu é uma peça da explicação do que é o Amor. Aldina Duarte escreve como poucos outros fadistas e canta como muito poucas mulheres hoje em dia, em Portugal. Ouvi-la é uma lição de poesia. É muito curiosa a forma como pegou em fados tradicionais e os recriou com novas letras - um desafio arriscado, mas que funcionou bem como nestes versos: "Somos dois da mesma dança/enlaçados na lembrança/e perdidos no coração." O disco assume-se como uma homenagem a Maria Gabriela Llansol, evocada num belíssimo texto de Hélia Correia que surge, no disco, ao lado de uma reprodução de um quadro de Pedro Cabrita Reis. E recordada, no final, pela voz de João Barrento, que diz as suas palavras. Este é um dos grandes discos portugueses do ano. CD Sony Music.

Arco da velha
Uma técnica de acção educativa de Vila do Conde andava a abastecer detidos da cadeia de Paços de Ferreira com haxixe a 200 euros a grama e cocaína e heroína a 500 euros a grama. 

Dixit
Depois da centena de mortos, um país ardido, décadas de medidas políticas, dezenas de ministros, várias reformas estruturais, grupos de trabalho independentes e missões de estrutura, chegámos enfim à solução: caramba, o que nos faltava era uma empresa pública para a floresta.
Paulo Ferreira, no Facebook 

Folhear
O fascínio pelo Oriente continua a dominar as obras de Fernando Sobral, como aconteceu em "Os Segredos do Hidroavião" ou em "As Jóias de Goa". Agora, com "O Silêncio dos Céus", continua a escrever sobre mistérios, mas de forma mais introspectiva. Esta é uma história passada em Macau, em meados do século XIX, e é o relato de uma conspiração urdida por personagens e locais de proveniências diversas e passados distintos. Muitas vezes, Fernando Sobral coloca no discurso dos conspiradores frases que vão mostrando as suas próprias reflexões. Por exemplo, logo no início, recorda que "a vida não pertence a nada, excepto ao vento, porque a nossa alma é o ar". Um pouco mais à frente, afirma que "a maior interrogação com que se defrontam os seres humanos é a existência do mal" e defende noutro passo que "para encontrar as grandes verdades da vida temos de passar pelo silêncio". "A curiosidade é a minha estrela polar", disse Fernando Sobral esta semana na apresentação do livro, em Lisboa. Ao ler qualquer dos seus livros, percebe-se o cuidado colocado na investigação sobre os locais, seus usos e costumes. Aqui vai mais além e coloca-se dentro das questões que norteiam desde há muitos séculos o pensamento filosófico oriental. Partindo de uma história de conspiração, "O Silêncio dos Céus" depressa se torna numa viagem pelas tradições do Oriente, onde a aventura faz parte da vida e se mistura com a luta pelo poder. "Alguém dizia que quando olhas demasiado para um abismo, este também olha para ti" - descubram porquê em "O Silêncio dos Céus", de Fernando Sobral, edição Livros do Oriente.

Provar
Situado nas Avenidas Novas, O Funil tem uma longa tradição que vem desde 1971. Há poucos anos, em 2014, foi totalmente remodelado e, após um período inicial em que se distinguiu, deixou cair a qualidade e o serviço. Há poucos meses, passou para as mãos de António Diogo, um profissional com vasta experiência na restauração e com um cuidado claro no serviço aos clientes. O bacalhau à Brás é um clássico que se tem mantido e que continua a ser uma referência segura e outra boa escolha são os filetes de peixe-espada com arroz de lima. Os pratos do dia são normalmente abaixo dos 10 euros e os pratos da carta normal andam entre os 10 e 14 euros - e aí podemos encontrar alguns arrozes dignos de nota - nomeadamente o de vitela e cogumelos, o de polvo e o de garoupa e gambas. Nos petiscos da casa, destaque para os pastéis de bacalhau. Na nova lista está por vezes uma novidade, trazida por António Diogo de aventuras anteriores, é o spaghetti a la forma - em que a massa acabada de cozer vai para dentro de um parmesão onde é envolvida, a quente, no queijo, ganhando todo o seu sabor. O vinho da casa é o Intensus, alentejano, que cumpre bem, sobretudo o tinto, e é servido a copo ou pequenos jarros. Nas sobremesas, o destaque vai para as farófias, bem feitas, à moda antiga, irresistíveis. O restaurante destaca-se pela arte de bem receber, pela atenção dada aos clientes e tem como único ponto menos positivo o facto de, por vezes, existir alguma demora. Av. Elias Garcia 82-A, tel. 210 968 912.

A sua opinião6
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
comentar
comentários mais recentes
General Ciresp Há 3 semanas

Junto da "ESQUINA DO RIO"vejo 1 homem com o rosto carregado de CAMINHOS e as maos a dizerem q ja nao podiam fazer mais nada,aproximei-me e perguntei-lhe porque chorava?dizia-me q ali tinha morrido um filho em pleno verao e hoje ele nao mata 1 formiga.Vai ser mais caro comer no PANTEAO,entao pode-se?

Anónimo Há 3 semanas

É O grama e não A grama.

General Ciresp Há 3 semanas

Se o RIO nao tivesse ESQUINA,ele era 1 alternativa ao aeroporto,ou como segunda alternativa era fazer os avioes sem asas.Cada vez sao mais as instituicoes a pedir filiados a troco de uns euritos por ano,tal como acontece nos partidos politicos q pedem 10dedos da mao mais 2dos pes.porque e para quem?

General Ciresp Há 3 semanas

A"ESQUINA DO RIO"passou a ser 1 esquina dum caminho de CALHAUS.Bastante curioso:2 irmaos de tenra idade receberam da avo 800 euros cada 1 por avo ter vendido a casa onde vivia.um deles comprou 1 guitarra com o dinheiro da avo,o outro investiu nos BITICONS,4 anos depois os biticons valem 100 mil euro

ver mais comentários