Armando Esteves Pereira
Armando Esteves Pereira 08 de junho de 2017 às 20:35

A arma eleitoral 

As discussões políticas sobre o Orçamento do Estado entre o Governo e os seus aliados parlamentares de esquerda vão ser bem mais fáceis do que se previa.

O Governo preparou uma verdadeira arma atómica eleitoral, com a criação de um novo escalão intermédio nos rendimentos mais baixos. Vai beneficiar mais de um milhão de contribuintes. O fim da sobretaxa para todos os escalões também significa um aumento de rendimento para quase todos os trabalhadores por conta de outrem e pensionistas. Por outro lado, na Função Pública algumas centenas de milhares de pessoas beneficiam da progressão na carreira, o que significa mais dinheiro no final do mês. E há ainda dezenas de milhares de trabalhadores precários no Estado que cumprem o sonho de um vínculo laboral mais seguro.

 

O Governo de António Costa sempre mostrou especial habilidade em fazer política com efeitos eleitorais. Manteve uma severa austeridade nos impostos indirectos. Foi tão eficaz que pode dizer que aliviou a austeridade do governo anterior, sem ser publicamente desmentido. É certo que funcionários públicos, reformados e outros cidadãos que também já beneficiaram de um alívio na sobretaxa de IRS sentem que têm mais dinheiro ao fim do mês. E num país com tantas famílias hipotecadas, a conjuntura de juros extremamente baixos também acentua essa percepção. Mas a verdade é que o Fisco fica com a fatia de leão de impostos na gasolina ou no gasóleo e os automobilistas não atribuem o preço do combustível aos impostos, mas ao petróleo, que para bem da economia portuguesa, regista um já longo período de baixa.

 

Com a confiança económica dos portugueses, em valores que já não se viam há muitos anos e depois de um duro período de austeridade, a conjuntura favorece António Costa.  Mas nem tudo está bem. Quem olha para o Estado com a visão de Pangloss, o mestre optimista de Cândido (de Voltaire) e diz que está tudo bem comete um erro de avaliação. Tudo parece bem, mas os problemas foram simplesmente empurrados com a barriga. E permanece um Estado pesado, caro, com uma dívida pública que será um problema quando os juros voltarem a subir.

 

Director-adjunto do Correio da Manhã

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comentários mais recentes
Mr.Tuga 09.06.2017

Certo!
Estes malabaristas são muito eficazes a vender ilusões ao tugas imbecilizados por fuitibois e toines analfabetos chutadores de bola, fado, Fátima, touradas e centenas de festivaleiros de cançonetas....
Quando acordarem para a realidade....