João Quadros
25 de Abril, de vez em quando
27 Abril 2012, 11:48 por João Quadros
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O 25 Abril foi uma revolução sem sangue. A principal razão para que isso tenha acontecido não foi devido aos brandos costumes, foi porque é impossível andar à pancada com calças à boca de sino.
O 25 Abril foi uma revolução sem sangue. A principal razão para que isso tenha acontecido não foi devido aos brandos costumes, foi porque é impossível andar à pancada com calças à boca de sino.

Este ano também não houve sangue, mas as cerimónias da revolução dos cravos ficaram marcadas pelos que se baldaram. Na minha opinião, é bom que haja contestação. Se não houvesse quem contesta estas coisas (neste dia) nunca teria havido revolução. O 25 de Abril só faz trinta e oito anos e já há quem queira que tenha a ternura dos quarenta.

Mas, sejamos honestos, se o discurso do Presidente da República, de comemoração do 25 de Abril, tinha como temas centrais a - nanotecnologia, telemóveis 4G e o Twitter - o Vasco Lourenço não ia lá fazer nada. Na Associação 25 de Abril só têm um furriel que percebe umas coisas de informática.

Cavaco conseguiu enfiar - nanotecnologia e 25 Abril de 74 - no mesmo discurso. Foi a primeira homenagem a uma revolução que incluiu uma menção a cartões pré-pagos de telemóvel. Estou ansioso por ouvir o discurso do 1 de Maio sobre domótica. O Presidente disse que "na rede Twitter, o português é a terceira língua mais utilizada". É verdade, mas é quase tudo para dizer mal dele.

O Presidente falou de portugueses com sucesso lá fora, como: João Salaviza, Joana Vasconcelos, Miguel Gomes. Foi o momento RTP2 de Aníbal. Temos que colocar a hipótese de Cavaco se ter enganado e ter lido o discurso que tinha guardado para a António Arroio. Faltou falar dos Buraka Som Sistema para sossegar os desempregados da construção civil. E ainda bem que Cavaco não deu como exemplo da obra de Joana Vasconcelos aquele sapato de senhora que é todo feito de tachos. Consta que Catroga tem um par de botas de montar, igual.
Não fazia ideia que em Belém eram tão alternativos. Maria Cavaco Silva viu o filme do Miguel Gomes e recordou os bons velhos tempos quando Cavaco fazia filmes parecidos em Moçambique. Não os sabia apreciadores da sétima arte e não quero imaginar Aníbal a comer pipocas.

Voltemos ao discurso. O Presidente aproveitou para exortar os concidadãos a corrigir a falta de informação que subsiste no estrangeiro sobre o País que somos - e como é que vamos fazer isso? Já viram o preço do "roaming"?! eu pago o meu telemóvel…

Cavaco disse que temos um problema de imagem - fala por ti. É verdade que, em termos de imagem positiva lá fora, temos: João Salaviza, Joana Vasconcelos, Miguel Gomes. Mas depois também há: Vale e Azevedo, Duarte Lima, Renato Seabra… assim é difícil.

Resumindo, no dia 25 de Abril, o Presidente da República acha que a principal preocupação que os portugueses têm que ter é… dar uma boa imagem à malta lá de fora. Por acaso, na minha lista de preocupações, o que os outros pensam de nós estava em 4º lugar; à frente do desemprego e atrás do empréstimo da casa. O nosso primeiro dever é o dever de explicar Portugal ao mundo e deixar o mundo impressionado. Em cada portuguesa, uma guia de turismo. Em cada português, um Zezé Camarinha.

Foi um discurso estranho, sobre os êxitos de Portugal na tal década que deu cabo disto. Foi um discurso Socrático, um ano mais tarde do que dava jeito a Sócrates.





O povo está com o FMI

1. "Se o 25 de Abril fosse hoje?" ganhava quem ficasse com os submarinos - era uma revolução submarina, com homens-rã de Abril.

2. O pin com a bandeira portuguesa, que os nossos governantes usam, em termos de enjoo, só é comparável ao autocolante da Penélope dos anos 80.

3. Merkel está preocupada com a extrema direita em França - e vai deixar crescer um bigode.

4. Pedro Passos Coelho parece o rapaz do "Good Bye, Lenin!", mas com mais meios.






Rectificação
Por lapso de edição, a crónica de João Quadros "Eu é que sou a capital da coisa", publicada na semana passada, mencionava Alvaiázere como sendo capital do Chicharro, quando, na realidade, Alvaiázere é a capital da leguminosa Chícharo. Ao autor e aos leitores, as nossas desculpas.

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