Antoine Blanchys
Antoine Blanchys 27 de setembro de 2017 às 10:00

9.999.851 razões para digitalizar o turismo português

Se há um setor que sentiu em pleno a transformação digital é o setor turístico. A internet tornou-se o principal canal de venda para a hotelaria, para os transportes aéreos, para as rent-a-car.

Blogues, redes sociais e a media digital contribuíram imenso para o recente "sex appeal" dos destinos Lisboa, Porto, Douro, Comporta… e com tração positiva para o Algarve, o nosso destino histórico. O Web Summit consagra Lisboa como ator emergente do turismo de negócios. "The place to be", dizem os meus amigos em França.

 

Enfim, temos regularmente disrupção na experiência turística e colossos ou futuros colossos mundiais como: Booking.com, Hotels.com, Trivago, SkyScanner, Airbnb, Couchsurfing, B-Guest, Tripadvisor, Uber, EuroRent… para não falar de Facebook, Opel… que propõem novos serviços e experiências ligadas à geolocalização.

 

O turismo representa, hoje, 10% do PIB mundial… e tem crescido 4% anualmente, nos últimos anos. Se é muito importante para o mundo, é mais ainda estratégico para Portugal, país de sol e cultura "trendy": 25 mil milhões de euros (cerca de 13,8% do PIB português). Agora, de acordo com as estimativas do World Travel & Tourism Council, o impacto em 2017 chegará a mais de 30 mil milhões de euros (cerca de 16,6% do PIB nacional). Ou seja, é um dos setores mais dinâmicos e atraentes da nossa projeção económica e presença cultural.

 

O dinamismo implica um grande desafio: como empresas e atores nacionais retiram do digital no turismo?

 

Espontaneamente, Airbnb e também Uber já transformaram o dia a dia em alguns bairros históricos de Lisboa e acordaram algumas aldeias. Para o bem... e também, quando excessivo, para o mal.

 

O "upgrade" tecnológico é necessário para muitas empresas nacionais sob pena de perderem expressão (agências de viagens) ou de terem de partilhar a receita com "players" internacionais (hotéis, restaurantes…). Aqui há um caminho de investimentos e de qualificação para poder concorrer com outros destinos ou aumentar margens e receitas.

 

Para a hotelaria, é encontrar alternativas à hegemonia de booking.com, com marketing digital personalizado, com a revolução do data marketing, com uma experiência "pre-stay", "stay" e "post-stay" mais integrada, com ferramentas de fidelização efetiva.

Para empresas de transportes, agências, escolas de surf, cruzeiros, etc., será uma experiência de e-commerce mais envolvente e personalizada. Hoje em dia, a personalização é o "sésamo" do digital… Um remarketing que integra todos os dados: website, CRM etc… aumenta tremendamente a eficácia da publicidade online, elimina gastos desnecessários com mais reservas e compras e menos custos.

 

Já existem algumas boas referências nacionais a seguir: Indie campers, Tripaya para não falar, numa atividade de hospitalidade um pouco diferente como Uniplaces ou a recente e-loja do Benfica (o futebol já se tornou também uma experiência turística).

 

Está na altura certa para colocar na agenda nacional uma vertente de "Turismo Tech" que integra todas as empresas do setor assim como os 9.999.851 de portugueses. E de generalizar as tecnologias e aprendizagens do futuro.

 

Diretor-geral da Mediapost

 

Artigo em conformidade com o novo Acordo Ortográfico

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